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Gênesis 26

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Isaque em Gerar

1 E houve fome na terra, além da primeira fome que foi nos dias de Abraão: e foi-se Isaque a Abimeleque rei dos filisteus, em Gerar.

Abimeleque. Não pode ser o mesmo Abimeleque do tempo de Abraão (Gn 20:2), possivelmente era um filho dele, ou então um título dado aos governantes filisteus.

2 E apareceu-lhe o SENHOR, e disse-lhe: Não desças ao Egito: habita na terra que eu te disser;

E apareceu-lhe (a Isaque) o SENHOR. Num sonho ou numa visão à noite (Compare com Gn 26:24). “A última visão registrada foi no sacrifício de Isaque, mais de sessenta anos antes. Essas revelações não eram tão frequentes como nos parecem, pois lemos um acontecimento logo após o outro; mas apenas o suficiente para manter o conhecimento de Deus e a fé dos patriarcas na linhagem do povo escolhido, e da semente prometida” (Speaker’s Commentary). [Whedon, 1874]

Não desças ao Egito. Assim como Abraão havia se refugiado naquele país, é provável que Isaque também se preparasse para ir para lá; e Deus, prevendo que ali se encontraria com provas, etc., que poderiam ser fatais para sua paz ou para sua piedade, o adverte a não concretizar sua intenção. [Clark, 1832]

3 Habita nesta terra, e serei contigo, e te abençoarei; porque a ti e à tua descendência darei todas estas terras, e confirmarei o juramento que jurei a Abraão teu pai:

As promessas feitas a Abraão são aqui renovadas a Isaque.

serei contigo. Ver Gn 26:24; 21:20; 28:15. A presença de Deus é a garantia da bênção do homem. [Cambridge, 1921]

4 E multiplicarei tua descendência como as estrelas do céu, e darei à tua descendência todas estas terras; e todas as nações da terra serão abençoadas em tua descendência,

darei à tua descendência todas estas terras – ou seja, os territórios ocupados pelas tribos cananeias.

e todas as nações da terra serão abençoadas em tua descendência. Compare com Gn 12:3; 22:18. [Pulpit, 1895]

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A bênção de Isaque é aqui tratada como a recompensa da obediência de Abraão; a ênfase é colocada na unidade e continuidade da Família Eleita. [Cambridge, 1921]

guardou meus preceitos, meus mandamentos, meus estatutos e minhas leis – ou seja, Abraão obedeceu tudo aquilo que Deus havia lhe ordenado. Moisés descreve a obediência de Abraão nos termos da exigência legal feita a Israel para que obedecesse à lei entregue no Sinai. [Genebra, 2009]

6 Habitou, pois, Isaque em Gerar.

Habitou, pois, Isaque em Gerar – como Deus havia mostrado e ordenado a ele (Gn 26:3: “habita nesta terra”).

7 E os homens daquele lugar lhe perguntaram acerca de sua mulher; e ele respondeu: É minha irmã; porque teve medo de dizer: É minha mulher; que talvez, disse, os homens do lugar me matem por causa de Rebeca; porque era muito bonita.

É minha irmã. A expressão pode significar “prima”.

8 E sucedeu que, depois que ele esteve ali muitos dias, Abimeleque, rei dos filisteus, olhando por uma janela, viu a Isaque que acariciava Rebeca sua mulher.

Abimeleque. Não pode ser o mesmo Abimeleque do tempo de Abraão (Gn 20:2), possivelmente era um filho dele, ou então um título dado aos governantes filisteus.

9 E chamou Abimeleque a Isaque, e disse: Eis que ela é certamente tua mulher: como, pois, disseste: É minha irmã? E Isaque lhe respondeu: Porque pensei que eu poderia ser morto por causa dela.

Porque pensei que eu poderia ser morto por causa dela – ou seja, “Achei que alguém podia me matar para ficar com ela” (VIVA).

10 E Abimeleque disse: Por que nos fizeste isto? Por pouco haveria dormido alguém do povo com tua mulher, e haverias trazido sobre nós o pecado.

