Bíblia

Atos 6

A instituição dos diáconos

1 Naqueles dias, ao se multiplicar o número de discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, de que suas viúvas estavam sendo desprezadas no serviço diário de entrega de comida.

gregos – judeus de fala grega, não nascidos na Palestina.

hebreus – aqueles judeus nascidos na Palestina que usavam sua língua nativa, e estavam acostumados a menosprezar os “gregos” como uma classe inferior.

estavam sendo desprezadas –  as viúvas estavam sendo “negligenciadas” por aqueles que os apóstolos empregaram, e que eram provavelmente da classe hebraica, pois eram os mais numerosos. A denúncia dos gregos era, com toda a probabilidade, bem fundamentada, embora não podemos suspeitar que os encarregados da distribuição fizessem intencionalmente. “Foi realmente apenas uma emulação de amor, cada parte desejando ter seus próprios pobres atendidos da melhor maneira” (Hermann Olshausen). [JFB]

2 E os doze, chamando à multidão dos discípulos, disseram: Não é bom que nós deixemos a palavra de Deus para servirmos às mesas.

deixemos a palavra de Deus – ou seja, retirar nosso tempo e atenção da pregação do Evangelho; que, ao que parece, eles consideravam como seu principal dever.

para servirmos às mesas – supervisionar a distribuição dos mantimentos. [JFB]

3 Portanto, irmãos, buscai sete homens dentre vós, de quem haja bom testemunho, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre esta importante tarefa.

bom testemunho – boa reputação (At 10:22; 1Tm 3:7).

cheios do Espírito Santo – não cheios de dons miraculosos, o que não teria sido uma qualificação para os deveres requeridos, mas espiritualmente dotados (embora em dois dos escolhidos o poder miraculoso tenha repousado).

e sabedoria – habilidade para assuntos práticos.

aos quais constituamos – porque enquanto a escolha foi entregue ao povo cristão, a designação era responsabilidade dos apóstolos, como governantes espirituais. [JFB]

4 Nós, porém, perseveraremos na oração e no serviço da palavra.

oração – oração pública, juntamente com a grande obra da pregação.

5 E esta palavra foi do agrado diante de toda a multidão, e escolheram a Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e a Nicolau, o prosélito de Antioquia.

Como todos os nomes dos escolhidos são gregos, é provável que fossem todos da classe “grega“, o que efetivamente restauraria a confiança entre os cristãos. [JFB]

6 Aos quais se apresentaram diante dos apóstolos; e eles, orando, puseram as mãos sobre eles.

orando – proclamando que todos os dons fluem do Cabeça da Igreja glorificado.

puseram as mãos sobre eles –  simbolizando a comunicação dos dons aos escolhidos para o diaconato através de canais reconhecidos. [JFB]

7 E a palavra de Deus crescia, e o número dos discípulos se multiplicava muito em Jerusalém; e grande multidão dos sacerdotes obedecia à fé.

grande multidão dos sacerdotes obedecia à fé – Este foi o triunfo culminante do Evangelho, cuja pacífica prosperidade estava agora no seu auge. Depois que o ensino de Estevão e o seu julgamento deixaram claro que os interesses sacerdotais não suportavam o Evangelho, tais adesões dos sacerdotes tornaram-se realmente raras. [JFB]

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Estêvão é denunciado perante o Sinédrio

8 E Estêvão, cheio da graça e poder, fazia milagres e grandes sinais entre o povo.

A narrativa anterior parece ser apenas uma introdução ao que se segue.

9 E levantaram-se alguns da sinagoga, que era chamada sinagoga dos libertos, cireneus, e alexandrinos, e dos que eram da Cilícia, e da Ásia, e discutiam contra Estêvão.

sinagoga dos libertos – (judeus libertos) cativos romanos alforriados, ou os filhos de tais, expulsos de Roma (como aparece nos escritos de Josefo e Tácito), e agora residindo em Jerusalém.

cireneus – judeus de Cirene, na Líbia, região costeira da África.

da Cilícia – entre os quais pode ter sido Saulo de Tarso (At 7:58; At 21:39).

e da Ásia – (Veja At 16:6). [JFB]

10 E eles não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava.

O que ele disse, e o poder com o qual ele falou, eram igualmente irresistíveis.

11 Então eles subornaram a uns homens, para que dissessem: Nós o ouvimos falando palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus.

palavras blasfemas contra Moisés – sem dúvida referindo-se ao desaparecimento iminente de todo o sistema Mosaico.

e contra Deus – Isto deve se referir à suprema dignidade e autoridade que ele reivindicou para Cristo, como a cabeça daquela nova economia que esta para rapidamente suplantar o antiga (compare At 7:56, 59, 60 ). [JFB]

12 E incitaram ao povo, aos anciãos e aos escribas; e vieram sobre Estêvão, e o detiveram, e o levaram ao supremo conselho.
13 E apresentaram falsas testemunhas, que diziam: Este homem não para de falar palavras blasfemas contra este santo lugar, e contra a Lei.
14 Porque nós o ouvimos dizer que este Jesus Nazareno vai destruir este lugar, e mudar os costumes que Moisés nos entregou.
15 Então todos os que estavam sentados no supremo conselho, observando-o com atenção, viram o rosto dele como de um anjo.

o rosto dele como de um anjo – um brilho sobrenatural atestando a todos os que contemplavam seu semblante a calma divina do espírito interior de Estêvão. [JFB]

<Atos 5 Atos 7>

Leia também uma introdução ao Livro dos Atos dos Apóstolos.

Adaptado de: Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible. Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles – fevereiro de 2018.