Bíblia

1 Coríntios 15

A prova da ressurreição contra os que negaram isso em Corinto

1 Também irmãos, eu vos declaro o Evangelho, que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes, no qual também estais.

eu vos declaro – literalmente, “eu faço conhecido”: isso implica algum grau de reprovação que deveria ser agora necessário torná-lo conhecido de novo, devido a alguns deles “não terem o conhecimento de Deus” (1Co 15:34). Compare com Gl 1:11.

no qual também estais – Este é o seu atual privilégio, se vocês não se deixarem cair da sua posição elevada. [JFB]

2 Pelo qual também sois salvos, se retiverdes a palavra naquela maneira, em que eu vos tenho anunciado; a não ser se tenhais crido em vão.

se retiverdes a palavra naquela maneira, em que eu vos tenho anunciado – Hábeis críticos, Bengel e outros, preferem conectar as palavras assim: “Eu lhes declaro o Evangelho (1Co 15:1) nas palavras palavras que preguei a vós”. Paulo lembra-lhes, ou melhor, torna-lhes conhecido, como se de novo, não apenas o fato do Evangelho, mas também com quais palavras, e por quais argumentos, ele pregou a eles.

a não ser – o que é impossível, sua fé repousando na realidade objetiva da ressurreição de Cristo ser vã. [JFB]

3 Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi, que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;

vos entreguei – Um credo curto, ou resumo de artigos de fé, provavelmente já existia; e uma profissão de acordo com isso era obrigatória dos candidatos ao batismo (At 8:37).

primeiramente – literalmente, “entre os pontos mais importantes” (Hb 6:2). A expiação é, na visão de Paulo, de importância primordial.

o que também recebi – do próprio Cristo através de revelação especial (compare 1Co 11:23).

morreu por nossos pecados – isto é, expiou POR eles; para tirar os nossos pecados (1Jo 3:5; compare com Gl 1:4): “deu-se por nossos pecados” (Is 53:5; 2Co 5:15; Tt 2:14). O “por” aqui não implica, como em algumas passagens, substituição vicária, mas “em favor de” (Hb 5:3; 1Pe 2:24). Não significa, no entanto, apenas “por causa de”, que é expressa por uma palavra grega diferente (Rm 4:25).

segundo as Escrituras – que “não podem falhar”. Paulo coloca o testemunho da Escritura acima daqueles que viram o Senhor depois de Sua ressurreição (Bengel). Assim nosso Senhor cita Is 53:12, em Lc 22:37; compare Sl 22:15, etc .; Dn 9:26. [JFB]

4 E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras;

e que ressuscitou – Seu sepultamento está mais intimamente ligado à Sua ressurreição do que à Sua morte. No momento de sua morte, o poder de sua vida inextinguível foi exercido (Mt 27:52). A sepultura era para Ele não um espaço destinado à corrupção, mas um aposento adequado para entrar na vida (At 2:26-28) (Bengel). [JFB]

5 E que foi visto por Cefas, depois pelos doze.

visto por Cefas – Pedro (Lc 24:34).

pelos doze – O número redondo para “os onze” (Lc 24:33, 36). “Os Doze” era a denominação comum, mesmo quando o número deles não estava completo. No entanto, muito possivelmente Matias estava presente (At 1:22-23). Em alguns dos mais antigos manuscritos e versões pode ser lido, “os Onze”: mas, em geral, está “os doze”. [JFB]

6 Depois foi visto de uma fez por mais de quinhentos irmãos, dos quais a maioria ainda vive, e também alguns já dormem.

quinhentos – Esta aparição foi provavelmente na montanha (Tabor, segundo a tradição), na Galileia, quando Sua manifestação mais solene e pública aconteceu de acordo com a promessa especial que havia feito (Mt 26:32; Mt 28:7, 10, 16). Ele “designou” este lugar, distante de Jerusalém, para que os crentes pudessem se reunir ali mais livremente e com segurança. A ideia de Jerusalém sendo o lugar é improvável; tal uma multidão de crentes não poderia, com qualquer segurança, ter se encontrado em um lugar lá na metrópole, depois de Sua crucificação. O número de discípulos (At 1:15) em Jerusalém logo depois, foi cento e vinte, os da Galileia e de outros espaços não foram contados. Andrônico e Júnia eram, talvez, do número (Rm 16:7): é dito que eles estavam “entre os apóstolos” (que todos eram testemunhas da ressurreição, At 1:22).

ainda vive – e, portanto, podem ser cuidadosamente averiguados para determinar a confiabilidade de seu testemunho.

dormem – na esperança certa de despertar a ressurreição (At 7:60). [JFB]

7 Depois foi visto por Tiago; depois por todos os apóstolos.

visto de Tiago – o Menor, o irmão de nosso Senhor (Gl 1:19). O Evangelho segundo os Hebreus, citado por Jerônimo (De Viris Illustribus), registra que “Tiago jurou que não comeria pão desde a hora em que bebesse a cálice do Senhor, até que ele pudesse vê-lo ressurgindo dentre os mortos”.

todos os apóstolos – O termo aqui inclui muitos outros além dos “doze” já enumerados (1Co 15:5): talvez os setenta discípulos (Lc 10:1) (Crisóstomo). [JFB]

8 E por último de todos também foi visto por mim, como que a um nascido fora do tempo.

um nascido fora do tempo – grego, “nascido abortivamente”: o aborto no grupo dos apóstolos. Como uma criança nascida antes do tempo devido é insignificante, e embora nascida viva, mas não do tamanho apropriado, e dificilmente digna do nome do homem, então “eu sou o menor dos apóstolos”, dificilmente “recebido para ser chamado apóstolo”; um excedente tomado para apóstolo fora do percurso normal, não conduzido a Cristo por longa instrução, como um nascimento natural, mas por um poder repentino, como aqueles nascidos prematuramente (Grotius). Compare a mesma imagem do parto, e pelo mesmo poder espiritual, na ressurreição de Cristo (1Pe 1:3). “Gerado novamente pela ressurreição de Jesus”. A aparição de Jesus a Paulo, no caminho de Damasco, é a que aqui nos referimos. [JFB]

9 Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus.

o menor – O nome, “Paulus”, em latim, significa “menor”.

persegui a Igreja – Embora Deus o tenha perdoado, Paulo dificilmente pode perdoar a lembrança de seu pecado passado.

