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Filipenses 4

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1 Portanto, meus amados e queridos irmãos, minha alegria e coroa, permanecei assim, firmes no Senhor, amados.

Portanto –  visto que temos uma esperança tão gloriosa (Fp 3:20-21).

meus amados e queridos irmãos – ou então, “meus irmãos amados e a quem anseio ver”.

amados. Repetido no final do veículo, implicando que seu grande amor por eles deveria ser um motivo para que obedecessem.

coroa – no dia do Senhor (Fp 2:16; 1Ts 2:19).

então – como eu tenho repreendido você.

permanecei assim, firmes (Fp 1:27). [JFU, 1871]

2 Rogo a Evódia e rogo a Síntique que tenham uma mesma mentalidade no Senhor.

Evódia e Síntique são duas mulheres que parecem estarem em desacordo; provavelmente diaconisas da igreja ou pessoas de influência. Ele repete: “rogo”, como se ele suplicasse a cada uma separadamente com imparcialidade, sendo ambas igualmente culpadas. [JFU, 1871]

3 Peço também de ti, verdadeiro companheiro, que ajude a essas que lutaram no Evangelho comigo, como também com Clemente, e com os demais cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida.

Clemente. Bispo de Roma logo após a morte de Pedro e Paulo. Sua epístola da Igreja de Roma para a Igreja de Corinto é conhecida. Ela não faz qualquer menção à supremacia da Sé de Pedro. Ele foi o mais eminente dos pais apostólicos. Alford acha que Clemente era um filipino, e não necessariamente o Clemente Bispo de Roma. Orígenes (184-253 d.C) entretanto o identifica com o bispo de Roma. Um cristão de Filipos, uma colônia romana, poderia facilmente se tornar posteriormente Bispo de Roma.

no livro da vida – o registro daqueles cuja “cidadania está no céu” (Lc 10:20; Fp 3:20). Antigamente, cidades livres tinham um rolo contendo os nomes de todos os que tinham direito à cidadania (compare com Êx 32:32; Sl 69:28; Ez 13:9; Dn 12:1; Ap 20:1221:27). [JFU, 1871]

4 Alegrai-vos sempre no Senhor. Volto a dizer: alegrai-vos.

sempre (Is 61:10) – mesmo em meio às aflições que os angustiam agora (Fp 1:28-30).

Volto a dizer: alegrai-vos (Fp 3:1). A alegria é a característica predominante da epístola. [JFU, 1871]

5 A vossa bondade seja conhecida por todas as pessoas. Perto está o Senhor.

bondade (“equidade”, ACF; “amabilidade”, NVI). A palavra grega denota magnanimidade, ou um espírito perdoador, do qual Jesus nos dá o exemplo supremo (2Co 10:1). Essa pessoa não insiste em seus direitos (Fp 2:1-4). [Genebra, 2009]

6 Não estejais ansiosos por coisa alguma; mas em tudo, por meio de orações e súplicas, com ações de gratidão, sejam os vossos pedidos conhecidos por Deus;

“Não andeis ansiosos” (Mt 6:25). A ansiedade e a oração são tão opostos entre si como o fogo e a água (Bengel).

ações de gratidão – por cada momento, seja de prosperidade ou de aflição (1Ts 5:18; Tg 5:13). Os filipenses talvez se lembrem do exemplo de Paulo em Filipos quando estavam na prisão (At 16:25). A ação de graças dá profundidade à oração (2Cr 20:21), e liberta da ansiedade, ao fazer com que todos os tratos de Deus sejam importantes para o louvor, não meramente para a resignação, muito menos para a murmuração. A “paz” é a companheira da “ação de gratidão” (Fp 4:7; Cl 3:15).

sejam os vossos pedidos conhecidos por Deus – com confiança filial e sem reservas; não deixando de apresentar nada, por ser muito grande ou insignificante demais, diante de Deus. Assim como Jacó, ao ter medo de Esaú (Gn 32:9-12); Ezequias com medo de Senaqueribe (2Rs 19:14; Sl 37:5). [JFU, 1871]

7 e a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus.

