Livro

Epístola aos Gálatas

A Epístola aos Gálatas foi escrita pelo apóstolo Paulo, sua a genuinidade é universalmente reconhecida.

Ocasião

As igrejas da Galácia (hoje território da Turquia) foram fundadas pelo próprio Paulo (At 16:6; Gl 1:8; 4:13,19). Estas igrejas devem ter sido principalmente compostas de convertidos do paganismo (Gl 4:8), mas em parte também de judeus convertidos, que provavelmente, sob a influência de mestres judaizantes, queriam incorporar os ritos do judaísmo ao cristianismo, e parece que conseguiram induzir a maioria das igrejas a adotar seus pontos de vista (Gl 1:6; 3:1). Esta epístola foi escrita com o propósito de neutralizar essa tendência judaizante, e de relembrar os gálatas à simplicidade do evangelho, e ao mesmo tempo também de reivindicar a alegação de Paulo de ser um apóstolo comissionado por Deus.

Data e local

A epístola aos Gálatas provavelmente foi escrita logo após a segunda visita de Paulo à Galácia (At 18:23). As referências da epístola parecem concordar com essa conclusão. A visita a Jerusalém, mencionada em Gl 2:1-10, é idêntica a de Atos 15, e é falada como uma coisa do passado e, consequentemente, a epístola foi escrita posteriormente ao conselho de Jerusalém. A semelhança entre esta epístola e a aos romanos levou à conclusão de que ambas foram escritas ao mesmo tempo, ou seja, no inverno de 57-8 dC, durante a permanência de Paulo em Corinto (At 20:2-3). Esta para os Gálatas é escrita na urgência da ocasião; e a Epístola aos Romanos foi escrita de uma maneira mais deliberada e sistemática, na exposição das mesmas grandes doutrinas do evangelho.

Conteúdo

A grande questão discutida é: A lei judaica estava ligada aos cristãos? A epístola é projetada para provar contra os judeus que os homens são justificados pela fé sem as obras da lei de Moisés. Depois de um discurso introdutório (Gl 1:1-10), o apóstolo discute os assuntos que ocasionaram a epístola. (1) Ele defende sua autoridade apostólica (Gl 1:11-19; 2:1-14); (2) mostra a má influência dos judaizantes em destruir a própria essência do evangelho (Gálatas 3-4); (3) exorta os crentes gálatas a permanecerem firmes na fé como ela é em Jesus, e a abundar nos frutos do Espírito, e em um uso correto de sua liberdade cristã (Gálatas 5 à 6:10); (4) e, em seguida, conclui com um resumo dos tópicos discutidos e com a bênção.

A Epístola aos Gálatas e aos Romanos, juntas, “formam uma prova completa de que a justificação não deve ser obtida meritoriamente, seja por obras de moralidade, seja por ritos e cerimônias, apesar da designação divina; mas que é um dom gratuito, procedendo inteiramente da misericórdia de Deus, para aqueles que a recebem pela fé em Jesus, nosso Senhor”.

Na conclusão da epístola (Gl 6:11), Paulo diz: “Olhai como são grandes as letras que vos escrevi da minha mão”. Está implícito que isso era diferente de seu uso comum, que era simplesmente escrever a saudação final com sua própria mão, indicando que o restante da epístola foi escrito por outra mão. Sobre esta conclusão, Lightfoot, em seu comentário sobre a epístola aos Gálatas, diz: “Neste ponto, o apóstolo toma a caneta de seu escrivão, e o parágrafo final é escrito com suas próprias mãos. A partir do momento em que as cartas começaram a ser forjadas em seu nome (2Ts 2:2; 3:17), parece ter sido sua prática de fechar com algumas palavras em sua própria caligrafia, como uma precaução contra tais falsificações…No presente caso ele escreve um parágrafo inteiro, resumindo as principais lições da epístola em frases concisas, desconexas e ansiosas. Ele escreve também, em grandes e fortes caracteres  (pelikois grammasin), que a escrita de suas mãos pode refletir a energia e a determinação de sua alma”.

Adaptado de: Illustrated Bible Dictionary (Galatians, Epistle to).