10 Mas pela graça de Deus sou o que sou; e sua graça concedida a mim não foi vã; ao invés disso trabalhei muito mais que todos eles; porém não eu, mas a graça de Deus que está comigo.

graçae sua graça – A repetição implica a proeminência que a graça de Deus tinha em sua mente, como a única causa de sua maravilhosa conversão e subsequentes trabalhos. Embora não seja “digno de ser chamado apóstolo”, a graça deu a ele, em Cristo, a adequação necessária para o ofício.

o que sou – ocupando o honrado cargo de apóstolo. Compare com isso a oração auto-suficiente de outro fariseu (Lc 18:11).

ao invés disso trabalhei – pela graça de Deus (Fp 2:16).

muito mais que todos eles – do que qualquer dos apóstolos (1Co 15:7).

a graça de Deus que está comigo – Compare “o Senhor operando com eles” (Mc 16:20). Os manuscritos mais antigos omitem “que está”. O “não eu, mas graça”, implica que, embora a vontade humana concordasse com Deus quando trazida pelo Seu Espírito em conformidade com a Sua vontade, ainda assim “graça” tão influenciadora na obra, que a sua própria cooperação é considerada nada e graça como praticamente a única agente (Compare 1Co 3:9; Mt 10:20; 2Co 6:1; Fp 2:12-13). [JFB]

11 Portanto, seja eu, sejam eles, assim pregamos, e assim crestes.

seja eu, sejam eles – os apóstolos – que “trabalhavam mais abundantemente” (1Co 15:10) na pregação, tal era o conteúdo de nossa pregação, a saber, as verdades declaradas em 1Co 15:3-4.

12 E se é pregado que Cristo ressuscitou dos mortos, como dizem alguns dentre vós, que não há ressurreição dos mortos?

se – Visto que é um fato anunciado por nós testemunhas oculares como tendo Cristo ressuscitado dos mortos, como é que alguns de vocês negam aquilo que é uma consequência necessária da ressurreição de Cristo, especificadamente, a ressurreição geral?

alguns – argumentadores gentios (At 17:32; At 26:8) que não acreditariam porque não viram “como” poderia ser (1Co 15:35-36). [JFB]

13 E se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou.

Se não houver ressurreição geral, que é o consequente, então não pode haver ressurreição de Cristo, que é o antecedente. A cabeça e os membros do corpo estão em pé de igualdade: o que não vale para eles, também não vale para Ele: Sua ressurreição e a deles estão inseparavelmente unidas (compare 1Co 15:20-22; Jo 14:19). [JFB]

14 E se Cristo não ressuscitou, então é vã nossa pregação, e vã também é vossa fé.

– (1Co 15:11). O grego aqui para “vão” é vazia, imaginária: em 1Co 15:17, por outro lado, é, sem utilidade, frustrada. O argumento principal dos primeiros pregadores em apoio ao cristianismo era que Deus havia ressuscitado Cristo dos mortos (At 1:22; At 2:32; At 4:10, 33; At 13:37; Rm 1:4). Se este fato for falso, a fé construída sobre ele deve ser falsa também. [JFB]

15 E assim também somos encontrados como falsas testemunhas de Deus; pois testemunhamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual porém não ressuscitou, se na verdade os mortos não ressuscitam.

testemunhas de Deus – isto é, a respeito de Deus. A interpretação dos outros é “contra Deus” (Vulgata, Estius, Grotius): a preposição grega com o genitivo implica, não um antagonismo direto (como o acusativo significaria), mas indireto para a desonra de Deus.

se na verdade – como eles afirmam. Não é certo contar histórias falsas, embora sejam contadas e pareçam para a glória de Deus (Jó 13:7). [JFB]

16 Porque se os mortos não ressuscitam, então Cristo também não ressuscitou.

A repetição implica a força incontestável do argumento.

17 E se Cristo não ressuscitou, vossa fé é vã, e ainda estais em vossos pecados.

– Vocês são, pelo próprio fato (supondo que seja como os céticos dizem), frustrados de tudo o que “vossa fé” se apropria: Vocês ainda estão sob a eterna condenação por seus pecados (mesmo no estado incorpóreo que é aqui referido), da qual a ressurreição de Cristo é a nossa justificação (Rm 4:25): “salvos pela sua vida” (Rm 5:10). [JFB]

18 Portanto também pereceram os que dormiram em Cristo.

pereceram – Suas almas estão perdidas; eles estão na miséria no mundo invisível.

dormiram em Cristo – em comunhão com Cristo como Seus membros. “No caso de Cristo, o termo usado é a morte, para nos assegurar da realidade de Seu sofrimento; em nosso caso, dormir, para nos dar consolo: No caso dele, quando Sua ressurreição realmente aconteceu, Paulo não se esquiva do termo morte; na nossa, a ressurreição sendo ainda apenas uma questão de esperança, ele usa o termo adormecer” (Fócio, Quaestiones Amphilochiae). [JFB]

19 Se nesta vida esperamos somente em Cristo, somos os mais miseráveis de todas as pessoas.

Se nossas esperanças em Cristo estivessem limitadas somente a esta vida, deveríamos ser, de todos os homens, os mais dignos de piedade; ou seja, porque enquanto os outros vivem sem serem molestados, estamos expostos a toda provação e perseguição e, afinal, estamos condenados a amargas decepções em nossa esperança mais querida; porque toda a nossa esperança de salvação, mesmo da alma (não apenas do corpo), depende da ressurreição de Cristo, sem a qual a Sua morte não seria de nenhum proveito para nós (Ef 1:19-20; 1Pe 1:3). Os pagãos “não têm esperança” (Ef 2:12; 1Ts 4:13). Devemos ser ainda piores, pois também não temos a alegria presente (1Co 4:9). [JFB]