a paz de Deus – ou seja, a paz que Deus dá a toda alma que descansa sobre Ele em oração. É a paz — o sentido de unidade no sentido mais amplo — a “paz na terra” proclamada no nascimento de nosso Senhor, deixada como Seu último legado aos Seus discípulos, e pronunciada no Seu primeiro retorno a eles da sepultura (Lc 2:14; Jo 14:27). Por isso, inclui paz com Deus, paz com os homens, paz consigo mesmo. Ela mantém — isto é, vigia de maneira que “não cochila nem dorme” — os corações ementes (ou, mais propriamente, a alma e os pensamentos nelas formados), guardando toda a nossa ação espiritual, tanto na sua origem como nos seus desenvolvimentos. É em Cristo Jesus, pois “ele é a nossa paz” (Ef 2:14), assim como “dos dois povos fez um” e “reconciliou todos com Deus”. [Ellicott, 1905]

8 Finalmente, meus irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude, e se algo digno de elogio, nisto pensai.

Resumo das exortações quanto aos deveres relativos, quer como filhos ou pais, maridos ou esposas, amigos, vizinhos, profissionais, etc.

verdadeiro – especialmente por palavras.

tudo o que é respeitável (“honesto”, ACF; “nobre”, NVI).

amável (compare Mc 10:21; Lc 7:4-5).

se alguma virtude – “seja qual for a virtude que existe” (Alford). “Virtude”, a palavra permanente na ética pagã, é encontrada apenas uma vez nas epístolas de Paulo, e três vezes nas de Pedro (1Pe 2:9; 2Pe 1:3,5); e isto em usos diferentes dos autores pagãos. É um termo terreno e humano, em comparação com as graças espirituais do cristianismo: daí a sua raridade no Novo Testamento. Piedade e verdadeira moralidade são inseparáveis. Nada daquilo que é bom deve ser desprezado.

elogio – tudo o que é louvável; não que o louvor do homem seja o nosso objetivo (compare com Jo 12:43); mas devemos viver de modo a merecê-lo.

nisto pensai – considere continuamente, de modo a “fazer” essas coisas (Fp 4:9) sempre que surgir oportunidade. [JFU, 1871]

9 O que também aprendestes, recebestes, ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus da paz será convosco.

O que também aprendestes, recebestes, ouvistes, e vistes em mim, isso fazei. Paulo passa do modo de pensar para a vida prática: eles devem traduzir em ação as lições que receberam dele. Os verbos se referem ao tempo em que ele estava entre eles. Ele ensinou não apenas pela palavra, mas pelo exemplo vivo; eles viram nele quando presente, e ouviram falar dele quando ele estava ausente, um padrão da vida cristã.

e o Deus da paz será convosco. Deus habita com aqueles que pensam pensamentos santos e vivem vidas santas; e com ele vem a paz que é dele, e que ele dá (Rm 15:33). [Pulpit, 1895]

10 Alegro-me muito no Senhor de que finalmente voltastes a vos lembrardes de mim; aliás, já estáveis lembrando, porém não tínheis oportunidade.

A renovada demonstração do respeito deles no alívio enviado por Epafrodito despertou uma santa alegria no apóstolo. Eles eram, em sua solicitude, como uma árvore produzindo novos ramos. Eles o ajudaram antes e, de fato, nunca deixaram de cuidar dele, mas durante muito tempo não tiveram a oportunidade de fazer isso. [Whedon, 1874]

11 Não digo isso por causa de alguma necessidade, pois aprendi a contentar-me com o que tenho.

contentar-me. O grego, literalmente expressa “independente dos outros, tendo suficiência em si mesmo”. O cristianismo elevou o termo acima da auto-suficiência altiva do estoicismo pagão ao contentamento do cristão, cuja suficiência não está em si mesmo, mas em Deus (2Co 3:5; 1Tm 6:6,8; Hb 13:5; compare Jr 2:36; 45:5). [JFU, 1871]

12 Sei passar necessidade, e sei ter em abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou instruído, tanto a estar farto, como a ter fome; tanto a ter em abundância, como a sofrer necessidade.

Sei passar necessidade. Algumas versões trazem “sei estar abatido”, mas a tradução que melhor encaixa no contexto é “passar necessidade”.

em todas as coisas estou instruído – ou então, “aprendi o segredo de viver em qualquer situação” (NVT).

13 Posso todas as coisas naquele que me fortalece.

Posso todas as coisas – ou seja, Tenho força em todas as coisas, mais (de acordo com o contexto) para suportar do que para fazer. Mas a extensão universal da expressão para além da circunstância e do contexto imediatos não é inadmissível. Ela representa a consciência última e ideal do cristão. A primeira coisa necessária é abandonar a mera auto-suficiência, conhecer nossa fraqueza e pecado e aceitar a salvação da graça gratuita de Deus em Cristo; a seguir, encontrar a “força aperfeiçoada na fraqueza”, e nisso ser forte. [Ellicott, 1905]

14 Todavia, fizestes bem em compartilhardes da minha aflição.

em compartilhardes da minha aflição – ou seja, “em me ajudar na dificuldade pela qual estou passando” (NVT).

