Bíblia

1 Tessalonicenses 2

1 Pois vós mesmos, irmãos, sabeis que a nossa passagem por entre vós não foi inútil.

que a nossa passagem por entre vós – ou então, “que a visita que lhes fizemos” (NVI).

2 Porém, mesmo que antes, em Filipos, tenhamos sofrido e sido maltratados, como sabeis, tivemos no nosso Deus ousadia para vos falar o evangelho de Deus em meio a muita oposição.

em meio a muita oposição (“a muita luta”, NVI) – de certo grupo de judeus incrédulos mencionados em At 17:13. É possível também que parte dessa oposição enfrentada seja devido a resistência dos pagãos ao Evangelho.

3 Pois a nossa exortação não foi com engano, nem com impureza, nem fraude;

Parece que Paulo, inicialmente, foi visto por alguns como um impostor, buscando seus próprios interesses. Ele declara que veio com um desejo sincero apenas pela salvação deles. [Dummelow, 1909]

4 mas, como fomos aprovados por Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos; não para agradar as pessoas, mas sim a Deus, que prova os nossos corações.

que prova os nossos corações – ou então, “examina as intenções do coração” (NVT).

5 Pois, como sabeis, nunca usamos de bajulação, nem pretexto de ganância; Deus é testemunha.

nem pretexto de ganância – ou então, “não agimos motivados pela ganância” (NVT).

6 Não buscamos a glória humana, nem de vós, nem de outros, ainda que tínhamos autoridade, como apóstolos de Cristo, para demandar de vós.

Paulo diz que ele poderia ter demonstrado autoridade apostólica e exigido apoio financeiro deles (compare com 1Co 9). Mas ele foi como uma mãe que amamenta seus filhos ou um pai que guia e dirige seu filho. Ao mesmo tempo, ele se sustentava fabricando tendas (At 18:3; 20:34). [Dummelow, 1909]

7 Porém fomos suaves entre vós, como uma mãe que dá carinho aos seus filhos.

fomos suaves (“bondosos”, NVI) entre vós – ou então, “agimos como crianças entre vocês” (NVT).

8 Assim nós, tendo tanta afeição por vós, queríamos de boa vontade compartilhar convosco não somente o evangelho de Deus, mas também as nossas próprias almas, porque éreis queridos por nós.

mas também as nossas próprias almas – ou então, “nossas próprias vidas” (NVI).

9 Pois vos lembrais, irmãos, do nosso trabalho e fadiga; enquanto vos pregávamos o evangelho de Deus, trabalhávamos noite e dia para que não fôssemos um peso para vós.

Paulo diz que ele poderia ter demonstrado autoridade apostólica e exigido apoio financeiro deles (compare com 1Co 9). Mas ele foi como uma mãe que amamenta seus filhos ou um pai que guia e dirige seu filho. Ao mesmo tempo, ele se sustentava fabricando tendas (At 18:3; 20:34). [Dummelow, 1909]

10 Vós e Deus sois testemunhas de como foi santa, justa, e irrepreensível a maneira da qual nos comportamos convosco, que credes.

Vós e Deus sois testemunhas – ou seja, “presenciaram como foi…”

11 Assim como sabeis que, como um pai aos seus filhos, exortávamos, consolávamos, e testemunhávamos a cada um de vós,

exortávamos – ou então, “aconselhamos” (NVT); “chamamos para perto” (Strong); “encorajamos” (Wycliff).

12 para que andásseis de maneira digna diante de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.

de maneira digna diante de Deus – ou então, “de maneira digna de Deus” (NVI). “Digno do Senhor” (Cl 1:10); “digno dos santos” (Rm 16:2, no grego); “digna do Evangelho” (Fp 1:27); “digno do chamado com que fostes chamados” (Ef 4:1). A inconsistência faria com que o nome de Deus fosse “blasfemado entre os gentios” (Rm 2:24).

vos chama para o seu reino (na vinda do Senhor) e glória – ou seja, para que compartilheis a Sua glória (Jo 17:22; Cl 3:4).  [JFU, 1871]

13 Por isso também agradecemos sem cessar a Deus, que, quando recebestes a palavra de Deus pregada por nós, a aceitastes, não como palavra de homens, mas (conforme em verdade é) como a palavra de Deus, a qual também opera em vós, que credes.

recebestes a palavra de Deus. Recebestes a doutrina de Deus, não como algo produzido pelo homem, mas como vindo do próprio Deus, sendo nós apenas seus mensageiros para declarar o que ele nos tinha revelado anteriormente. E vocês tiveram a prova mais completa de que não acreditaram em vão; pois essa doutrina, sob o poder e a influência do Espírito Santo, tem operado poderosamente em vocês, enchendo-os de luz, vida e santidade. [Clarke, 1832]

14 Pois vós, irmãos, vos tornastes imitadores das igrejas de Deus que estão na Judeia em Cristo Jesus; porque também sofrestes as mesmas coisas dos vossos próprios compatriotas, como também eles dos judeus,

A Igreja (gentia) de Tessalônia havia sofrido muito nas mãos de seus compatriotas, assim como a Igreja Judaica havia sofrido com os judeus incrédulos. Aqui havia um vínculo de união e solidariedade entre os dois. [Dummelow, 1909]