20 Mas de fato Cristo ressuscitou dos mortos, e foi feito as primícias dos que dormiram.

as primícias – o penhor ou garantia, que toda a colheita da ressurreição virá, de modo que nossa fé não seja vã, nem nossa esperança limitada a esta vida. O tempo em que esta carta foi escrita provavelmente foi perto da Páscoa (1Co 5:7); o dia depois do sábado de Páscoa era para oferecer as primícias (Lv 23:10-11), e foi o mesmo dia da ressurreição de Cristo: daí surge a pertinência da imagem.

21 Pois dado que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos.

por um homempor um homem – As primícias são da mesma natureza que o resto da colheita; assim Cristo, o portador da vida, é da mesma natureza que os homens a quem Ele a traz; assim como Adão, o portador da morte, era da mesma natureza que os homens a quem ele a trouxe.

22 Porque assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados.

em Adão todos – em união da natureza com Adão, como representante da humanidade em sua queda.

em Cristo todos – em união da natureza com Cristo, o cabeça representante da humanidade em sua restauração. A vida trazida por Cristo é coextensiva com a morte trazida por Adão. [JFB]

23 Mas cada um em sua ordem; Cristo, as primícias; depois os que são de Cristo, em sua vinda.

Mas cada um em sua ordem – em vez disso, “fileira”: o grego não é abstrato, mas concreto: imagem das tropas, “cada um em seu próprio regimento”. Embora todos ressuscitem, não pense que todos serão salvos; ou melhor, cada um terá o seu devido lugar, Cristo primeiro (Cl 1:18), e depois Dele os piedosos que morrem em Cristo (1Ts 4:16) e então “o fim” isto é, a ressurreição do restante dos mortos. As igrejas cristãs, ministros e indivíduos parecem que serão julgados primeiro “em sua vinda” (Mt 25:1-30); então “todas as nações” (Mt 25:31-46). O próprio rebanho de Cristo compartilhará Sua glória “em Sua vinda”, que não deve ser confundido com “o fim”, ou julgamento geral (Ap 20:4-6, 11-15). Este último não é discutido neste capítulo especialmente, mas somente a primeira ressurreição, a saber, a dos santos: nem mesmo é tratado o julgamento dos servos ocos cristãos (Mt 25:1-30) em Sua vinda, mas somente a glória dos “que são de Cristo”, quem sozinho no mais elevado sentido “obtém a ressurreição dentre os mortos” (Lc 14:14; Lc 20:35-36; Fp 3:11). A segunda vinda de Cristo não é um mero ponto do tempo, mas um período que começa com a ressurreição do Justo no Seu aparecimento e termina com o julgamento geral. O fundamento da ressurreição universal é a união de toda a humanidade na natureza com Cristo, seu representante, que eliminou a morte por sua própria morte em seu lugar: a base da ressurreição dos crentes não é apenas isso, mas a sua união pessoal com Ele como sua “Vida” (Cl 3:4), efetuada causativamente pelo Espírito Santo, e instrumentalmente pela fé como o subjetivo, e pelas ordenanças como os meios objetivos. [JFB]

24 Depois será o fim, quando entregar o Reino de Deus e ao Pai, quando aniquilar todo domínio, e toda autoridade e poder.

Depois – em seguida na sucessão de “ordens” ou “fileiras”.

o fim – a ressurreição geral, julgamento final e consumação (Mt 25:46).

quando entregar o Reinoao Pai – (Compare Jo 13:3). Parecendo em desacordo com Dn 7:14, “Seu domínio é um domínio eterno que não passará”. Na verdade, Sua renúncia do reino mediador ao Pai, quando o fim para o qual o governo mediador estabelecido for cumprido, está completamente em harmonia com a sua continuação eterna. A mudança que então acontecerá, será na maneira de governar, não no próprio reino; Deus então entrará em relação direta com a terra, ao invés de mediação, quando Cristo tiver totalmente e finalmente removido tudo o que separa o Deus santo e uma terra pecaminosa (Cl 1:20). A glória de Deus é finalidade do ministério mediador de Cristo (Fp 2:10-11). Sua co-igualdade com o Pai é independente do seu ministério, e anterior a ele, portanto, continuará quando a sua função tiver cessado. Sua humanidade, também, continuará eternamente, entretanto, como agora, subordinada ao Pai. O trono do Cordeiro (mas não mais mediador), assim como de Deus, estará na cidade celestial (Ap 22:3; compare com Ap 3:21). A unidade da Divindade e a unidade da Igreja serão simultaneamente manifestadas na segunda vinda de Cristo. Compare com Sf 3:9; Zc 14:9; Jo 17:21-24.

quando aniquilar todo domínio – o efeito produzido durante Seu reinado milenar e seus santos (Sl 110:1; Sl 8:6; Sl 2:6-9), a que passagens Paulo se refere, sustentando seu argumento sobre as duas palavras, “todos” e “até”, do salmista: uma prova de inspiração verbal das Escrituras (compare Ap 2:26-27). Enquanto isso, Ele “domina no meio de seus inimigos” (Sl 110:2). Ele é denominado “o rei” quando recebe seu grande poder (Mt 25:34; Ap 11:15; 17). O grego para “aniquilar” é “eliminar” ou “reduzir a nada”. “Todos” devem estar sujeitos a Ele, sejam opostos abertamente, como Satanás e seus anjos, ou reis e principados angélicos (Ef 1:21). [JFB]

25 Porque convém que ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo de seus pés.

convém – porque as Escrituras predizem isto.

até – Não haverá mais necessidade de seu reino mediador, tendo seu objetivo sido realizado.

inimigos debaixo de seus pés – (Lc 19:27; Ef 1:22).

