E o espinheiro respondeu às árvores: Se em verdade me elegeis por rei sobre vós, vinde, e assegurai-vos debaixo de minha sombra: e se não, fogo saia do espinheiro que devore os cedros do Líbano. (Juízes 9:15)
Comentário de G. F. Moore
Aqui, finalmente, eles encontraram alguém que estava pronto para ser seu rei.
Se em verdade me elegeis por rei sobre vós – se não for brincadeira e zombaria, mas falam com seriedade.
vinde, e assegurai-vos debaixo de minha sombra – coloque-se sob minha proteção e confie em mim. A ironia da fábula tem seu clímax na seriedade dessa promessa de proteção: a imagem das árvores da floresta e do campo buscando abrigo à sombra do espinheiro traz em si todo o absurdo da situação. Os homens queriam um rei para defendê-los de seus inimigos (8:22ss; 1Samuel 9:16); de que adiantava um rei que não podia fazer isso?
e se não, fogo saia do espinheiro que devore os cedros do Líbano. Sem dúvida, não era incomum que um fogo, começando entre espinhos, se espalhasse pelo campo e pelo pomar (Exodo 22:6), ou pela floresta (Isaías 9:18), de modo que o humilde espinho se tornasse a destruição das árvores mais majestosas. Os cedros do Líbano representam o extremo oposto [of creation] do espinho; veja 2 Reis 14, a resposta insultante de Jeoás a Amazias de Judá. Onde não há poder para ajudar, pode haver infinitas possibilidades de dano. Aqueles que fizeram o espinho rei sobre eles se colocaram neste dilema: se fossem fiéis a ele, gozariam de sua proteção, que era uma zombaria; se fossem falsos com ele, ele seria sua ruína. [Moore, 1895]
<Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles, com adaptação de Luan Lessa – janeiro de 2021.