Bíblia

Tiago 4

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1 De onde vêm as guerras e brigas entre vós? Acaso não vêm disto, das vossas cobiças que guerreiam nos membros do vosso corpo?

De onde – A causa das brigas é frequentemente procurada em circunstâncias externas, enquanto os desejos interiores são a verdadeira origem.

guerras… – em contraste com a “paz” da sabedoria celestial. “Brigas” são o exercício ativo de “guerras”. Tumultos marcaram a era antes da destruição de Jerusalém, quando Tiago escreveu. Ele indiretamente faz alusão a estes. Os membros são o primeiro lugar da guerra; daí passa ao conflito de homem contra homem, nação contra nação.

Acaso não vêm disto – um apelo às suas consciências.

cobiças – literalmente, “prazeres”, isto é, as cobiças que o levam a “desejar” de onde você procura a si mesmo à custa do próximo, e portanto as “brigas” fluem.

guerreiam – “lutam, como um exército de soldados acampados dentro” (Alford) da alma; guerreiam tumultuosamente contra os interesses de seus semelhantes, enquanto cobiçam seu próprio progresso. Mas enquanto guerreavam contra outros, eles (sem saber) guerreavam contra a alma do próprio homem e contra o Espírito; portanto, as cobiças devem ser “mortificadas” pelo cristão. [JFB]

2 Cobiçais, e nada tendes; matais e sois invejosos, mas não conseguis obter; combateis e guerreais, mas nada tendes, porque não pedis.

Cobiçais – Uma palavra grega diferente daquela em Tg 4:1. “Desejais”; literalmente, “vocês fixam suas mentes (ou coração) em” um objeto.

nada tendes – O desejo desenfreado não garante a posse real. Por isso, “matais” para garantir posse. Provavelmente não no sentido literal, mas “matar e invejar” (como o grego para “desejo de ter” deveria ser traduzido), isto é, incomodar e oprimir através da inveja (Drusius). Compare Zc 11:5, “matar”; através da inveja, do ódio e do desejo de sair do seu caminho, e assim são “assassinos” aos olhos de Deus (Estius). Não é possível cristãos haviam chegado a tão aberta criminalidade e o assassinato mencionado seja literal. Na aplicação da passagem do Espírito para todas as eras, a matança literal está incluída, fluindo do desejo de possuir como Davi e Acabe. Aqui há um clímax: “Cobiçais”, o desejo individual por algo; “matais e sois invejosos”, o sentimento e a ação de indivíduos contra indivíduos; “combateis e guerreais”, a ação de muitos contra muitos.

mas nada tendes, porque não pedis – Deus promete àqueles que oram, não àqueles que lutam. A petição do lascivo, assassino e contencioso não é reconhecida por Deus como oração. Se orássemos, não haveria “guerras e brigas”. Assim, esta última oração é uma resposta à pergunta, Tg 4:1: “De onde vêm as guerras e brigas entre vós?” [JFB]

3 Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para gastardes nos vossos prazeres.

Alguns deles devem dizer em objeção, mas nós “pedimos” (oramos); compare com Tg 4:2. Tiago responde: Não é suficiente pedir coisas boas, mas devemos pedir com bom espírito e intenção. “Pedis mal, para gastardes (seu objeto de oração) nos vossos prazeres”; não para que vocês tenham as coisas de que necessitam para o serviço de Deus. Contraste Tg 1:5 com Mt 6:31-32. Se orardes corretamente, todas as vossas necessidades serão supridas; os desejos impróprios que produzem “guerras e brigas” então cessariam. Mesmo as orações dos crentes geralmente são melhor respondidas quando seus desejos são mais opostos. [JFB]

4 Adúlteros e adúlteras, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, quem quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.

Os manuscritos mais antigos omitem “adúlteros e” e possuem simplesmente “adúlteras”. Deus é o marido legítimo; os homens do mundo são considerados coletivamente como uma adúltera e individualmente como adúlteras.

do mundo – na medida em que os homens, seus motivos e atos são alienados à Deus, por exemplo, seus “prazeres” egoístas (Tg 4:3), cobiças, “guerras e lutas” (Tg 4:1).

inimizade – não apenas “hostil”; um estado de inimizade e a própria inimizade. Compare com 1Jo 2:15, “ama o mundo…o amor do Pai”.

quem quiser serconstitui-se – Seja ele bem sucedido ou não, se seu desejo é ser amigo do mundo, ele se torna ou é pelo próprio fato, “o inimigo de Deus”. Contrantando com “Abraão, o amigo de Deus”. [JFB]

5 Ou pensais ser em vão que a Escritura diz: 'O Espírito que ele fez habitar em nós ânsia com ciúmes?'

em vão – Nenhuma palavra das Escrituras é vã. A citação aqui, como em Ef 5:14, parece não ser tanto de uma passagem particular, mas um sintetização inspirada do teor tanto do Antigo como do Novo Testamento (Nm 14:29; Pv 21:20; Gl 5:17).