26 O último inimigo, que será aniquilado, é a morte.

que será eliminado – grego, “é eliminado” (Ap 20:14; compare Ap 1:18). Isso se aplica especialmente para os crentes (1Co 15:55-57); mesmo no caso dos incrédulos, a morte é eliminada pela ressurreição geral. Satanás trouxe o pecado e o pecado trouxe a morte! Então eles serão destruídos (tornados totalmente sem poder) na mesma ordem (1Co 15:56; Hb 2:14; Ap 19:20; Ap 20:10, 14). [JFB]

27 Porque ele sujeitou todas as coisas debaixo de seus pés. Porém quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, está claro que se excetua aquele que todas as coisas lhe sujeitou.

todas as coisas – incluindo a morte (compare Ef 1:22; Fp 3:21; Hb 2:8; 1Pe 3:22). Diz-se, “sujeitou”, pois o que Deus disse é o mesmo que se já estivesse feito. Paulo aqui cita o Sl 8:6 em prova de sua declaração anterior: “Porque (está escrito), ‘Ele pôs todas as coisas debaixo de seus pés’”.

debaixo de seus pés – como o seu escabelo (Sl 110:1). Em sujeição perfeita e duradoura.

quando diz – isto é, Deus, que por Seu Espírito inspirou o salmista. [JFB]

28 E quando todas as coisas lhe forem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará a aquele, que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

o mesmo Filho se sujeitará – não como as criaturas são, mas como um Filho voluntariamente subordinado, embora co-igual com o Pai. No reino mediador, o Filho tinha sido, de certo modo, distinto do Pai. Agora, Seu reino se fundirá no Pai, com quem Ele é um; não que haja, portanto, qualquer diminuição de Sua honra; porque o próprio Pai deseja “que todos honrem o Filho, como honram o Pai” (Jo 5:22-23Hb 1:6).

Deus seja tudo em todos – como Cristo é tudo em todos (Cl 3:11; compare Zc 14:9). Então, e não até então, “todas as coisas”, sem a menor violação da prerrogativa divina, estarão sujeitas ao Filho, e o Filho subordinado ao Pai, enquanto co-igualmente compartilhando Sua glória. Contraste Sl 10:4; Sl 14:1. Mesmo os santos não percebem plenamente a Deus como seu  “todo” (Sl 73:25) agora, através do desejo; então cada um sentirá, Deus é tudo para mim. [JFB]

29 De outra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se totalmente os mortos não ressuscitam? Por que, então, se batizam pelos mortos?

De outra maneira – se não houver ressurreição.

que farão – Quão miserável é o seu destino!

os que se batizam pelos mortos – terceira pessoa; uma classe distinta daquela em que o apóstolo se coloca, “nós” (1Co 15:30); primeira pessoa. Henry Alford achava que havia uma alusão a uma prática em Corinto de batizar uma pessoa viva em favor de um amigo que morreu sem ser batizado; assim, Paulo, sem dar a mínima aprovação à prática, usa um argumento ad hominem contra seus praticantes, alguns dos quais, apesar de usá-lo, negaram a ressurreição: “Que explicação eles podem dar de sua prática (por que eles estão em apuros) se os mortos não ressuscitam?”(Jesus usou um argumento ad hominem, Mt 12:27). Mas se é a explicação, é estranho que não haja uma censura direta. Alguns marcionitas adotaram a prática em um período posterior, provavelmente tomando essa passagem, como Alford; mas, geralmente, era desconhecida na Igreja. J.A. Bengel traduz: “sobre (imediatamente após) os mortos”, isto é, quem seria reunido aos mortos imediatamente após o batismo. Compare Jó 17:1, “a sepultura já está pronta para mim”. O retorno que eles recebem pelo trabalho feito é deles serem reunidos aos mortos para sempre (1Co 15:13, 16). Muitos na antiga Igreja adiavam o batismo até a morte. Esta parece o melhor entendimento do verso; embora possa ter havido alguns ritos de batismo simbólico em Corinto, hoje desconhecidos, talvez baseados nas palavras de Jesus (Mt 20:22-23), às quais Paulo alude. [JFB]

30 Por que também nós à toda hora estamos em perigo?

nós – os apóstolos (1Co 15:9; 1Co 4:9), Uma transição daqueles que só puderam desfrutar por pouco tempo desta vida (isto é, aqueles batizados na hora da morte), para nós, que poderíamos desfrutar dela por mais tempo, se não tivéssemos renunciado ao mundo por Cristo (Bengel).

31 A cada dia eu morro pelo orgulho que tenho por vós, em Cristo Jesus nosso Senhor.

pelo orgulho que tenho por vós – pela glória que tenho em relação a vós, como fruto do meu trabalho no Senhor.

A cada dia eu morro – Eu estou dia a dia à vista da morte, exposto a ela e esperando por ela (2Co 4:11-12; 2Co 1:8-9; 2Co 11:23). Muitos dos manuscritos mais antigos e a Vulgata inserem “irmãos” aqui. [JFB]

32 Se por motivo humano lutei contra feras em Éfeso, qual é o meu proveito? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, que amanhã morreremos.

