Bíblia

2 Coríntios 3

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1 Por acaso começamos a recomendarmos a nós mesmos outra vez? Ou necessitamos, como alguns necessitam, de cartas de recomendação para vós, ou de vossa recomendação?

Em outras palavras, ” (1) Ao falar tão bem das minhas motivações não estou escrevendo uma carta para me elogiar, nem preciso (como estes meus opositores) de cartas de recomendação para vocês ou de vocês. (2) Vocês, meus convertidos, são minha melhor recomendação, por isso penso em vocês com gratidão, como todos os que conhecem sua fé e obras. (3) Vocês são, de fato, a própria carta de Cristo o qual me usou como Seu amanuense (copista), e carrega a escrita do Espírito em seus corações. (4) É o resultado do meu trabalho, tal como vejo em vocês, que me assegura que Deus está me usando como instrumento de Cristo, (5) não que eu confie em minha capacidade pessoal, mas busco ajuda em Deus; (6) pois foi Ele que me deu toda a capacidade que possuo para proclamar o evangelho de Cristo”.

começamos a recomendarmos a nós mesmos outra vez? Provavelmente Paulo se refere às partes da dura carta (que ele enviou depois de 1Coríntios e antes desta, agora perdida) em que ele se defendeu e expressou suas reivindicações de reconhecimento: veja especialmente 2Co 11:22-33; 12:1-5,16-19.

como alguns. Líderes judaizantes provavelmente trouxeram cartas da Judeia e acusaram Paulo de não ter essas recomendações.

cartas de recomendação. Essas cartas eram comumente usadas na Igreja primitiva para apresentar desconhecidos; para exemplos, veja Rm 16 e Filemon, e compare com At 15:23-27; 18:27. [Dummelow, 1909]

2 Vós sois nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos,

nossa carta “de recomendação” (2Co 3:1).

Vós sois nossa carta de recomendação, escrita em nossos corações. Eles, os coríntios convertidos, estão escritos em seu coração. Em seus pensamentos e orações por eles, ele encontra sua verdadeira carta de recomendação, e esta é uma carta manifesta aos olhos de todos os homens. [Ellicott, 1905]

conhecida e lida por todos – ou seja, a Igreja era uma testemunha incontestável do trabalho do apóstolo. [Dummelow, 1909]

3 manisfestando que sois carta de Cristo, feita por nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedras, mas em tábuas de corações de carne.

feita por nosso ministério. O apóstolo se considera o escriba de Cristo que escreveu as palavras de Cristo em seus corações.

escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedras, mas em tábuas de corações de carne. A metáfora é levemente alterada; a escrita é agora aquela do Espírito de Deus em seus próprios corações. Não é mera questão de papel e tinta, mas a obra do dedo de Deus; está escrita não como a lei antiga sobre tábuas de pedra, mas sobre corações humanos. [Dummelow, 1909]

4 Temos uma tal confiança em Deus por Cristo.

confiança – ou seja, confiança em vocês como nossas cartas de recomendação.

em Deus por Cristo – ou seja, minha confiança não está em mim mesmo, mas através de Cristo em Deus: ou seja, eu olho para Ele em busca de força e graça por meio de Cristo. [Dummelow, 1909]

5 Não que sejamos capazes de pensar alguma coisa de nós como se fosse de nós mesmos, mas nossa capacidade é de Deus;

Não que sejamos capazes de pensar alguma coisa de nós como se fosse de nós mesmos – ou melhor, “Não que possamos reivindicar qualquer coisa com base em nossos próprios méritos” (NVI).

6 O qual também nos fez capazes para sermos ministros da nova aliança, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, mas o Espírito vivifica.

Em outras palavras, “Todo a minha capacidade para salvar homens vem de Deus, que me deu graça para proclamar uma nova aliança entre Ele e Seu povo — uma aliança que não é um sistema legal formal, mas um poder espiritual permanente, pois enquanto a antiga aliança só podia condenar o pecador à morte devido à sua incapacidade de cumprir as suas exigências, a nova aliança inspira a fé e a vida”.

a letra mata, mas o Espírito vivifica. A lei estabelece um padrão externo que, por não sermos capazes de alcançá-lo, desperta em nós desânimo e desespero; o Evangelho de Cristo proclamando perdão e nos colocando sob a influência de Cristo, desperta nossa fé e amor e nos inspira sempre para cima e para frente (compare com Rm 7; 8). [Dummelow, 1909]

O espírito contrasta com a letra. Significa o poder interior inspirador do Evangelho.

