Apocalipse 1:3

Bem-aventurado é aquele que lê, e também os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas nela escritas; porque o tempo está próximo.

aquele que lê [em voz alta, diante da congregação] as palavras desta profecia – ou seja, as palavras deste livro. O escritor aqui é um profeta, isto é, suas declarações procedem da iluminação do Espírito Santo: compare com Apocalipse 22:7.10; Atos 13:1; 1Coríntios 12:28; 13:2; 14:3; Efésios 4:11. Um apóstolo poderia ser um profeta: compare com Efésios 3:3. [Dummelow, 1909]

Comentário de H. B. Swete

Bem-aventurado é aquele que lê… [μακάριος ὁ ἀναγινώσκων…] Felicitação ao leitor e ouvintes da visão. Ὁ ἀναγινώσκων [o que lê] não é o estudante privado (compare com Marcos 13:14, nota), mas, como οἱ ἀκ. mostra, a pessoa que lê em voz alta na congregação. A Igreja herdou a prática judaica de leitura na congregação (compare com Êxodo 24:7, Neemias 8:2, Lucas 4:16, Atos 13:15, 15:21, 2Coríntios 3:15), e estendeu-a a documentos cristãos como cartas apostólicas (Colossenses 4:16, 1Tessalonicenses 5:27, e veja também Justin ap. 1:67, Dionys. Cor. ap. Eus. H. E. 4:23); e o escritor do Apocalipse claramente deseja encorajar esse uso público de seu livro. O leitor (ἀναγνώστης, leitor), logo adquiriu uma posição oficial, e tornou-se um membro do clero (Tert. de praescr. 41; veja Wordsworth, Ministry of Grace, p. 187 f.). Mas este papel não lhe foi atribuído no primeiro século; na Igreja Apostólica, assim como na Sinagoga, a leitura das Escrituras provavelmente era delegada pelos presbíteros ou pelo presidente a qualquer membro da congregação que fosse capaz e disposto a realizá-la.

A μακαρισμός [bem aventurança] do leitor (μακάριος=אַשְׁרֵי como em Deuteronômio 33:29, Salmo 1:1) é estendida aos ouvintes se guardarem o que ouviram. Há aqui uma referência pouco duvidosa à declaração de nosso Senhor em Lucas 11:28 μακάριοι οἱ ἀκούοντες τὸν λόγον τοῦ θεοῦ καὶ φυλάσσοντες, embora o τηρεῖν joanino (João 8:51 f, João 14:23, João 15:20, João 17:6, 1João 2:5, etc.) tome o lugar de φυλάσσειν. O pensamento é trabalhado por Tiago (1:22 f.)

desta profecia [Τῆς προφητείας]: o apocalipsista reivindica para seu livro um lugar entre os livros proféticos do Antigo Testamento; compare com 2Crônicas 32:32 ἐν τῇ προφητείᾳ Ἠσαίου, Sir. prol. 15 αἱ προφητεῖαι. A reivindicação é repetida em Apocalipse 22:7, 10, 18 f.

porque o tempo está próximo [Ὁ γὰρ καιρὸς ἐγγύς]: um motivo para ouvir e guardar: a época (compare com 11:18, 22:10; Atos 1:7) para o cumprimento da visão está próxima; as esperanças e medos que ela desperta pertencem ao futuro próximo; compare com Beatus: “perficientibus enim non longum tempus remunerationis facit”. As palavras, como ἐν τάχει (v. 1), são repetidas em Apocalipse 22:10. Elas se baseiam em tais ditos de Cristo como Marcos 13:28 f. e estão entre os lugares-comuns do cristianismo primitivo; compare com Romanos 13:11, 1Coríntios 7:29, Filipenses 4:5 (onde veja a nota de Lightfoot). [Swete, 1906]

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Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles, com adaptação de Luan Lessa – janeiro de 2021.