Esses pagãos não consideravam a fornicação pecado ou então a consideravam como um pecado muito pequeno; mas tinham uma ideia diferente do adultério, considerando-o hediondo. É com referência a isso que Abimeleque diz: haverias trazido sobre nós o pecado – talvez ainda estava fresco em sua memória o quão gravemente Deus castigou seu antecessor e toda a sua família, nos dias de Abraão. Chama a atenção aqui, que Abimeleque dá como certo, que sua ignorância de Rebeca ser a esposa de Isaque não teria sido uma desculpa suficiente para o pecado deles. [Ellicott, 1905]

11 Então Abimeleque declarou esta ordem a todo o povo, dizendo: O que tocar a este homem ou a sua mulher certamente morrerá.

certamente morrerá (“será executado”, NVT).

12 E semeou Isaque naquela terra, e colheu naquele ano cem por um: e o SENHOR o abençoou.

colheu naquele ano cem por um (“colheu cem vezes mais cereais do que havia semeado”, NVT). A obediência de Isaque em não ir ao Egito teve a sua recompensa.

13 E o homem se engrandeceu, e foi engrandecendo-se cada vez mais, até fazer-se muito poderoso:

até fazer-se muito poderoso (“até que ficou riquíssimo”, NVI; ou então, “se tornou rico e influente”, NVT).

14 E teve rebanho de ovelhas, e rebanho de vacas, e grande número de servos; e os filisteus tiveram inveja dele.

rebanho de vacas (“bois”, NVT).

15 E todos os poços que os criados de Abraão seu pai haviam aberto em seus dias, os filisteus os haviam fechado e enchido da terra.

os filisteus os haviam fechado e enchido da terra. Este ato, comumente considerado legítimo na guerra antiga, foi praticamente um ato de expulsão para Isaque, uma vez que era impossível a subsistência dos animais rebanhos sem acesso ao abastecimento de água. Os filisteus fizeram isso por causa da inveja, e não, como alguns podem sugerir, por medo que Isaque, ao cavar e tomar posse dos poços, estivesse reivindicando a propriedade da terra. [Pulpit, 1895]

16 E disse Abimeleque a Isaque: Aparta-te de nós, porque muito mais poderoso que nós te fizeste.

O rei filisteu percebe que alguém tão rico e próspero como Isaque não pode habitar pacificamente em Gerar. A disputa entre os diferentes pastores provavelmente seria mais amarga do que a dos pastores de Abrão e Ló (Gn 13:7). Assim, enquanto Abraão foi convidado a ficar e se estabelecer onde achasse melhor (Gn 20:15), Isaque é convidado a se retirar. [Whedon, 1874]

17 E Isaque se foi dali; e acampou no vale de Gerar, e habitou ali.

vale de Gerar. Alguns escritores falam de uma região chamada el-Gerar, ao sul de Berseba, mas esse lugar não foi suficientemente investigado para confirmar suas declarações. Isaque retirou-se de Gerar, mas não da terra dos filisteus. [Whedon, 1874]

18 E voltou a abrir Isaque os poços de água que haviam aberto nos dias de Abraão seu pai, e que os filisteus haviam fechado depois de Abraão ter morrido; e chamou-os pelos nomes que seu pai os havia chamado.

A longa permanência de Abraão (Gn 21:34) em Gerar e Berseba deixou muitos vestígios, e após sua morte os filisteus parecem ter se apressado a apagar as evidências de seu acordo com ele. Por isso a repetição de juramentos, acordos e nomes como Berseba (Gn 26:33). [Whedon, 1874]

19 E os servos de Isaque cavaram no vale, e acharam ali um poço de águas vivas.

um poço de águas vivas (“um veio d’água”, NVI; “uma fonte de águas correntes”, NVT).

20 E os pastores de Gerar brigaram com os pastores de Isaque, dizendo: A água é nossa: por isso chamou o nome do poço Eseque, porque haviam brigado com ele.

Eseque – que significa “contenda”.

21 E abriram outro poço, e também brigaram sobre ele: e chamou seu nome Sitna.

Sitna – que significa “inimizade”.

22 E apartou-se dali, e abriu outro poço, e não brigaram sobre ele: e chamou seu nome Reobote, e disse: Porque agora nos fez alargar o SENHOR e frutificaremos na terra.

Reobote – que significa “alargamento”.

Porque agora nos fez alargar o SENHOR e frutificaremos na terra (“Agora o Senhor nos abriu espaço e prosperaremos na terra”, NVI).

23 E dali subiu a Berseba.

Berseba – uma antiga residência de seu pai Abraão.