Se “por motivo humano” (com a mera esperança humana da vida presente; não com a esperança cristã da ressurreição; respondendo a “Se os mortos não ressuscitam”, a oração paralela na sentença seguinte), lutei com homens semelhantes a feras selvagens. Heráclito, de Éfeso, havia chamado seus compatriotas de “animais selvagens” quatrocentos anos antes. Assim Epimênides chamou os cretenses (Tt 1:12). Paulo ainda estava em Éfeso (1Co 16:8), e ali sua vida estava diariamente em perigo (1Co 4:9; compare com 2Co 1:8). Embora o tumulto (At 19:29-30) ainda não tivesse ocorrido (pois depois que ele partiu imediatamente para a Macedônia), esta Epístola foi escrita evidentemente pouco antes, quando a tempestade estava se acumulando; “Muitos adversários” (1Co 16:9) já o ameaçavam.

qual é o meu proveito? – vendo que renunciei a tudo (como um simples homem) o que poderia me compensar por tais sofrimentos, ganhos, fama, etc.

comamos… – Citado da Septuaginta, (Is 22:13), onde o profeta descreve o imprudente comodismo dos desprezadores do chamado de Deus para o luto, Vamos desfrutar as boas coisas da vida agora, pois logo terminará. Paulo imita a linguagem de tais céticos, para reprovar sua teoria e prática. “Mas se os homens se convencerem de que morrerão como os animais, logo viverão como animais” (South). [JFB]

33 Não erreis. As más companhias corrompem os bons costumes.

As más companhias corrompem os bons costumes – um ditado comum, formando um verso em Menandro, o poeta cômico, que provavelmente tirou de Eurípides (Sócrates, História Eclesiástica). “Más companhias” refere-se as relações com aqueles que negam a ressurreição. A noção destes parece ter sido que a ressurreição é meramente espiritual, que o pecado reina somente no corpo, e será deixado para trás quando a alma o deixar o corpo, se, de fato, a alma sobreviver à morte.

bons – não apenas de boa índole, mas tratáveis. A intimidade com a sociedade devassa era capaz de corromper os princípios dos corintos. [JFB]

34 Despertai para a justiça, e não pequeis; porque alguns ainda não têm o conhecimento de Deus. Eu digo isto para vossa vergonha.

Despertai – literalmente, “sair do adormecimento” da intoxicação carnal na qual vocês são lançados pela influência desses céticos (1Co 15:32; Jl 1:5).

para a justiça – em contraste com o “pecado” neste verso, e as condutas corruptas (1Co 15:33).

não pequeis – Não se entreguem aos prazeres pecaminosos. O grego expressa um estado contínuo de abstinência do pecado. Assim, Paulo implica que aqueles que vivem nos prazeres pecaminosos prontamente se convencem do que desejam, ou seja, que não deve haver ressurreição.

alguns – o mesmo que em 1Co 15:12.

não têm o conhecimento de Deus – e assim não conhecem o Seu poder na ressurreição (Mt 22:29). Mais forte do que “são ignorantes de Deus”. Uma ignorância habitual: intencional, em que eles preferem manter seus pecados, ao invés de afastarem-se deles, a fim de conhecer a Deus (compare Jo 7:171Pe 2:15).

para vossa vergonha – que vocês, cristãos coríntios, que se orgulham de seu conhecimento, devam ter entre vós e manter relações com aqueles que tão objetivamente ignoram a Deus, a ponto de negar a ressurreição. [JFB]

35 Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão?

Como – É loucura negar um fato de REVELAÇÃO, porque não sabemos o “como”. Alguns medem o poder de Deus por sua pequena inteligência, e não admitem, mesmo sob Sua segurança, qualquer coisa que não possam explicar. A resposta de fé de Ezequiel à pergunta é a verdadeiramente sábia (Ez 37:3). Assim, Jesus não argumenta sobre os princípios da filosofia, mas totalmente do “poder de Deus”, conforme declarado pela Palavra de Deus (Mt 19:26Mc 10:27; Mc 12:23; Lc 18:27).

virão – Diz-se que os mortos partem ou se foram: aqueles que ressuscitam “virão”. O objetor não pôde entender como os mortos ressuscitarão e com que tipo de corpo eles viriam. Será o mesmo corpo? Em caso afirmativo, como é isso, já que os corpos da ressurreição não comerão ou beberão, nem gerarão filhos, como fazem os corpos naturais? Além disso, estes se transformaram em poeira. Como então eles podem ressuscitar? Se for um corpo diferente, como a identidade pessoal pode ser preservada? Paulo responde: Em certo sentido, será o mesmo corpo, em outro, um corpo distinto. Será um corpo, mas um corpo espiritual, não natural. [JFB]

36 Louco, o que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer.

Louco – com toda a tua filosofia orgulhosa (Sl 14:1).

o que tu – tu, enfaticamente: apelar para a própria experiência do objetor: “A semente que tu mesmo semeias”. Paulo, neste verso e em 1Co 15:42, responde à pergunta de 1Co 15:35, “Como?” e em 1Co 15:37-4143, a pergunta “Com que tipo de corpo?” Ele converte a própria objeção (a morte do corpo natural) em um argumento. A morte, longe de impedir a vivificação, é o prelúdio e o prognóstico necessário, assim como a semente “não é vivificada” em um novo broto, “exceto que morra” (exceto uma dissolução de sua organização anterior). Cristo por Sua morte por nós não nos deu um alívio da morte quanto à vida que temos de Adão; sim, Ele permite que a lei siga seu curso em nossa natureza carnal; mas Ele traz consigo uma nova vida espiritual e celestial fora da morte (1Co 15:37). [JFB]

37 E o que semeias, não semeias o corpo que irá brotar, mas o grão nu, como o de trigo, ou de qualquer outro grão.

não semeias o corpo que irá brotar – Não há uma identidade de todas as partículas do velho e do novo corpo. Pois a transmutação eterna da matéria é inconsistente com isso. Mas há um “embrião” oculto que constitui a identidade do corpo em meio a todas as mudanças externas: as mudanças externas decaem em seu desenvolvimento, enquanto o “embrião” permanece o mesmo. Todo “embrião” desse tipo (“semente”, 1Co 15:38) “terá seu próprio corpo” e será instantaneamente reconhecido, assim como cada planta é agora conhecida da semente que foi semeada (ver em 1Co 6:13). Assim, Cristo, pela mesma imagem, ilustrou a verdade de que Sua morte foi o prelúdio necessário para apresentar Seu corpo glorificado, que é a base da regeneração dos muitos que creem (Jo 12:24). O progresso é a lei do espiritual, como do mundo natural. A morte é o caminho não para mera revivificação ou reanimação, mas para a ressurreição e regeneração (Mt 19:28; Fp 3:21). Compare “unidos”, etc., Rm 6:5. [JFB]

