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1 Samuel 11

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Saul vence os amonitas

1 E subiu Naás, amonita, e assentou acampamento contra Jabes-Gileade. E todos os de Jabes disseram a Naás: Faze aliança conosco, e te serviremos.

assentou acampamento contra Jabes-Gileade – no leste do rio Jordão. Durante muito tempo os amonitas revindicaram o direito de possuírem Gileade. Embora reprimidos por Jefté (Jz 11:33), eles agora, depois de noventa anos, renovam suas pretensões; e foi o relato de sua ameaça de invasão que apressou a nomeação de um rei (1Sm 12:12).

Faze aliança conosco, e te serviremos. Eles não viam nenhuma perspectiva de serem ajudados pelos israelitas à oeste do Jordão, que não apenas estavam distantes, mas mal conseguiam impedir os ataques dos filisteus. [JFU, 1871]

2 E Naás, amonita, lhes respondeu: Com esta condição farei aliança convosco, que a cada um de todos vós tire o olho direito, e ponha esta afronta sobre todo Israel.

Naás pretendia manter os jabesitas úteis como pagadores de impostos, por isso não desejava deixá-los totalmente cegos, mas apenas privá-los do olho direito, o que os desqualificaria para a guerra. Além disso, seu objetivo era, através do povo de Jabes-Gileade, insultar a nação israelita. [JFU, 1871]

e ponha esta afronta sobre todo Israel (“e assim humilhei todo o Israel”, NVI, ou então, “como humilhação para todo o Israel”, NVT).

3 Então os anciãos de Jabes lhe disseram: Dá-nos sete dias, para que enviemos mensageiros a todo território de Israel; e se ninguém houver que nos defenda, nos entregaremos a ti.

os anciãos de Jabes lhe disseram: Dá-nos sete dias. Eles consideraram este tempo suficiente para descobrir se seria possível obter ajuda para eles além do Jordão. Mas por que, pode-se perguntar, Naás, que poderia ditar os termos de rendição, permitiria à cidade indefesa essa oportunidade de se fortalecer? Ele provavelmente supôs que as tribos à oeste do Jordão não estavam em condições de prestar a Jabes qualquer ajuda considerável, e que isso aumentaria ainda mais a vergonha de Israel ao dizer que os habitantes de Jabes imploravam sua ajuda em vão. Josefo nos diz que os sitiados já haviam procurado em vão a ajuda das tribos no leste do Jordão, e esse fato pode ter feito Naás se sentir ainda mais seguro. Ou então, talvez, ele não estivesse naquele momento em condições de conquistar a cidade facilmente, caso os sitiados oferecessem uma resistência; também não devemos esquecer que o SENHOR planejou, por esta guerra contra os amonitas, engrandecer Saul aos olhos de Israel. [Whedon, 1874]

4 E chegando os mensageiros a Gibeá de Saul, disseram estas palavras aos ouvidos do povo; e todo o povo chorou em voz alta.

chegando os mensageiros a Gibeá de Saul (“Gibeá onde Saul morava”, NVT).

5 E eis que Saul que vinha do campo, atrás os bois; e disse Saul: Que tem o povo, que choram? E contaram-lhe as palavras dos homens de Jabes.

Saul que vinha do campo, atrás os bois (“Saul estava trazendo o gado do campo”, NVI). Saul ainda estava ocupado com suas antigas atividades. A princípio isto pode parecer estranho, mas deve-se lembrar que a autoridade real era algo bastante novo no Israel republicano, e que os deveres e privilégios do novo rei a princípio eram vagos e pouco compreendidos; além disso, comportamentos invejosos, que já haviam sido percebidos (1Sm 10:27), sem dúvida induziram Saul e seus conselheiros a manter a monarquia em segundo plano até que alguma oportunidade de levá-la a diante se apresentasse. É, portanto, bastante compreensível que o rei recém-eleito passasse pelo menos uma parte de seu tempo em atividades que até então ocupavam toda a sua vida. Ele não foi o primeiro herói convocado por trabalhos rurais a assumir, em uma emergência nacional, o comando de um exército. Gideão foi chamado do lagar para fazer seus grandes feitos; e para citar a história profana, um dos mais nobres filhos de Roma, como Saul, estava arando a terra quando o Senado romano o buscou para ser o ditador e o general de seus exércitos; e para o arado aquele grande homem retornou quando seu trabalho foi realizado com sucesso e seu país foi salvo. [Ellicott, 1905]

