Bíblia

1 Coríntios 9

1 Não sou eu apóstolo? Não sou livre? Não vi eu a Jesus Cristo nosso Senhor? Não sois vós minha obra no Senhor?

Não sou eu apóstolo? Não sou livre? – Nos manuscritos mais antigos lê-se na seguinte ordem: “Não sou livre? Não sou eu apóstolo?” Ele alude a 1Co 8:9, “esta sua liberdade”: Se você a reivindica, eu apelo a vocês mesmos como testemunhas, não tenho também esse direito? “Não sou livre?” Se vocês são assim, muito mais eu. Pois “não sou eu apóstolo?” de maneira que eu posso reivindicar não apenas liberdade cristã, mas também apostólica.

Não vi eu a Jesus – corporalmente, não em uma mera visão: compare com 1Co 15:8, onde o fato da ressurreição, que ele deseja provar, só poderia ser estabelecido por uma aparição física real, como foi concedida a Pedro e aos outros apóstolos. Em At 9:7,17 o contraste entre “os homens que com ele não viam ninguém” e “Jesus que apareceu a ti no caminho” mostra que Jesus na verdade apareceu a ele no caminho a Damasco. Sua visão de Cristo no Templo (At 22:17) foi “em êxtase”. Ser uma testemunha da ressurreição de Cristo era essencial para um apóstolo (At 1:22). Os melhores manuscritos omitem “Cristo”.

vós minha obra no Senhor – A conversão de vocês é obra Dele (Ef 2:10) através do meu intermedio: o “selo do meu apostolado” (1Co 9:2). [JFB]

2 Se para os outros não sou apóstolo, ao menos para vós eu o sou; porque vós sois o selo de meu apostolado no Senhor.

selo de meu apostolado – Sua conversão por minha pregação, acompanhada de milagres (“sinais de um apóstolo”, Rm 15:18-19; 2Co 12:12), e seus dons conferidos por mim (1Co 1:7), atestam a realidade do meu apostolado, assim como uma autenticação em um documento atesta a sua genuinidade (Jo 3:33; Rm 4:11). [JFB]

3 Esta é a minha defesa para com os que me condenam.

Esta é a minha defesa – que vocês são o selo de meu apostolado, para com os que me condenam – isto é, que questionam meu apostolado.

4 Não temos nós poder de comer e de beber?

Não temos nós poder – no grego, “direito” ou poder legítimo, equivalente à “liberdade” reivindicada pelos coríntios (1Co 8:9). O “nós” inclui consigo os seus colegas no apostolado. O interrogativo grego expressa: “Você certamente não vai dizer (vai?) Que não temos o poder ou o direito”, etc.

de comer e de beber – sem trabalhar com nossas mãos (1Co 9:11, 13-14). Paulo fez um apelo sem usar os seus direitos ministeriais; para os seus opositores isso insinuava que ele estava consciente de que ele não era um verdadeiro apóstolo (2Co 12:13-16). [JFB]

5 Não temos nós direito de trazer conosco uma mulher irmã, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?

de trazer conosco uma mulher irmã – isto é, “uma irmã como esposa”; “uma irmã” pela fé, da qual torna todos os crentes irmãos e irmãs na única família de Deus: “uma esposa” pela aliança do casamento. Paulo insinua que ele não exerceu seu indiscutível direito de casar-se, por uma questão de conveniência cristã, assim como livrar a Igreja do custo de mantê-la em suas longas viagens, como também de poder se dedicar mais a ela para a construção da Igreja de Cristo (1Co 7:2632, 35). Em contraste com a falta de auto-sacrifício dos coríntios no exercício de sua liberdade, a custo de destruir, em vez de edificar a Igreja (1Co 8:9-13).

como também os demais apóstolos – implicando que alguns deles tinham se aproveitado do poder que todos eles tinham, de se casar. Nós sabemos por Mt 8:14, que Cefas (Pedro) era um homem casado. Uma refutação aos seguidores auto-intitulados de Pedro, os romanistas, que excluem o clero do casamento. Clemente de Alexandria registra uma tradição que ele encorajou sua esposa ao ser levado à morte dizendo: “Lembre-se, minha querida, o Senhor”.

irmãos do Senhor – estimados por causa de sua relação com Jesus (At 1:14; Gl 1:9). Tiago, José, Simão e Judas. Provavelmente primos de Jesus: como primos eram chamados de “irmãos” pelos judeus. Alford defende que literalmente eram irmãos de Jesus por José e Maria.