38 Mas Deus lhe dá o corpo como quer, e a cada semente seu próprio corpo.

Mas Deus lhe dá o corpo como quer – na criação, quando Ele deu a cada uma das (tipos de) sementes (assim o grego é para “a cada semente”) um corpo próprio (Gn 1:11, “segundo a sua espécie”, adequado à sua espécie). Assim, Deus pode e dará aos abençoados na ressurreição o seu próprio corpo apropriado, da maneira que Lhe agrada, e o que for adequado ao seu estado glorificado: um corpo peculiar ao indivíduo, substancialmente o mesmo que o corpo semeado. [JFB]

39 Toda carne não é a mesma carne; mas uma é a carne humana, e outra a carne dos animais, e outra a dos peixes, e outra a das aves.

(39-41) Ilustrações da adequação dos corpos, embora vários, às suas espécies: a carne das várias espécies de animais; corpos celestes e terrestres; os vários tipos de luz no sol, na lua e nas estrelas, respectivamente.

carne – organismo animal (de Wette). Ele insinua pela palavra que nossos corpos da ressurreição serão em algum sentido realmente carne, não meros fantasmas de ar (Estius). Então alguns dos credos mais antigos expressaram: “Eu creio na ressurreição da carne”. Compare com o próprio corpo da ressurreição de Jesus, Lc 24:39; Jo 20:27; ao qual o nosso será feito e, portanto, será carne, mas não de organismo animal (Fp 3:21) e passível de corrupção. Mas 1Co 15:50 abaixo implica, não é “carne e sangue” no sentido animal que agora os entendemos; porque estes “não herdarão o reino de Deus”.

não é a mesma – não carne da mesma natureza e excelência. Como os tipos de carne, por mais amplamente que se diferenciem uma das outras, não deixam de ser carne, assim os tipos de corpos, embora difiram um do outro, ainda são corpos. Tudo isso é para ilustrar a diferença do novo corpo celestial de sua semente terrestre, mantendo uma identidade substancial.

outra a dos peixes, e outra a das aves – Na maioria dos manuscritos mais antigos lê-se assim: “outra CARNE de pássaros… outra de peixes”: a ordem de natureza. [JFB]

40 E há corpos celestiais, e corpos terrestres; mas uma é a glória dos celestiais, e outra a dos terrestres.

corpos celestiais – não o sol, a lua e as estrelas, que são mencionados primeiro em 1Co 15:41, mas os corpos dos anjos, como distintos dos corpos das criaturas terrenas.

a glória dos celestiais – (Lc 9:26).

glória dosterrestres – (Mt 6:28-291Pe 1:24).

41 Outra é a glória do Sol, e outra a glória da Lua, e outra a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela.

Soloutrada Lua – A analogia não é para provar diferentes graus de glória entre os benditos (se isso pode ser, ou não, insinuado indiretamente), mas isto: Como as várias fontes de luz, que são tão semelhantes diferem em seus aspectos e propriedades (o sol da lua e a lua das estrelas; e até uma estrela de outra estrela, embora todas pareçam muito semelhantes); portanto, não há nada irracional na doutrina de que nossos corpos atuais diferem dos nossos corpos de ressurreição, embora ainda continuem corpos. Compare o mesmo símile, apropriado especialmente aos claros céus orientais (Dn 12:3; Mt 13:43). Também o da semente na mesma parábola (Mt 13:24; Gl 6:7-8). [JFB]

42 Assim também será a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo degradável, ressuscitará capaz de nunca se degradar.

Semeia-se – Seguindo a imagem da semente. Uma palavra agradável em vez de “enterro”.

43 Semeia-se em desonra, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará em força.

em desonra – correspondendo ao “nosso degradante corpo” (Fp 3:21); literalmente, “nosso corpo de humilhação”: sujeito a várias humilhações de doença, sofrimento e finalmente decadência.

em glória – as vestes da incorruptibilidade (1Co 15:42-43) como o Seu corpo glorioso (Fp 4:21), a qual nós vestiremos (1Co 15:49, 53; 2Co 5:2-4).

em fraqueza – sujeita a enfermidades (2Co 13:4).

em força – correspondendo a um “corpo espiritual” (1Co 15:44; compare com Lc 1:17, “espírito e virtude”). Não sujeito às fraquezas de nossos atuais corpos frágeis (Is 33:24; Ap 21:4). [JFB]

44 Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Há corpo animal, e há corpo espiritual.

corpo natural – literalmente, “um corpo animal”, um corpo moldado em seu organismo de “carne e sangue” (1Co 15:50) para se adequar à alma animal que predomina nele. O Espírito Santo no espírito dos crentes, de fato, é um penhor de um estado superior (Rm 8:11), mas enquanto isso no corpo a alma animal predomina; daqui em diante o Espírito predominará e a alma animal será devidamente subordinada.

corpo espiritual – um corpo totalmente moldado pelo Espírito, e seu organismo não conformado ao inferior e ao animal (Lc 20:35-36), mas à vida superior e espiritual (compare 1Co 2:14; 1Ts 5:23).

