Entendendo a formação do cânon (Aula 4)

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4.1 Significado de cânon

Cânon (ou cânone) é uma palavra é oriunda do grego (“kanon”) e do hebraico (“kaneh”) que significa “cana” ou “vara de medir”. Portanto, indica algo reto, ou algo para manter em linha reta; e por isso, depois, passou a significar “norma” ou “regra”. Essa expressão  passou a ser aplicada às Escrituras com o propósito de afirmar que elas continham a regra autorizada de fé e prática, o padrão de doutrina e dever. Diz-se que um livro é de autoridade canônica quando tem o direito de ocupar um lugar com os outros livros que contêm uma revelação da vontade divina. Tal direito não é resultado de qualquer autoridade eclesiástica, mas da evidência da autoria inspirada do livro. Os livros canônicos (isto é, inspirados) do Antigo e do Novo Testamento contêm toda a revelação sobrenatural de Deus para os homens e por isso têm a autoridade final como norma de fé e prática. [Easton, 1896]


4.2 História do cânon bíblico

Assista à live gravada sobre o surgimento da Bíblia (80 minutos) do professor batista Filipe Breder da Escola do Discípulo.

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Recapitulando:

  • O que sabemos sobre Deus é aquilo que Ele decidiu revelar sobre si mesmo através da natureza (revelação geral), das Escrituras (revelação específica ou especial) e principalmente através de Jesus, conforme registrado nas Escrituras.
  • Os textos bíblicos (em sua maioria) não são palavras ditadas diretamente por Deus aos escritures humanos (como no espiritismo), as Escrituras são sim o resultado da ação sobrenatural do Espírito Santo dirigindo os autores para que tudo que registrassem sobre as realidades visíveis e invisíveis fosse livre de erro.
  • Os primeiros registros arqueológicos da escrita são de 3000 anos antes de Cristo (a.C). Os primeiros eventos do Gênesis aconteceram antes da invenção da escrita, por isso conclui-se que as primeiras histórias foram transmitidas oralmente.
  • Os primeiros livros a serem escritos provavelmente foram Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, aproximadamente 1400 a.C e o último foi o de Malaquias 400 a.C. Observe que isso abrange um período de 1000 anos para composição do cânon.
  • Correção: A professor Filipe no vídeo (13 minutos, e novamente 42 minutos) afirma que os escritores sagrados não sabiam que aquilo que estavam escrevendo tinha uma autoridade diferente. As Escrituras porém afirmam que eles sabiam, conforme pode ser lido em Deuteronômio 31:26: “Tomai este Livro da Torá, da Lei, e colocai-o ao lado da Arca da Aliança de Yahweh, vosso Deus, onde deverá permanecer como testemunha contra ti!” (KJV).
  • Vários livros provavelmente foram escritos com o passar da história de Israel entre o período do ano 1400 a.C e 400 a.C, mas alguns (os 39 do Antigo Testamento), por várias razões ganharam evidência e reconhecimento autoritativo na comunidade israelita de maneira que foram cuidadosamente preservados.
  • O Antigo Testamento como conhecemos hoje provavelmente ganhou forma depois que os judeus retornaram do cativeiro babilônico (aproximadamente 500 a.C), quando se passou a ter uma reverência ainda maior às Leis de Deus. Um tempo depois surgiriam as escolas rabínicas como a dos fariseus.
  • Jesus reconheceu a autoridade do cânon do Antigo Testamento em sua referência à “Lei, os profetas e os Salmos” (Lc 24:44) e às suas diversas citações e alusões aos seus livros.
  • Os livros do Antigo Testamento foram escritos originalmente em hebraico (e uma parte em aramaico). Aproximadamente no ano 200 a.C eles foram traduzidos para o grego formando uma versão que é conhecida como Septuaginta.
  • O Novo Testamento começou a ser escrito aproximadamente 30 anos após a morte e ressurreição do Senhor. Ao que parece, a principio, os apóstolos se preocuparam mais em pregar o Evangelho do que escrever sobre Ele.
  • Cada Evangelho e carta do Novo Testamento foi escrita com um propósito específico, mas devido a autoridade de seus autores, logo começaram a serem copiadas e circularem entre as igrejas. Em 397 a autoridade dos 27 livros do Novo Testamento é oficialmente reconhecida.
  • O últimos livros do Novo Testamento a serem escritos são os do apóstolo João, antes do final do primeiro século.

4.3 Canônicos, pseudoepígrafos e apócrifos

Agora entenda mais sobre os critérios usados para a formação do cânon bíblico, os livros que não entraram neste cânon e o motivo para a Bíblia Católica ter um maior número de livros através desta exposição (82 minutos) do reverendo presbiteriano Leandro de Lima.

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Recapitulando:

  • Os livros canônicos (ou seja, inspirados) foram muito cedo reconhecidos como autoritativos pela comunidade de Israel (os 39 livros do Antigo Testamento) e depois pelos crentes (os 27 livros do Novo Testamento). Eles não passaram a ter autoridade pela decisão das lideranças judaicas ou eclesiásticas.
  • A autoridade do autor sagrado (profeta, apóstolo…) foi uma das principais razões para o reconhecimento de quais escritos fariam parte do cânon. Porém, em última instância, o que convenceu os leitores originais de quais eram os escritos autoritativos, e quais não eram, foi o é chamado de testemunho interno do Espírito Santo.
  • Os pseudoepígrafos são obras falsamente atribuídas a personagens citadas nas Escrituras, por exemplo: Livro de Enoque, Vida de Adão e Eva, Apocalipse de Baruque, Evangelho de Judas, etc. Embora sejam obras úteis para conhecer uma parte da história antiga, elas não são reconhecidas como inspiradas por Deus.
  • Os apócrifos são livros reconhecidos como inspirados pela Igreja Católica, mas rejeitados pelos protestantes (ou evangélicos). Os livros são: Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico (também chamado Siraque), Baruque e também as adições em Ester e em Daniel.
  • Jesus e os apóstolos citaram diversas vezes os livros do Antigo Testamento, reconhecendo a sua autoridade, mas nenhuma vez um dos sete livros apócrifos reconhecidos pela Igreja Católica Romana. Essa é uma das principais razões para rejeitarmos estes livros.

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