Cefas – provavelmente o nome escolhido por carregar um peso de uma das facções da Igreja em Corinto. “Se o seu líder preferido faz isso, certamente eu também posso” (1Co 1:12; 1Co 3:22). [JFB]

6 Ou só eu, e Barnabé, não temos direito de não trabalhar?

Barnabé – há muito tempo o companheiro de Paulo e, como ele, habituado a negar-se a receber sustento como é direito de um ministro. Paulo sustentava-se através da fabricação de tendas (At 18:3; At 20:34; 1Ts 2:9; 2Ts 3:8).

7 Quem vai para a guerra a seu próprio custo? Quem planta a vinha, e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado, e não come do leite do gado?

O ministro é espiritualmente um soldado (2Tm 2:3), um cultivador de uvas (1Co 3:6-8; Ct 1:6) e um pastor (1Pe 5:2, 4).

8 Digo eu isto segundo a lógica humana? Ou não diz a Lei também o mesmo?

segundo a lógica humana – falo assim não apenas de acordo com o julgamento humano, mas também com a aprovação da lei divina.

9 Porque na Lei de Moisés está escrito: ao boi que trilha não atarás a boca. Por acaso Deus tem preocupação com os bois?

ao boi que trilha não atarás a boca – (Dt 25:4).

Por acaso Deus tem preocupação com os bois? – Em vez disso, “É com os bois que Deus se importa?” O animal é o objeto final para quem a lei foi dada? Não. Deus cuida dos animais (Sl 36:6; Mt 10:29), mas é com o objetivo final do bem-estar do homem, o principal da criação animal. Na consideração humana mostrada para com os animais, devemos aprender que ainda mais deve ser exercida no caso do homem, o objetivo último da lei; e que o trabalhador humano (espiritual e temporal) é digno de seu salário. [JFB]

10 Ou totalmente diz por nós? Porque por nós isto está escrito; porque o que lavra, com esperança deve lavrar; e o que trilha com esperança, de sua esperança deve ser participante.

Ou totalmente diz por nós? – “Será que Ele (o legislador divino) diz isso por todos os meios por nossa causa?” Seria falso, que Deus diz totalmente (no sentido de unicamente) por nossa causa. Mas é verdade que Ele diz isso por todos os meios  por nossa causa como o objetivo último no mundo inferior. Grotius, no entanto, traduz “principalmente” ou “especialmente”, em vez de totalmente.

deve lavrar – deve lavrar na esperança. A obrigação recai sobre o povo não deixar seu ministro trabalhar sem remuneração.

o que trilha com esperança, de sua esperança deve ser participante – As versões manuscritas mais antigas e os Pais dizem: “Aquele que debulha (deve ou precisa debulhar) na esperança de participar” (a saber, do fruto de sua debulha). “Aquele que arou”, espiritualmente, é o primeiro plantador de uma igreja em um lugar (compare 1Co 3:6, 9); “aquele que debulha”, o ministro que cuida de uma igreja já plantada. [JFB]

11 Se nós vos semeamos as coisas espirituais, é muito que ceifemos as vossas coisas carnais?

Nós, as mesmas pessoas que semeamos para vocês os tesouros infinitamente mais preciosos do Espírito, podemos pelo menos reivindicar em troca o que é a única coisa que vocês têm a dar, a saber, os bens que nutrem a carne (“vossas coisas carnais”).

12 Se outros são participantes deste poder sobre vós, porque não tanto mais nós? Mas nós não usamos deste poder; antes tudo suportamos, para não darmos impedimento algum ao Evangelho de Cristo.