7 E se o ministério da morte, com suas letras gravadas em pedras, veio com glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa da glória de seu rosto, que se extinguia,

Em outras palavras, “(7) Ora, se o sistema que só poderia sentenciar morte sobre o pecado era glorioso (pois ao ser dado o próprio rosto de Moisés resplandecia), (8) o sistema que traz vida e inspiração é ainda mais glorioso. (9) Repito, se a Lei era gloriosa, o Evangelho é muito mais. (10) Pois a glória do Evangelho cobre de sombras a glória da Lei. (11) Pois, se o transitório é glorioso, quão mais glorioso é o permanente!”.

o ministério da morte – isto é, a Lei de Moisés.

suas letras gravadas em pedrasÊx 32:16; 34:28.

no rosto de Moisés. A resplandecência do rosto de Moisés (Êx 34:29) é dada como um exemplo da glória presente na entrega da Lei.

que se extinguia. O desvanecimento da glória tipificou a transitoriedade da Lei, que deveria dar lugar ao Evangelho. [Dummelow, 1909]

8 por acaso o ministério do Espírito não terá ainda mais glória?

Em outras palavras, “Não devemos nós esperar uma glória muito maior nestes dias quando o Espírito Santo está concedendo a vida?” (VIVA).

9 Porque se o ministério da condenação teve glória, o ministério da justiça excede muito mais em glória.

ministério da justiça – ou melhor melhor, ministério da absolvição, em contraste com “ministério da condenação”. A mensagem do evangelho é de perdão e reconciliação. [Dummelow, 1909]

10 Pois o que já foi glorioso, em comparação, deixou de ter glória, por causa da glória superior.

glória superior. A glória da Lei é completamente ofuscada pela do Evangelho, que oferece perdão em vez de condenação. [Dummelow, 1909]

11 Porque se o que se extinguiu teve glória, muito mais glória tem o que permanece.

muito mais glória tem o que permanece. A aliança transitória de condenação transitório teve uma glória transitória: o pacto de justificação permanente tem uma glória permanente. O contraste (2Co 3:10-11) prova que os principais adversários de Paulo em Corinto eram os judaizantes. [JFU, 1871]

12 Visto que temos tal esperança, falamos com muita ousadia,

Em outras palavras, (12) Já que as nossas esperanças quanto ao futuro do evangelho são tão grandes, falamos com sinceridade e ousadia. (13) Não procuramos ocultar nada, pois Moisés ocultou seu rosto com um véu, para que o povo não visse a glória dele desaparecendo. (14) Aqueles que consideravam a lei não entendiam que era uma medida temporária convencê-los do pecado; e mesmo agora seus sucessores não percebem que foi substituída por Cristo (15), mas pensam que ela ainda permanece em vigor. (16) Quando, porém, receberem Cristo nos seus corações, conhecerão a verdade. (17) Porque Cristo é o Espírito que dá vida, que conduz os homens à verdade e os liberta da escravidão. (18) E todos nós que O recebemos, olhando como um espelho para gloriosa Personalidade do Senhor, somos transformados à Sua semelhança em espírito e caráter, em graus cada vez maiores de perfeição, através da influência do Senhor que é o Espírito”.

Todo esse contraste entre a glória da nova e da antiga dispensação parece direcionado ao ensino retrógrado dos judaizantes em Corinto. Essas pessoas procuraram manter os ritos e restrições da Lei e ocultar a verdade completa do Evangelho, que anula o antigo sistema legal. [Dummelow, 1909]

13 Não como Moisés, que colocava um véu sobre o seu rosto, para que os filhos de Israel não enxergassem o fim do que se extinguia.