24 E apareceu-lhe o SENHOR aquela noite, e disse: Eu sou o Deus de Abraão teu pai: não temas, que eu sou contigo, e eu te abençoarei, e multiplicarei tua descendência por causa do meu servo Abraão.

apareceu-lhe o SENHOR aquela noite. A maneira da aparição do Senhor não é definida. Foi “em uma visão” (Gn 15:1) ou “em um sonho” (Gn 20:3)?

não temas. As palavras de encorajamento são provavelmente ditas em referência à hostilidade que Isaque havia experimentado recentemente e à sua solidão na terra de suas peregrinações; compare com Gn 15:1 (J). [Cambridge, 1921]

25 E edificou ali um altar, e invocou o nome do SENHOR, e estendeu ali sua tenda: e abriram ali os servos de Isaque um poço.

edificou ali um altar – indicando que ele não serviria a nenhum outro Deus, a não ser ao Deus de seu pai Abraão. [Genebra, 1599]

O acordo entre Isaque e Abimeleque

26 E Abimeleque veio a ele desde Gerar, e Auzate, seu amigo, e Ficol, capitão de seu exército.

Auzate, seu amigo (“Azute, seu conselheiro pessoal”, NVI).

27 E disse-lhes Isaque: Por que vindes até mim, visto que me odeiam, e me expulsastes dentre vós?

Segundo a versão NVT, “‘Por que vocês vieram?’, perguntou Isaque. ‘É evidente que me odeiam, já que me expulsaram de sua terra.'”.

28 E eles responderam: Vimos que o SENHOR é contigo; e dissemos: Haja um juramento entre ti e nós, e façamos uma aliança contigo.

Haja um juramento entre ti e nós – ou seja, um pacto validado por um juramento. Compare com Dt 29:12; Ne 10:29.

29 Que não nos faças mal, como nós não te tocamos, e como somente te fizemos bem, e te enviamos em paz. Tu és agora o bendito do SENHOR.

Tu és agora o bendito do SENHOR (“Agora sabemos que o SENHOR te tem abençoado”, NVI; ou então, “E agora, veja como o SENHOR o abençoou!”, NVT).

30 Então ele lhes fez banquete, e comeram e beberam.

Então ele lhes fez banquete. Não há menção a nenhum banquete na aliança de Abraão com Abimeleque (Gn 20), o que pode ser apontado como outro ponto que diferencia as duas narrativas. [Pulpit, 1895]

31 E se levantaram de madrugada, e juraram um ao outro; e Isaque os despediu, e separaram-se dele em paz.

e juraram um ao outro (“e fizeram um acordo de paz”).

32 E naquele dia vieram os criados de Isaque, e deram-lhe notícias acerca do poço que haviam aberto, e lhe disseram: Achamos água.

E naquele dia (em que Isaque e Abimeleque firmaram o acordo de paz) vieram os criados de Isaque…Achamos água.

33 E chamou-o Seba: por cuja causa o nome daquela cidade é Berseba até hoje.

Seba – ou seja, “juramento”, em alusão ao acordo feito entre Isaque e Abimeleque.

34 E quando Esaú foi de quarenta anos, tomou por mulher a Judite filha de Beeri heteu, e a Basemate filha de Elom heteu:

Aqui temos outra prova da indiferença de Esaú às tradições da família e às obrigações da aliança. Tanto Abraão como Isaque condenaram fortemente o casamento com os habitantes da terra que estavam fora da aliança da promessa: ver Gn 24:3; 28:1. [Dummelow, 1909]

35 E foram amargura de espírito a Isaque e a Rebeca.

E [elas] foram amargura de espírito (“causaram grande desgosto”, NVT) – possivelmente por causa de seus temperamentos, mas principalmente devido sua descendência cananeia e porque, ao se casar com elas, Esaú não apenas violou a lei divina que proibia a poligamia, mas também demonstrou uma inclinação irreligiosa e carnal. [Pulpit, 1895]

<Gênesis 25 Gênesis 27>

Introdução à Gênesis 26

Os acontecimentos da vida de Isaque, reunidos neste capítulo, desde o tempo que vive no território do sul, são semelhantes, em muitos aspectos, a certos eventos da vida de Abraão; mas as peculiaridades distintivas são tais que formam uma imagem verdadeira das obras de Deus, que estavam em perfeita harmonia com o caráter do patriarca. [Keil e Delitzsch, 1857]

Leia também uma introdução ao livro do Gênesis.

Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles – fevereiro de 2020.