Se outros são participantes deste poder sobre vós – sejam verdadeiros apóstolos (1Co 9:5) ou falsos (2Co 11:20).

porque não tanto mais nós? – considerando nossos maiores esforços por vocês (2Co 11:23).

antes tudo suportamos – sem reclamar disso. Desejamos ocultar (literalmente, “segurar como um vaso hermético”) qualquer aflição que sofremos em circunstâncias difíceis. O mesmo grego está em 1Co 13:7.

para não darmos impedimento algum ao Evangelho de Cristo – para não causar um obstáculo ao seu progresso, possibilitando uma oportunidade para o egoísmo, caso recebêssemos apoio do nosso rebanho. Quanto menor o encargo e as despesas causadas à Igreja, e quanto mais o trabalho é feito, melhor para a causa do Evangelho (2Tm 2:4). [JFB]

13 Não sabeis vós, que os que administram as coisas sagradas, comem daquilo que é sagrado? E os que continuamente estão junto ao altar, com o altar participam?

administram as coisas sagradas – os sacerdotes e levitas judeus. O grego aplica-se especialmente aos primeiros, os sacerdotes oferecendo sacrifícios.

com o altar participam – uma parte das vítimas indo para o serviço do altar, e o resto sendo compartilhada pelos sacerdotes (Lv 7:6; Nm 18:6, etc; Dt 18:1, etc.).

14 Assim também ordenou o Senhor, aos que anunciam o Evangelho, que vivam do Evangelho.

Assim também – A única dedução a ser tirada desta passagem é, não que o ministério cristão seja de caráter sacrificial como o sacerdócio judaico, mas simplesmente que, como este último foi sustentado pelas contribuições do povo, assim fosse o primeiro. As remunerações do clero eram, a princípio, de ofertas voluntárias na Ceia do Senhor. Na festa de amor quando cada crente, de acordo com sua possibilidade, oferecia um presente; e quando as despesas da mesa foi paga, o bispo reservava uma parte para si, para os presbíteros e diáconos; e com o restante ajudava as viúvas, órfãos e os pobres em geral (Tertuliano). O salário era proporcional à honra e mérito dos vários bispos, presbíteros e diáconos (Cipriano).

anunciam o Evangelho – claramente assinalado como o dever do ministro cristão, em contraste com o ministério sobre sacrifícios (grego) e serviço no altar do sacerdócio judaico e levítico (1Co 9:13). Se a Ceia do Senhor fosse um sacrifício, este décimo quarto versículo certamente teria sido redigido para responder a 1Co 9:13. Observe que o mesmo Senhor Cristo “ordenou” as ordenanças no Antigo e no Novo Testamento (Mt 10:10; Lc 10:7). [JFB]

15 Porém eu de nenhuma destas coisas usei; e nem isto escrevi, para que assim se faça comigo; porque melhor me seria morrer, do que esvaecer este meu orgulho.

O dom especial de autocontrole de Paulo, que lhe permitiu abster-se do matrimônio, e sua capacidade de sustentar-se sem interromper seu ministério, foi-lhe conveniente naquilo que é geralmente inconveniente; que o ministério não seja sustentado pelo povo. O que para ele era um dever, seria o oposto, por exemplo, a quem Deus havia entregue uma família, sem outros meios de sustento.

Porém eu de nenhuma destas coisas usei – nenhum desses “poderes” ou direitos que eu poderia ter usado (1Co 9:4-6, 12).

se faça comigo – literalmente, “no meu caso”: como é feito no caso de um soldado, um plantador, um pastor, um lavrador e um sacerdote (1Co 9:7, 10, 13).

do que esvaecer este meu orgulho – privar-me do privilégio de pregar o evangelho sem remuneração (2Co 11:7-10). Ao invés de impedir o progresso do Evangelho, dando qualquer pretexto para uma cobrança por motivos interesseiros ​​(2Co 12:17-18), Paulo “morreria” de fome. Compare semelhante desinteresse de Abraão (Gn 14:22-23). [JFB]

16 Porque se anunciar o Evangelho, para mim não é orgulho, pois a obrigação me é imposta. E ai de mim, se não anunciar o Evangelho!

para mim não é orgulho – isto é, se eu pregar o Evangelho, e não o fizer gratuitamente, eu não tenho nenhum motivo para “orgulhar-me”. Pela “obrigação” que me é colocada de pregar (compare Jr 20:9, e o caso de Jonas) acaba-se a base para o  “orgulho”. O único fundamento para que eu tenho para me “orgulhar” é pregar o evangelho de graça (1Co 9:18): já que não tenho necessidade quanto ao último, é meu ato voluntário pelo amor do Evangelho.