Neste e nos próximos dois versículos, temos um bom exemplo do hábito de Paulo de misturar a interpretação alegórica com a interpretação histórica do Antigo Testamento: ver também Gl 4:22-31. A referência aqui é a Êx 34:33.

o fim do que se extinguia – isto é, a glória desaparecendo de seu rosto. [Dummelow, 1909]

14 Porém suas mentes foram endurecidas, pois até o dia de hoje, na leitura da antiga aliança, permanece o mesmo véu, pois somente em Cristo ele é removido.

suas mentes foram endurecidas – ou então, “as mentes deles se fecharam” (NVI).

permanece o mesmo véu. Repare na rápida transição da história para a alegoria. O véu com o qual Moisés cobriu o rosto para impedir que os israelitas vissem a glória desaparecer é típico do véu espiritual que impede judeus e cristãos judaizantes de verem que a Lei é transitória.

em Cristo ele é removido – isto é, quando eles realmente ficarem sob a influência e poder de Cristo, verão que Ele tornou a Lei desnecessária, porque experimentarão o novo espírito que Ele concede. [Dummelow, 1909]

15 Mas até hoje, quando se lê as palavras de Moisés, o véu está posto sobre o coração deles.

quando se lê as palavras de Moisés – isto é, quando a Lei é lida (compare com At 15:21).

16 Porém quando se converterem ao Senhor, então o véu será tirado.

Porém. Paulo alivia a visão sombria com um raio de luz. Como o véu esteve sobre Moisés, agora está no coração judaizante; mas, como quando Moisés foi ter com o Senhor, “tirava-se o véu” (Êx 34:34), assim quando o coração judaizante se voltar para o Senhor, o véu será tirado. [Whedon, 1870]

17 O Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí liberdade.

O Senhor é o Espírito. Cristo é o Espírito que dá vida. Talvez haja uma referência ao “ministério do Espírito” em 2Co 3:8. O Espírito é o Espírito de Cristo (compare com At 16:7; Rm 8:9; 1Pe 1:11). O que se quer dizer é que quem se volta para Cristo recebe o Espírito iluminador e vivificador.

liberdade – liberdade da escravidão da Lei é o significado principal; mas talvez a liberdade do pecado esteja incluída (compare com Jo 8:31-32). [Dummelow, 1909]

18 E todos nós, com o rosto descoberto, refletindo como que um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, segundo a mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.

Aquele que tem a lembrança e o exemplo de Cristo sempre em seus pensamentos, e tenta segui-Lo em sua vida, gradualmente passará a mostrar em seu próprio caráter e vida uma crescente semelhança com seu Senhor. [Dummelow, 1909]

E todos nós – cristãos, em contraste com os judeus que têm um véu em seus corações, correspondendo ao véu no rosto de Moisés. Ele não retoma a referência aos ministros até 2Co 4:1.

com o rosto descoberto (sendo o véu removido da conversão), como Moisés, desvelado diante do Senhor, refletia Sua glória; e como o Antigo Testamento, quando o véu é removido, no seu Espírito, subjacente a letra, reflete claramente a glória de Cristo: em contraste com “encoberto” (2Co 4:3).

refletindo como que um espelho – ou seja, o Evangelho, que reflete a glória de Deus e de Cristo (2Co 4:4; 1Co 13:12; Tg 1:23, Tg 1:25).

somos transformadossegundo a mesma imagem – ou seja, a imagem da glória de Cristo, por enquanto espiritualmente (Rm 8:29; 1Jo 3:3), e no futuro, fisicamente (Fp 3:21).

de glória em glória – de um grau de glória para outro. Como o rosto de Moisés refletia a glória de Deus na Sua presença, assim os crentes são transformados na Sua imagem ao contemplá-Lo. [JFU, 1871]

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Visão geral de 2 Coríntios

Na sua Segunda Epístola aos Coríntios, “Paulo resolve o seu conflito com os Corintos mostrando como o escândalo da crucificação de Jesus vira o nosso sistema de valores de cabeça pra baixo”. Tenha uma visão geral da carta através deste breve vídeo (9 minutos) produzido pelo BibleProject.

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Leia também uma introdução à Segunda Epístola aos Coríntios.

Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles – junho de 2020.