Porém virão dias em que o esposo lhes será tirado; então naqueles dias jejuarão.
Acessar Lucas 5 (completo e com explicações).
Comentário de Frederic Farrar
quando o noivo lhes será tirado. Compare João 16:16: “Um pouco e não me vereis”. O verbo empregado — aparthê — não ocorre em nenhum outro lugar do Novo Testamento e claramente sugere um fim violento. Isso é memorável por ser a mais antiga indicação pública registrada de sua crucificação, da qual uma alusão vaga (assim também o Filho do Homem será levantado) já fora dada em particular a Nicodemos (João 3:14).
então jejuarão. Como somos informados que fizeram, Atos 13:2-3. Observe que não se diz “então podereis impor o jejum”. Os jejuns cristãos seriam voluntários, não compulsórios; resultado de uma necessidade sentida, não a observância de um mandamento rígido. Nosso Senhor nunca tratou plenamente do tema do jejum, e é claro que, em toda a Bíblia, ele nunca é ordenado como dever frequente, embora seja sancionado e encorajado como meio ocasional de graça. Na Lei, apenas um dia do ano — o Kippur, ou Dia da Expiação — foi designado como jejum (Levítico 16:29; Números 29:7). Após o exílio, surgiram quatro jejuns anuais, mas os profetas não os ordenam (Zacarias 7:1-12; 8:19), nem nosso Senhor de modo algum aprovou (nem aparentemente praticou) os dois jejuns semanais dos fariseus (Lucas 18:12). Provavelmente a razão pela qual o jejum nunca foi ordenado como dever universal e constante é que ele atua de maneira muito diferente em temperamentos distintos e, segundo o testemunho de alguns que o praticaram com maior seriedade, em certos casos age como poderoso estímulo à tentação. É notável que as palavras e jejum sejam provavelmente interpolações de um viés ascético em Mateus 17:21; Marcos 9:29; Atos 10:30; 1Coríntios 7:5, embora o jejum esteja implícito em Mateus 6:16. O jejum não é ordenado nem é proibido. O cristão é livre (Romanos 14:5), mas deve, sendo moderado em todas as coisas, fazer exatamente aquilo que considera mais favorável ao seu bem-estar espiritual e moral. Pois agora o noivo não nos foi tirado, mas está conosco (Mateus 28:20; Hebreus 13:5-6; João 14:16; João 16:7). [Farrar, 1890]
Comentário de Alfred Plummer
virão, porém, dias [ἐλεύσονται δὲ ἡμέραι]. Isto é, dias muito diferentes dos dias festivos do casamento. É melhor tomar esta sentença separadamente. Depois dela há uma aposiopese, de efeito melancolicamente impressionante; e então a frase recomeça.
e quando o noivo lhes for tirado [καὶ ὅταν ἀπαρθῆς ἀπʼ αὐτῶν ὁ νυμφίος]. Não há καί em Mateus nem em Marcos, e alguns textos o omitem aqui por causa de sua aparente estranheza. Podemos tomar o καί como iniciando uma nova frase, ou como epexegético da cláusula precedente: Mas dias virão — e quando o noivo lhes for tirado, etc.; ou: Mas dias virão, sim, dias em que o noivo, etc. A palavra ἀπαρθῆς aparece nos três relatos e em nenhum outro lugar do Novo Testamento. É comum no grego clássico, especialmente para o deslocamento de frotas e exércitos.
então jejuarão [τότε νηστεύσουσιν]. Então jejuarão — por iniciativa própria. Ele não diz: “então podereis obrigá-los a jejuar”, o que seria a antítese exata do que precede; e a mudança é significativa. A coerção será então tão supérflua quanto agora seria ofensiva; compare 17:22. Esta é a primeira indicação de sua morte e partida, após as quais o jejum será apropriado e voluntário. O seu valor consiste em ser espontaneamente adotado, não forçosamente imposto. Este ponto é desenvolvido ainda mais nas breves parábolas que se seguem. Observe o característico ἐν ἐκείναις ταῖς ἡμέραις (não em Mateus 9:15) e veja em 9:36. [Plummer, 1896]
<Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles, com adaptação de Luan Lessa – janeiro de 2021.