17 Porque se eu faço de boa mente, tenho recompensa; mas se eu fizer por imposição, a responsabilidade me é confiada.

Em outras palavras: “Se eu estiver fazendo isso (pregando) por minha própria vontade (que não é meu caso, pois o faço pela “obrigação” imposta a mim que amarra um servo a obedecer a seu mestre), eu tenho uma recompensa; mas se (como é o caso) por imposição (At 9:15; At 22:15; At 26:16); não da minha própria vontade natural, mas pela graça constrangedora de Deus; (Rm 9:16; 1Tm 1:13-16), tive uma direção (do Evangelho) confiada a mim” (e assim não pode reivindicar nenhuma “recompensa”, visto que eu apenas “fiz aquilo que era meu o dever de fazer”, Lc 17:10, mas fico sujeito ao “ai”, 1Co 9:16, se eu nisso falhar. [JFB]

18 Então que recompensa tenho? Que evangelizando, proponha o Evangelho de Cristo sem receber nada de volta, para não abusar do meu poder no Evangelho.

Então que recompensa tenho? – A resposta está em 1Co 9:19; ou seja, que ao pregar o Evangelho sem cobrar nada, onde poderia legitimamente reivindicar sustento, eu “ganharia ainda mais”.

de Cristo – Os manuscritos e versões mais antigas omitem estas palavras.

para não abusar do meu poder – Este é o seu assunto para “orgulhar-se”; a “recompensa” visada em última análise é a conquista do mais (1Co 9:19). O primeiro, como envolvendo o último, é verbalmente feita a resposta para a pergunta: “Qual é a minha recompensa?” Mas a real “recompensa” é aquela que é o objetivo final de sua pregação sem ganho, a saber, que ele pode ganhar mais; foi para este fim, e não ter motivo de se orgulhar, que ele fez isso. [JFB]

19 Porque, estando eu livre de todos, me fiz servo de todos, para ganhar ainda mais.

estando eu livre de todos – isto é, do poder de todos os homens.

ganhar ainda mais – isto é, o maior número deles (“todos os homens”) possível. “Ganhar” é uma expressão apropriada em relação a uma “recompensa” (1Ts 2:19-20); ele, portanto, repete isso frequentemente (1Co 9:20-22).

20 E me fiz como judeu para os judeus, para ganhar aos judeus; como que estivesse debaixo da Lei, ainda que eu mesmo não esteja debaixo da Lei para os que estão debaixo da Lei, para ganhar aos que estão debaixo da Lei.

E me fiz como judeu – em coisas não definidas pela lei, mas usadas pelo judeu. Não judaizante na essência, mas em questões onde não havia comprometimento de princípio (compare At 16:3; At 21:20-26); uma coincidência não planejada entre a história e a epístola, e assim, uma segura prova certa genuinidade.

para os que estão debaixo da Lei – nas coisas definidas pela lei; tais como cerimônias não contrárias ao cristianismo. Talvez a razão para distinguir esta classe da primeira é que o próprio Paulo pertencia nacionalmente aos “judeus”, mas não à crença pertence à classe dos “que estão debaixo da lei”. [JFB]

21 Ao que estão sem Lei, como se estivesse sem Lei (porém não estando sem Lei para com Deus; mas para com Cristo debaixo da Lei), para ganhar os que estão sem Lei.

sem Lei – isto é, sem a lei revelada: os pagãos (compare Rm 2:12 com 1Co 9:15).

como se estivesse sem Lei – não insistindo nas cerimônias e “obras da lei”, mas “o ouvir da fé” (Gl 3:2). Também discursando à sua própria maneira, como em Atenas, com argumentos de seus próprios poetas (At 17:28).