… – Os manuscritos mais antigos dizem: “SE existe um corpo natural (ou de alma animal), há também um corpo espiritual”. Não é de se maravilhar, que deveria haver um corpo ajustado às capacidades e à necessidade da parte mais elevada do homem, seu espírito (o que nós vemos ser o caso), do que deveria haver um ajustado às capacidades e quer de sua parte subordinada, a alma animal (Alford). [JFB]

45 Assim também está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.

Assim – de acordo com a distinção que acabamos de mencionar entre o corpo natural ou de alma animal e o corpo espiritual.

está escrito – (Gn 2:7); “O homem tornou-se (foi feito para ser) uma alma vivente”, isto é, dotado de uma alma animal, o princípio vivo de seu corpo.

o último Adão – o ÚLTIMO Cabeça da humanidade, que deve ser plenamente manifestado no último dia, que é o seu dia (Jo 6:39). Ele foi assim chamado em Jo 19:25; veja em Jó 19:25 (compare Rm 5:14). Em contraste com “o último”, Paulo chama “homem” (Gn 2:7) “o primeiro Adão”.

vivificante – não apenas vivendo, mas tornando-se vivo (Jo 5:21; Jo 6:33; 39-40, 545762-63Rm 8:11). Como o corpo natural ou alma animal (1Co 15:44) é o fruto da nossa união com o primeiro Adão, que é o Espírito vivificante (2Co 3:17). Ao tornar-se representante de toda a humanidade em Sua união das duas naturezas, Ele tomou em Sua própria pessoa a sentença de morte passada a todos os homens, e dá vida espiritual e eterna a quem Ele deseja. [JFB]

46 Mas não é primeiro o espiritual; mas sim o carnal, depois o espiritual.

depois – Adão não tinha uma alma necessariamente mortal, pois depois esta se tornou pelo pecado, mas “uma alma vivente”, e destinada a viver para sempre, se tivesse comido da árvore da vida (Gn 3:22); seu corpo ainda era apenas um corpo de alma animal, não um corpo espiritual, como os crentes devem ter; muito menos ele era um “espírito vivificante”, como Cristo. Sua alma tinha o princípio do Espírito, e não a plenitude dele, como o homem terá quando restaurados “corpo, alma e espírito”, pelo segundo Adão (1Ts 5:23). Como o primeiro e o inferior Adão veio antes do segundo e celeste Adão, assim o corpo de alma animal vem primeiro, e deve morrer antes de ser transformado no corpo espiritual (isto é, aquele corpo em que o Espírito predomina sobre a alma animal). [JFB]

47 O primeiro homem da terra é terrestre; o segundo homem, que é o Senhor, é do Céu.

O primeiro homem da terra – sendo originário da terra, ele é “terreno” (Gn 2:7; Gn 3:19, “pó és”); isto é, não apenas terrestre ou nascido na terra, mas da terra; literalmente, “de um monte terra” ou barro. “Adão” significa terra vermelha.

o Senhor – omitido nos manuscritos e versões mais antigas.

do Céu – (Jo 3:13, 31). Humanidade em Cristo é tipológica. Nele, o homem é personificado em seu verdadeiro ideal como Deus originalmente o projetou. Cristo é o homem representativo, o líder do homem redimido. [JFB]

48 Assim como é o terrestre, também são os terrestres; e assim como é o celestial, também são os celestiais.

Assim como é o terrestre – Adão, também são os terrestres – Toda a descendência de Adão em seu estado natural (Jo 3:6-7), e assim como é o celestial – Cristo, também são os celestiais – Seu povo em seu estado regenerado (Fp 3:20-21). Como o primeiro antecede o último estado, também os corpos naturais antecedem os corpos espirituais.

49 E assim como trouxemos a imagem do terrestre, assim também traremos a imagem do celestial.

como – grego, “assim como” (veja Gn 5:3).

assim também traremos – ou usaremos como uma vestimenta (Bengel). Uma exortação e promessa (Rm 8:29). A conformidade com a imagem do homem representativo celestial deve ser iniciada aqui em nossas almas, em parte, e será aperfeiçoada na ressurreição dos os corpos e almas.

50 Porém isto digo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem o que é degradável herda a capacidade de não se degradar.

(Veja em 1Co 15:37; veja em 1Co 15:39). “Carne e sangue” do mesmo animal e natureza corruptível que nossos atuais (1Co 15:44) corpos de alma animal, não podem herdar o reino de Deus. Portanto, o crente aceita com satisfação a sentença irrepreensível da santa lei, que designa a morte do corpo atual como a preliminar necessária ao corpo de glória da ressurreição. Por isso, ele “morre diariamente” para a carne e para o mundo, como condição necessária para sua regeneração aqui e no além (Jo 3:6; Gl 2:20). Como o nascer da carne constitui um filho de Adão, o ser nascido do Espírito constitui um filho de Deus.

não podem – A mudança de corpo não é somente possível, mas necessária. O corpo da ressurreição será ainda um corpo, embora espiritual, e manterá substancialmente a identidade pessoal; como é provado por Lc 24:39; Jo 20:27, comparado com Fp 3:21.

o Reino de Deus – que não é todo meramente animal, mas completamente espiritual. A corrupção não herda, embora seja o caminho para a incorrupção (1Co 15:36, 52-53). [JFB]

51 eis que eu vos digo um mistério: nem todos em verdade dormiremos; porém todos seremos transformados.

eis que – Chamando atenção para o “mistério” até então escondido nos propósitos de Deus, mas agora revelado.

vos – enfático no grego; Eu mostro (grego, “falo”, ou seja, pela palavra do Senhor, 1Ts 4:15) a VOCÊ, que acha que tem tanto conhecimento, “um mistério” (compare Rm 11:25) que sua razão nunca poderia descobri-lo. Muitos dos antigos manuscritos e Pais diziam: “Todos dormiremos, mas nem todos seremos transformados”; mas esta é claramente uma leitura corrompida, inconsistente com 1Ts 4:15, 17, e com o argumento do apóstolo aqui, que é que uma mudança é necessária (1Co 15:53). O grego é literalmente “todos nós não devemos dormir, mas”, etc. A mudança do corpo corruptível para um incorruptível será instantânea; desta Enoque e Elias são tipos e precursores. O “nós” implica que os cristãos naquela época e em todas as épocas sucessivas desde então e no futuro foram designados a esperar, como se Cristo pudesse voltar em seu tempo. [JFB]

52 Em um momento, em um piscar de olhos, à última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão capazes de não se degradar, e nós seremos transformados.