15 os quais mataram o Senhor Jesus e os profetas, e nos expulsaram, e não agradam a Deus, e são contrários a todos os homens,

são contrários a todos os homens. Paulo quase repete as palavras de Tácito, historiador romano, adversus omnes alios hostium odium, “um ódio contra todos os outros”. A exclusividade do seu monoteísmo por si só não justificaria, embora provavelmente ocasionasse, esta acusação. Mas a isso os judeus acrescentaram um desprezo fanático pelos outros em vez de uma disposição de fazer o bem. Foi esse fanatismo que não só os impediu de aceitar Cristo, mas os inspirou a perseguir Paulo por apresentar Cristo tanto aos judeus quanto aos gentios. [Whedon, 1874]

16 eles nos impedem de falar aos gentios, para que sejam salvos. Assim eles estão se enchendo constantemente de pecados, mas, por fim, ira veio sobre eles até o fim.

Judeus haviam seguido hostilmente Paulo na Europa e na Ásia. Eles o expulsaram de Tessalônica e Bereia, e estavam fazendo o máximo contra ele em Corinto. O exclusivismo deles (“eles nos impedem de falar aos gentios”) e o ódio a outras nações (“contrários a todos os homens”) foram uma experiência amarga para um patriota como Paulo. [Dummelow, 1909]

se enchendo constantemente de pecados. Compare com At 7:51; Mt 23:32. Paulo parece dizer que há uma certa quantidade de iniquidade que Deus permite que uma nação, uma igreja, uma pessoa complete antes de privá-los de toda ajuda espiritual; os judeus estavam trabalhando diligentemente para completar a quantia. [Ellicott, 1905]

ira veio sobre eles até o fim – ou seja, para esses judeus, não havia mais esperança de arrependimento ou escapatória da sua desgraça (Mt 23:32). O fim estava próximo. Em 70 d.C (poucos anos após esta carte ser escrita) o Templo em Jerusalém é destruído [Dummelow, 1909]

17 Porém, irmãos, quando nos separamos de vós por algum tempo, em presença, não no coração, buscamos mais, com muito desejo, ver o vosso rosto;

Em outras palavras, “Irmãos, depois de um breve tempo separados de vocês, embora nosso coração nunca os tenha deixado, esforçamo-nos por voltar a vê-los, pela grande saudade que sentimos” (NVT).

18 pois quisemos, pelo menos eu, Paulo, vos visitar uma vez e outra; mas Satanás nos impediu.

quisemos – nós – gregos, “queríamos vir”; nós pretendíamos vir.

pelo menos eu, Paulo  – Meus companheiros missionários, assim como eu, desejavam vir; posso responder por mim mesmo que pretendi mais de uma vez. A sua distinção aqui dos seus companheiros missionários, a quem ele se associa no plural, está de acordo com o fato de que Silvano e Timóteo permaneceram em Bereia quando Paulo foi para Atenas, onde posteriormente Timóteo se juntou a ele, e dali foi enviado por Paulo sozinho para Tessalônica (1Ts 3:1).

Satanás nos impediu – Em uma ocasião diferente, “o Espírito Santo, o Espírito de Jesus” (assim trazem os manuscritos mais antigos), At 16:6-7, proibiram ou impediram-nos em um projeto missionário; aqui está Satanás, agindo, talvez, por homens maus, alguns dos quais o expulsaram de Tessalônica (At 17:13-14; compare isso com Jo 13:27), ou então, por algum “um espinho na carne, que é um mensageiro de Satanás” (2Co 12:7; compare com 2Co 11:11). O Espírito Santo e a providência de Deus anularam a oposição de Satanás para promover o Seu próprio propósito. Nós não podemos, em cada caso, definir de onde vêm os obstáculos em bons empreendimentos, Paulo, por inspiração, poderia dizer que o obstáculo era de Satanás. Grotius acredita que o modo de Satanás de impedir a jornada de Paulo para Tessalônica foi instigar os filósofos estoicos e epicuristas a argumentar com sofismas, o que implicou em Paulo a necessidade de responder, e assim deteve-o; mas ele parece ter deixado Atenas sem pressa (At 17:33-3418:1). O grego para “impedido” é, literalmente, “cavar uma trincheira entre si e um inimigo em avanço, para impedir seu progresso”; assim Satanás se opõe ao progresso dos missionários. [JFU]

19 Pois, qual é nossa esperança, alegria, ou coroa de orgulho, diante do nosso Senhor Jesus na sua vinda? Acaso não sois vós?

Essa é a razão do desejo sincero de Paulo em vê-los.

esperança. Sua “esperança”, num sentido secundário, é que estes convertidos sejam encontrados em Cristo na Sua vinda (1Ts 3:13). A principal esperança de Paulo era JESUS ​​CRISTO (1Tm 1:1). [JFU, 1871]

20 Porque vós sois o nosso orgulho e alegria.

A perspectiva de apresentar os seus convertidos a Cristo enche o Apóstolo de alegria.

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Leia também uma introdução à Primeira Epístola aos Tessalonicenses.

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