6 E o Espírito de Deus se apoderou de Saul, ouvindo estas palavras, e Saul ficou muito irado.

o Espírito de Deus se apoderou de Saul. O original hebraico para “se apoderou” descreve um impulso repentino e generalizado. Uma infusão sobrenatural de vigor físico e mental que o permitiu enfrentar prontamente a crise. [Cambridge, 1896]

7 E tomando um par de bois, cortou-os em peças, e enviou-as por todos os termos de Israel por meio de mensageiros, dizendo: Qualquer um que não sair após Saul e após Samuel, assim será feito a seus bois. E caiu temor do SENHOR sobre o povo, e saíram como um só homem

Apanhou dois bois, cortou-os em pedaços e, por meio dos mensageiros, enviou os pedaços – (ver Jz 19:29). Essa forma particular de convocação de guerra era adequada ao caráter e aos hábitos de um povo agrícola e pastoril. Solene em si mesma, a denúncia que a acompanhava trazia uma terrível ameaça àqueles que a negligenciavam. Saul conjuga o nome de Samuel com o seu próprio, para emprestar a maior influência à medida, e para causar maior terror a todos os contempladores da ordem. O pequeno contingente fornecido por Judá sugere que o descontentamento com Saul era mais forte naquela tribo.

8 E contou-lhes em Bezeque; e foram os filhos de Israel trezentos mil, e trinta mil os homens de Judá.

Bezeque – Este local de reunião geral não ficava longe de Siquém, na estrada para Bete-Sã, e quase em frente ao vau ao cruzar para Jabes-Gileade. O grande número na lista mostrou o efeito da sabedoria e prontidão de Saul.

9 E responderam aos mensageiros que haviam vindo: Assim direis aos de Jabes de Gileade: Amanhã em aquecendo o sol, tereis salvamento. E vieram os mensageiros, e declararam-no aos de Jabes, os quais se alegraram.
10 E os de Jabes disseram: Amanhã sairemos a vós, para que façais conosco tudo o que bem vos parecer.
11 E o dia seguinte dispôs Saul o povo em três esquadrões, e entraram em meio do acampamento à vigília da manhã, e feriram aos amonitas até que o dia aquecesse; e os que restaram foram dispersos, tal que não restaram dois deles juntos.

No dia seguinte, Saul dividiu seus soldados em três grupos – Cruzando o Jordão à noite, Saul marchou seu exército a noite toda, e chegou ao amanhecer no acampamento dos amonitas, que ficaram surpresos em três partes diferentes, e totalmente derrotados. Isso aconteceu antes dos sete dias em que a trégua expirou.

Saul confirmado como rei

12 O povo então disse a Samuel: Quem são o que diziam: Reinará Saul sobre nós? Dai-nos esses homens, e os mataremos.

o povo disse a Samuel: “Quem foi que perguntou: ‘Será que Saul vai reinar sobre nós? – A admiração entusiástica do povo, sob o impulso de sentimentos agradecidos e generosos, teria causado uma vingança sumária à minoria que se opunha a Saul, se ele, ou não por princípio ou política, se mostrara tão grande em clemência quanto em valor. O conselho calmo e perspicaz de Samuel dirigiu os sentimentos populares para um canal certo, nomeando uma assembléia geral da milícia, a força realmente efetiva da nação, em Gilgal, onde, em meio a grande pompa e solenidades religiosas, o líder vitorioso foi confirmado. em seu reino [1Sm 11:15].

13 E Saul disse: Não morrerá hoje ninguém, porque hoje operou o SENHOR salvação em Israel.
14 Mas Samuel disse ao povo: Vinde, vamos a Gilgal para que renovemos ali o reino.
15 E foi todo o povo a Gilgal, e investiram ali a Saul por rei diante do SENHOR em Gilgal. E sacrificaram ali vítimas pacíficas diante do SENHOR; e alegraram-se muito ali Saul e todos os de Israel.
<1 Samuel 10 1 Samuel 12>

Leia também uma introdução aos livros de Samuel.

Adaptado de: Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible. Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles – fevereiro de 2018.