não estando sem Lei para com Deus – “Enquanto assim se adapta com os outros em assuntos indiferentes, tomando cuidado para não ficar sem lei em relação a Deus, mas responsável perante a lei (literalmente, “EM LEI”) em relação a Cristo”. Este é o A verdadeira posição de cristão em relação ao mundo, a si mesmo e a Deus. Tudo se desenvolve de acordo com a sua própria lei. Assim, o cristão, embora não mais sujeito à lei literal como obrigação externa, está sujeito a um princípio ou lei interior, o espírito da fé em Cristo agindo de dentro como a origem de uma nova vida. Ele não diz em grego (como na versão em português) “com Cristo debaixo da lei (como ele faz em 1Co 9:20)”; mas usa o termo mais suave, “na… lei”, responsável perante a lei. Cristo foi responsável pela lei por nós, de modo que não somos mais responsáveis ​​por ela (Gl 3:13, 24), mas a Ele, como membros do Cabeça (1Co 7:22; Rm 8:1-4; 1Pe 2:16). Os cristãos servem a Cristo em novidade de espírito, não mais na velhice da letra (isto é, a velha lei externa como tal), Rm 7:4-6. Para Cristo, como Cabeça do homem, o Pai delegou corretamente Sua autoridade (Jo 5:22, 27); de onde ele substitui “Cristo” por “Deus” na segunda parte do versículo, “não estando sem Lei para com Deus; mas para com Cristo debaixo da Lei”. A lei de Cristo é a lei do amor (Gl 6:2; compare com Gl 5:13). [JFB]

22 Me fiz de fraco para os fracos, para ganhar aos fracos; tudo me fiz para todos, para por todos os meios vir a salvar a alguns.

ganhar aos fracos – isto é, fortaleça-os, em vez de ser um obstáculo para os cristãos inexperientes (1Co 8:7) Rm 14:1, “fraco na fé”. Alford acha que os “fracos” não são cristãos, pois estes já foram “ganhos”; mas aqueles fora da Igreja, que ainda estão “sem força” para acreditar (Rm 5:6). Mas quando os cristãos “fracos” estão pelo amor condescendente de irmãos mais fortes, impedidos de cair da fé, dizem que são “ganhos”.

por todos os meiosalguns – O ganho de até mesmo “alguns” vale o gasto de “todos os meios”. Ele se conformou com os sentimentos de cada um nas várias classes, que dentre todos eles poderia ganhar algum. [JFB]

23 E isto eu faço por causa do Evangelho, para que eu também dele seja participante.

dele seja participante – das bênçãos do Evangelho prometidas na vinda de Cristo.

24 Não sabeis vós que os que correm nas competições, realmente todos correm, mas somente um leva o prêmio? Correi de tal maneira, que o alcanceis.

Não sabeis – Os jogos ístmicos, nos quais a corrida era uma das mais importantes, eram obviamente bem conhecidos, e um motivo de orgulho patriótico para os coríntios, que viviam na vizinhança. Esses jogos periódicos eram para os gregos mais uma paixão do que um mero divertimento: daí sua correspondência como imagem do fervor cristão.

todosum – Embora soubéssemos que um só poderia ser salvo, ainda assim valeria a pena correr (Bengel). Mesmo na corrida cristã, nem todos que desta participam vencem (1Co 10:1-5).

Correi de tal maneira, que o alcanceis – disse entre parênteses. Estas são as palavras com que os instrutores dos jovens nas escolas de ginástica e os espectadores da corrida animavam os alunos para estimulá-los a realizar todos os esforços. O ginásio era uma característica proeminente em todas as cidades gregas. Todo candidato tinha que fazer um juramento de que ele havia passado dez meses em treinamento, e que ele não violaria nenhum dos regulamentos (2Tm 2:5; compare com 1Tm 4:7-8). Ele vivia de uma dieta estritamente abnegada, abstendo-se do vinho e de comidas agradáveis, suportando o frio, o calor e a dura disciplina. O “prêmio” concedido pelo juiz ou árbitro era uma coroa de folhas verdes; no Istmo, era de folhas de pinheiro, para as quais as de salsa foram temporariamente substituídas (1Co 9:25). O grego para “alcanceis” é totalmente alcançado. É vão começar, a menos que persevere até o fim (Mt 10:22; Mt 24:13; Ap 2:10) .“Tal maneira” expressa, Corra com tal perseverança no caminho celestial, como “todos” os corredores exibem na “corrida” terrena de que falamos: até o fim para que você possa alcançar o prêmio. [JFB]

25 E todo aquele que luta, tenha domínio próprio sobre tudo. Pois aqueles fazem para receber uma coroa perecível, porém nós para uma que não perece.

luta – na luta livre: uma competição ainda mais severa que a corrida.

tenha domínio próprio – Paulo exerceu abnegação, abstendo-se de reivindicar sustento em prol da “recompensa”, a saber, “ganhar mais” (1Co 9:18-19).