6 Porém ele concede uma graça maior. Por isso diz: Deus resiste aos soberbos, mas concede graça aos humildes.

ele – Deus concede uma graça maior – graça sempre crescente; quanto mais vos distanciares da “inveja” (Bengel).

Por isso diz – O mesmo Deus que faz com que Seu espírito habite nos crentes (Tg 4:5), pelo Espírito também fala nas Escrituras. A citação aqui é provavelmente de Pv 3:34; como Pv 21:10 provavelmente foi citado em Tg 4:5. Em hebraico, é “despreza os escarnecedores”, ou seja, aqueles que pensam que “a Escritura fala em vão”.

resiste – literalmente, “coloca-se contra”; assim como eles, como o faraó, se colocam contra ele. Deus paga os pecadores em sua própria moeda. “Orgulho” é a mãe da “inveja” (Tg 4:5); é peculiarmente satânico, pois por ele Satanás caiu.

aos soberbos – O grego significa em derivação alguém que se mostra acima de seus companheiros, e assim se levanta contra Deus.

aos humildes – os não invejosos, não cobiçosos e pouco ambiciosos quanto ao mundo. Contraste com Tg 4:4. [JFB]

7 Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.

Sujeitai-vosa Deus – assim estareis entre “os humildes”, Tg 4:6; também Tg 4:10; 1Pe 5:6.

resisti ao diabo – Sob sua bandeira, orgulho e inveja são alistados no mundo; resistir as tentações dele para estes. Fé, orações humildes e sabedoria celestial são as armas da resistência. A linguagem é tirada da guerra. “Sujeitar” como um bom soldado coloca-se em completa sujeição ao seu capitão. “Resista”, permaneça bravamente contra.

ele fugirá – Pois é uma promessa de Deus, não uma mera garantia de homem para homem (Alford). Ele fugirá, como fugiu de Cristo. [JFB]

8 Aproximai-vos de Deus, e ele se aproximará de vós. Limpai as vossas mãos, pecadores, e vós de dupla mentalidade, purificai os vossos corações.

Aproximai-vos de Deus – “Apegue-se a Ele”, Dt 30:20, ou seja, em oração (Tg 4:2-3) “resistindo a Satanás”, que se oporia ao nosso acesso a Deus.

ele se aproximará – favoravelmente.

Limpaivossas mãos – os instrumentos exteriores de ação. Ninguém, senão os de mãos limpas, pode subir à colina do Senhor (justificado através de Cristo, o único que era perfeitamente assim, e como tal “subiu” para lá).

dupla mentalidade – dividido entre Deus e o mundo. A “dupla mentalidade” é a culpa no coração; o pecador em suas mãos da mesma forma.

purificaivossos corações – literalmente “sejam castos” de seu adultério espiritual (Tg 4:4, isto é, mundanismo) “vossos corações”: a fonte de toda impureza. [JFB]

9 Reconhecei vossas misérias, lamentai e chorai. Torne-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria em tristeza.

Reconhecei vossas misérias – isto é, lamente sua desgraça pelo pecado. Arrependa-se com profunda tristeza em vez de seu riso atual. Um abençoado luto. Contraste Is 22:12-13; Lc 6:25. Tiago não acrescenta aqui, como em Tg 5:1, “gemido”, onde prediz a desgraça do impenitente na iminente destruição de Jerusalém. [JFB]

10 Humilhai-vos diante do Senhor, e ele vos exaltará.

diante do Senhor – como continuamente na presença dAquele que é o único digno de ser exaltado: reconhecendo Sua presença em todos os seus caminhos, o mais verdadeiro incentivo à humildade. A árvore, para crescer para cima, deve atingir suas raízes profundamente; assim o homem, para ser exaltado, deve ter sua mente profundamente enraizada na humildade. Em 1Pe 5:6,“Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus”, ou seja, da Providência: um pensamento distinto do que aqui.

vos exaltara – em parte neste mundo, totalmente no mundo por vir. [JFB]

11 Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, ou julga o seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei. E se julgas a lei, não és um cumpridor da lei, mas, sim, juiz.