à última trombeta – ao som da trombeta no último dia (Vatablus) (Mt 24:31; 1Ts 4:16). Ou o Espírito, através de Paulo, sugere que as outras trombetas mencionadas subsequentemente no Apocalipse deverão preceder e que esta será a última de todas. (compare Is 27:13; Zc 9:14). Como a lei foi dada ao som de uma trombeta, assim o julgamento final de acordo com ela (Hb 12:19; compare Êx 19:16). Como o Senhor subiu “com o voz de trombeta” (Sl 47:5), assim Ele descerá (Ap 11:15). A trombeta soava para convocar o povo em festas solenes, especialmente no primeiro dia do sétimo mês (o tipo da conclusão do tempo; sete sendo o número da perfeição; no décimo dia do mesmo mês era a expiação, e no décimo quinto a festa dos tabernáculos, comemorativa da completa salvação do Egito espiritual, compare Zc 14:18-19; compare o Sl 50:1-7. Compare Seu chamado a Lázaro “com uma voz alta”  diante da sepultura, Jo 11:43, com Jo 5:25, 28. [JFB]

53 Porque é necessário que este corpo degradável revista-se da capacidade de não se degradar, e este corpo mortal vista a imortalidade.

este corpo – apontando para o seu próprio corpo e aquele de quem ele se dirige.

vista – como uma roupa (2Co 5:2-3).

imortalidade – Apenas aqui, além de 1Tm 6:16, a palavra “imortalidade” é encontrada. Em nenhum lugar a imortalidade da alma é ensinada distinta da do corpo; uma noção que muitos erroneamente derivaram de filósofos pagãos. As escrituras não contemplam o estado anômalo provocado pela morte, como a consumação a ser seriamente procurada (2Co 5:4), mas a ressurreição. [JFB]

54 E quando este corpo se revestir da capacidade de não se degradar, e este corpo mortal se vestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Na vitória, a morte é tragada.

então – não antes. A morte tem um aguilhão até mesmo para o crente, em que seu corpo está sob seu poder até a ressurreição. Mas então o aguilhão e o poder da morte cessarão para sempre.

Na vitória, a morte é tragada – Em hebraico de Is 25:8, do qual é citado, “Ele (Jeová) engolirá a morte em vitória”; isto é, para sempre: que muitas vezes é o significado de “em vitória” no hebraico (Jr 3:5; Lm 5:20). A morte será tão completamente e vitoriosamente “absorvida” por Cristo que nunca mais recuperará seu poder (compare com Os 6:2; Os 13:14; 2Co 5:4; Hb 2:14-15; Ap 20:14; Ap 21:4). [JFB]

55 Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?

“Aguilhão” em resposta às “pragas” hebraicas, isto é, uma ponta envenenada causando pragas. Apropriada, quanto à antiga serpente (Gn 3:14-15; Nm 21:6). “Vitória” em resposta à “destruição” hebraica. Compare Is 25:7, “devorará o véu… sobre todos os provos”, isto é, vitoriosamente a destruirá; e “na vitória” (1Co 15:54), que ele repete triunfalmente. O “onde” implica que seu vitorioso poder destrutivo passado e aguilhão, agora se foram para sempre; obtido através do triunfo de Satanás sobre o homem no Éden, que alistou a lei de Deus contra o homem ao lado de Satanás e a morte (Rm 5:12, 17, 21). As almas no Hades sendo libertadas pela ressurreição, o aguilhão e a vitória da morte sumiram. [JFB]

56 O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a Lei.

Se não houvesse pecado, não haveria morte. A transgressão do homem à lei confere poder legítimo à morte.

força do pecado é a Lei – Sem a lei, o pecado não é percebido ou imputado (Rm 3:20; Rm 4:15; Rm 5:13). A lei torna o pecado mais grave ao tornar a vontade de Deus mais clara (Rm 7:8-10). O povo de Cristo não está mais “debaixo da lei” (Rm 6:14). [JFB]

57 Mas graças a Deus, que nos dá vitória por meio do nosso Senhor Jesus Cristo.

a Deus – A vitória não foi conquista de forma alguma por nós mesmos (Sl 98:1)

que nos dá – uma certeza presente.

vitória – que a morte e Hades (“a sepultura”) tinham visado, mas que, apesar da oposição deles, bem como da lei e do pecado, nós obtemos. A repetição da palavra (1Co 15:54-55) é apropriada para o triunfo obtido. [JFB]

58 Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, imóveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.

amados – A sã doutrina acende o amor cristão.

firmes – não se desviando da fé da ressurreição de vocês.

imóveis – não desviados por outros (1Co 15:12; Cl 1:23).

na obra do Senhor – o fomento do reino de Cristo (Fp 2:30).

não é vão – como os que negam a ressurreição o fazem (1Co 15:14, 17).

no Senhor – aplicando-se a toda a sentença e suas várias partes: Vós, como estando no Senhor pela fé, sabes que o vosso trabalho no Senhor (isto é, trabalho segundo a Sua vontade) não é sem recompensa no Senhor (através de Seus méritos e de acordo com Sua graciosa nomeação). [JFB]

<1 Coríntios 14 1 Coríntios 16>

Introdução à 1 Coríntios 15

A ressurreição de Cristo sustenta-se sobre a evidência de muitas testemunhas oculares, incluindo o próprio Paulo, e é o grande fato pregado como a base do Evangelho: aqueles que negam a ressurreição em geral, devem negar a de Cristo, e a consequência da este último será, que a pregação cristã e a fé são vãs.

Leia também uma introdução à Primeira Epístola aos Coríntios.

Adaptado de: Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible. Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles – fevereiro de 2018.