perecível – logo murchando, sendo apenas como folhas de abeto tiradas dos bosques que cercavam o hipódromo ou estádio istmo.

que não perece – (1Pe 1:4; 1Pe 5:4; Ap 2:10). “Coroa” aqui não é o de um rei (que é expressa por uma palavra grega diferente: “diadema”), mas uma guirlanda. [JFB]

26 Então assim eu corro, não como para um lugar incerto; assim luto, não como que dando socos no ar.

eu – Paulo retorna ao seu assunto principal, sua autonegação e seu motivo nela.

corro, não como para um lugar incerto – não como um corredor inconstante do objetivo. Vós coríntios não tem ganho em seus templos idólatras ou comendo carnes consagradas. Mas eu, de minha parte, em todos os meus atos, seja em tornar-me “todas as coisas para todos os homens”, ou em não receber nenhum sustento de meus convertidos, tenho um fim definido em vista, a saber, “ganhar mais”.  Eu sei qual é meu alvo e como vou alcança-lo. Aquele que corre com um objetivo claro, olha direto para o objetivo, faz dele seu único alvo, expulsa todos os obstáculos (Hb 12:1-2), é indiferente ao que os espectadores dizem, e às vezes até uma queda só serve para animá-lo mais (Bengel).

não como que dando socos no ar – em vez de bater o adversário. Aludindo ao sciamachia ou sparring na escola em luta (compare 1Co 14:9), onde eles golpeavam o ar como se fosse um adversário imaginário. O verdadeiro adversário é Satanás agindo sobre nós através da carne. [JFB]

27 Em vez disso, eu subjugo meu corpo, e o reduzo à servidão, para que quando estiver pregando para os outros, eu mesmo não seja reprovado.

subjugo meu corpo  – literalmente, “ferir o rosto abaixo dos olhos”, de modo a torná-lo preto e azul; assim, castigando a parte mais sensível. Compare “mortificar os atos do corpo”, Rm 8:13; também 1Pe 2:11. Não são os jejuns ascéticos ou cortes no corpo que são recomendadas aqui, mas subjugar nossa busca egoísta natural, assim como Paulo, para nos expormos inteiramente pelo grande trabalho.

meu corpo – o velho homem e os resquícios de cobiça em minha carne. “Meu corpo”, tanto quanto a carne se opõe ao espírito (Estius) (Gl 5:17). Os homens podem ser severos corpos seus corpos e ainda satisfazerem sua luxúria. A ascética “negligência do corpo”pode ser, ao mesmo tempo, uma “satisfação da carne” mais sutil (Cl 2:23). A menos que a alma mantenha o corpo abaixo, o corpo ficará acima da alma. O corpo pode ser feito um bom servo, mas é um mau mestre.

o reduzo à servidão – como escravo ou servo levado cativo.

pregando – literalmente, “anunciando”. Ele mantém a imagem das corridas. Os arautos convocavam os candidatos durante o percurso da corrida (Platão, Leis), e colocavam as coroas nas testas dos conquistadores, anunciando seus nomes (Bengel). Eles provavelmente também proclamaram as leis do combate; assimo com à pregação dos apóstolos (Alford). O arauto cristão também é um combatente, no qual ele se distingue do arauto nos jogos.

reprovado – falhando vergonhosamente no meu prêmio, depois de ter chamado outros para a disputa. Rejeitado por Deus, o Juiz da corrida Cristã, apesar de eu ter, pela minha pregação, levado outros a serem aceitos. Compare como Jr 6:30; 2Co 13:6. Paulo insinua que se tal vigilância séria e abnegada sobre si mesmo ainda é necessária, com todos os seus esforços pelos outros, para assegurar sua própria vocação, muito mais é o mesmo necessário para os coríntios, em vez de irem, como eles fazem, ao limite extremo da liberdade cristã.

<1 Coríntios 8 1 Coríntios 10>

Introdução à 1 Coríntios 9

Paulo confirma seu ensinamento de não colocar pedra de tropeço no caminho de um irmão (1Co 8:13) através do seu próprio exemplo em não usar seus inquestionáveis direitos ​​como um apóstolo, para ganhar homens para Cristo.

Leia também uma introdução à Primeira Epístola aos Coríntios.

Adaptado de: Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible. Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles – 17 de janeiro de 2019.