Tendo mencionado os pecados da língua (Tg 3:5-12), ele mostra aqui que o falar mal flui do mesmo espírito de vanglória às custas do próximo como causaram as “brigas” reprovadas neste capítulo (Tg 4:1).

não faleis mal – literalmente, “não fale contra” um ao outro.

fala mal da lei – O mandamento, “ama o teu próximo como a ti mesmo” (Tg 2:8) é  virtualmente condenado pelo mal falar mal e julgar (Estius). Aqueles que condena arrogantemente os atos e palavras de outros que não lhe agradam, visando assim a reputação da santidade, colocam sua própria morosidade no lugar da lei, e reivindicam para si mesmos um poder de censurar acima da lei de Deus, condenando o que a lei permite (Calvino); como se a lei não pudesse realizar sua própria função de julgamento, mas ele deve assumi-la (Bengel). Esta é a última menção da lei no Novo Testamento. Aqui a lei moral é aplicada em sua plenitude espiritual por Cristo: “a lei da liberdade”.

E se julgas a lei, não és um cumpridor da lei, mas, sim, juiz – Nosso chamado cristão é cumprirmos a lei. Mas ao julgar nosso irmão, julgamos a lei, que nos manda amar nosso irmão. [JFB]

12 Um só é o Legislador e Juiz, que pode salvar e destruir. Quem és tu, que julgas o próximo?

Um só é o Legislador e Juiz – Só Deus é Legislador e, portanto, Juiz, pois só Ele pode executar Seus julgamentos; nossa incapacidade a esse respeito mostra nossa presunção em tentar agir como juízes, como se fôssemos Deus.

Quem és tu… – Quão arrogante é julgar teus companheiros, e tirar de Deus o ofício que pertence a Ele sobre ti e ELES igualmente! [JFB]

13 Atenção! Vós que dizeis: 'Hoje ou amanhã iremos a uma tal cidade, e lá passaremos um ano negociando e lucrando';

Vós que dizeis – vangloriando-se do dia seguinte.

Hoje ou amanhã – como se você tivesse o controle total dos seus dias. Outros traduzem como “Hoje e amanhã”.

tal cidade – literalmente, “esta cidade” (ou seja, aquela presente à mente do falante). Esta cidade aqui.

passaremos um ano – Sua linguagem implica que, quando este ano estiver terminado, eles propõem planos semelhantes para continuar (Bengel) negociando e lucrando – Ou seja, seus planos para o futuro são todos mundanos. [JFB]

14 mas não sabeis o amanhã. Pois o que é a vossa vida? Sois um vapor, que por pouco tempo aparece, e logo se desvanece.

o que – literalmente, “de que natureza” é sua vida? Isto é, quão passageira é vossa vida.

Sois um vapor –  “Sois transitórios”; então tudo o que você tem, até mesmo sua vida, tem a mesma transitoriedade.

e logo se desvanece – “desaparecendo como veio” (Alford).

15 Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e vivermos, faremos isso ou aquilo.

Literalmente, “em vez de dizer…”, etc. Refere-se a “Vós que dizeis” (Tg 4:13).

vivermos, faremos – Os orgulhosos falavam como se a vida, a ação e o tipo particular de ação estivessem em seu poder, enquanto todos estes três dependiam inteiramente da vontade do Senhor. [JFB]

16 Mas agora vos orgulhais nas vossas presunções; todo orgulho como esse é maligno.

orgulhais nas vossas presunções – isto é, vã confiança de que o futuro é certo para vós (Tg 4:13).

17 Portanto, quem sabe fazer o bem, e não o faz, comete pecado.

O princípio geral ilustrado pelo exemplo particular que acabamos de discutir é aqui declarado: o conhecimento sem prática é imputado ao homem como um grande pecado. Tiago reverte para o princípio com o qual ele começou. Nada mais prejudica a alma do que impressões desperdiçadas. Os sentimentos se exaurem e evaporam, se não forem incorporados na prática. Como não agimos a não ser que sintamos, se não manifestarmos nossos sentimentos, logo deixaremos de sentir. [JFB]

<Tiago 3 Tiago 5>

Introdução à Tiago 4

Tiago se coloca contra as brigas e expõe sua fonte; a cobiça mundana; juízos sem amor e presunçosos planos sobre o futuro.

Leia também uma introdução à Epístola de Tiago

Adaptado de: Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible. Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles – fevereiro de 2018.

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