15 E também vós, filipenses, sabeis que, no princípio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja compartilhou comigo no dar e no receber, a não ser vós somente;

no início do evangelho – na sua primeira pregação do Evangelho em Filipos.

quando parti da Macedônia (At 17:14). Os filipenses seguiriam generosamente Paulo quando ele saiu da Macedônia e foi para Corinto. 2Co 11:8-9 concorda com essa passagem, as datas atribuídas à doação em ambas as epístolas correspondem; ou seja, “no início do evangelho” aqui e ali, na época de sua primeira visita a Corinto (Paley). Contudo, o suprimento referido não é o que ele recebeu em Corinto, mas o enviado a ele quando estava “em Tessalônica” (Fp 4:16) (Alford).

vós somente. Não devemos esperar pelos outros para fazer o bem, dizendo: “Eu farei quando outros o fizerem”. Devemos ir em frente, embora sozinhos. [JFU, 1871]

16 pois até em Tessalônica por uma e duas vezes me enviastes o que eu necessitava.

até em Tessalônica – antes de deixar a Macedônia, vocês me mandaram suprimentos para as minhas necessidades, e mais de uma vez. A distância entre Filipos e Tessalônica é de pouco mais de 150 quilômetros. [JFU, 1871]

17 Não que eu busque doações, mas busco o fruto que aumente o crédito de vossa conta.

mas busco o fruto que aumente o crédito de vossa conta – ou melhor, “desejo que sejam recompensados por sua bondade” (NVT).

18 Mas de tudo tenho recebido, e tenho em abundância; estou plenamente abastecido, depois que recebi de Epafrodito o que de vossa parte me foi enviado, como cheiro suave, e sacrifício aceitável e agradável a Deus.

Mas. Embora “doações” não seja o que eu principalmente“busco” (Fp 4:17), ainda assim sou grato por elas, “recebi tudo, e o que tenho é mais que suficiente” (NVT).

sacrifício aceitável (Hb 13:16). [JFU, 1871]

19 E meu Deus suprirá todas a vossas necessidades segundo as suas riquezas em glória em Cristo Jesus.

meu Deus. Paulo diz “meu Deus”, para enfatizar que Deus recompensaria a generosidade deles ao Seu servo, “suprindo todas as necessidades” deles, temporais e espirituais (2Co 9:8), da mesma forma que eles supriram “plenamente” a sua necessidade (Fp 4:16,18).

em Cristo Jesus – o Doador e Mediador de todas as bênçãos espirituais. [JFU, 1871]

20 Ao nosso Deus e Pai seja a glória para todo o sempre, Amém!

A doxologia (compare com 2Co 9:15, em relação ao seu contexto) magnifica o generoso Doador como nosso Pai: ver Mt 6:8,32. [Dummelow, 1909]

21 Saudai a todos os santos em Cristo Jesus. Os irmãos que estão comigo vos saúdam.

Saudai (individualmente) a todos os santos em Cristo Jesus.

Os irmãos que estão comigo – talvez crentes judeus (At 28:21). Eu penso que Fp 2:20 impede que pensemos serem “amigos íntimos”, “colegas no ministério” comforme sugere Alford: ele tinha apenas um amigo íntimo com ele – Timóteo. [JFU, 1871]

22 Todos os santos vos saúdam, mas principalmente os da casa de César.

principalmente (como estando mais próximos de mim) os da casa de César – palacianos de Nero, provavelmente convertidos através de Paulo enquanto prisioneiro no quartel pretoriano anexado ao palácio. Filipos era uma “colônia” romana; portanto, poderia emergir um vínculo entre os cidadãos da cidade mãe e os da colônia, especialmente entre os das duas cidades convertidas pelo mesmo apóstolo e em circunstâncias semelhantes, tendo sido preso em Filipos como agora em Roma. [JFU, 1871]

23 A graça do Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso espírito.
(Gl 6:18)

esteja com o vosso espírito – seguindo os manuscritos mais antigos, ou então, “seja com vós todos” (ACF), conforme o texto recebido.

<Filipenses 3 Colossenses 1>

Leia também uma introdução à Epístola aos Filipenses.

Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles – abril de 2020.