Bíblia

Mateus 10

Aviso Quer estudar a Bíblia e não sabe por onde começar? Conheça o nosso curso: Como Estudar a Bíblia? Ele é gratuito, online e pode ser iniciado agora mesmo! Clique aqui e saiba mais.


Missão dos doze apóstolos

1 Jesus chamou a si os seus doze discípulos, e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e curarem toda enfermidade e toda doença.

A missão dos Doze (Mc 6:7; Lc 9:1). Esta missão serviria a dois propósitos, primeiro, preparar o caminho para as visitas do próprio Jesus, e segundo, treinar os apóstolos para futuro ministério deles. Ele os enviou de “dois em dois” (Mc 6:7), por uma questão de encorajamento mútuo. Este é o verdadeiro método de empreender o trabalho missionário, como mostra a experiência de Paulo. Os apóstolos deveriam pregar um pouco, mas não muito, desde que eram iniciantes. Eles deviam preparar o caminho para Jesus, dizendo: “O reino dos céus está próximo”. Todos os relatos concordam que eles deveriam fazer milagres em grande escala (poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e curarem toda enfermidade e toda doença). Eles curavam pela unção com óleo (Mc 6:13): compare com Tg 5:14. Eles receberam poder até para limparem os leprosos e ressuscitarem mortos (Mt 10:8). Essa missão começou cerca de cinco semanas antes da segunda Páscoa do ministério de Jesus (Jo 6:4) e durou cerca de um mês. Tendo dispensado os apóstolos, Jesus foi a Jerusalém para celebrar a festa de Jo 5:1, provavelmente Purim, no início de março. Ele então se juntou novamente aos Doze pouco antes da Páscoa: veja em Jo 6:1. [Dummelow, 1909]

2 E os nomes dos doze apóstolos são estes: o primeiro, Simão, chamado Pedro, e seu irmão André; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João;

apóstolos. A palavra apóstolo significa enviado. É derivada da palavra grega αποστελλω, apostello, que é a palavra usada em Mt 10:5, e traduzida como “enviou”. [Whedon, 1874]

3 Filipe e Bartolomeu; Tomé, e Mateus o publicano; Tiago, filho de Alfeu; e Tadeu;

Tadeu. Ele é o mesmo que o “Judas de Tiago” (Lc 6:16), e o “Judas (não o Iscariotes)” (Jo 14:22). É suposto que “Tadeu” seja uma forma do nome grego Theudas. Alguns manuscritos trazem “e Lebeu, apelidado de Tadeu”. Lebeu é aramaico e seu significado é desconhecido. A razão para essa inclusão é desconhecida. [Dummelow, 1909]

4 Simão o zelote, e Judas Iscariotes, o mesmo que o traiu.

Simão o zelote. O original grego traz “Simão, o cananeu”. “Cananeu” aqui não significa alguém nativo de Canaã, mas deriva da palavra aramaica Kanean ou Kaneniah, que era o nome de uma seita judaica a qual Simão fazia parte antes do seu apostolado. [Easton, 1896]

(Mc 6:7-13; Lc 9:1-6).

Os doze recebem suas instruções

5 Jesus enviou esses doze, e lhes mandou, dizendo: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos.

Não ireis pelo caminho dos gentios. A enfática limitação parece, à primeira vista, divergir daquilo que ele havia falado sobre aqueles que viriam do leste e do oeste para se sentar com Abraão, Isaque e Jacó no reino de Deus, e com o fato de que nosso Senhor já tinha levado Seus discípulos para uma cidade de Samaria, e lhes dizer que também lá havia campos brancos para a colheita (Jo 4:35). Devemos lembrar, no entanto, (1) que esta limitação restringia-se à missão para a qual eles foram enviados; (2) que ela não fazia mais do que reconhecer uma ordem divina, a prioridade de Israel no trato de Deus com a humanidade, “primeiramente do judeu, e também do gentio”; e (3) que os próprios discípulos ainda não estavam preparados a entrar numa obra que exigia pensamentos e esperanças mais amplos do que eles ainda haviam alcançado. Era necessário que aprendessem a compartilhar a compaixão de seu Mestre pelas ovelhas perdidas da casa de Israel antes que pudessem fazer parte de Seus anseios pelas ovelhas que “não eram deste aprisco” (Jo 10:16). [Ellicott, 1905]

6 Em vez disso, ide às ovelhas perdidas da casa de Israel.

Até a morte de Cristo, que derrubou a parede do meio da separação (Ef 2:14), a comissão do Evangelho era somente para os judeus, que, embora o povo visível de Deus, eram “ovelhas perdidas”, não meramente no sentido que todos os pecadores são (Is 53:6; 1Pe 2:25; compare com Lc 19:10), mas como abandonados e deixados para vaguear do caminho correto por pastores infiéis (Jr 50:6,17; Ez 34:2-6, etc.). [JFB]

7 E quando fordes, proclamai, dizendo: ‘Perto está o Reino dos céus’.

Passagens paralelas: Lucas 9:2 (os doze); 10:9 (os setenta; observe que a substância da proclamação deveria ser a mesma)

proclamai, em voz alta e pública, dizendo: ‘Perto está o Reino dos céus’. O que os homens há tanto tempo desejavam (Mt 3:2; 4:17) agora estava próximo. [Pulpit, 1897]

8 Curai os doentes, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios; recebestes de graça, dai de graça.

recebestes de graça, dai de graça. Isto tem que ser interpretado com a conclusão de Mt 10:10 (“o trabalhador é digno de seu sustento”). O trabalhador deve ser pago pelo seu trabalho, contudo milagres e dons da graça não devem ser vendidos. [Bengel, 1860]

9 Não tomeis convosco ouro, nem prata, nem cobre em vossos cintos;

Não tomeis convosco ouro, nem prata, nem cobre (dinheiro) em vossos cintos (o lugar onde se guardava o dinheiro).

10 nem bolsas para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bordão; pois o trabalhador é digno de seu sustento.

o trabalhador é digno de seu sustento. Nosso Senhor enfatiza o princípio de que a liderança eclesiástica deve ser sustentada financeiramente pela Igreja, e não ser obrigada a trabalhar em uma ocupação secular: veja mais sobre isso 1Co 9:14; 1Tm 5:17-18. [Dummelow, 1909]

11 E em qualquer cidade ou aldeia que entrardes, informai-vos de quem nela seja digno, e ficai ali até que saiais.

informai-vos de quem nela seja digno – digno por sua prontidão em receber a oferta do Evangelho e acolher seus ministros. [Whedon, 1874]

12 E quando entrardes na casa, saudai-a.

E quando entrardes na casa – não significa a casa digna, mas a casa em que entrardes primeiro, para julgar se é digna.

saudai-a – dizendo:“Paz seja nesta casa” (Lc 10:5).

13 Se a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; mas se ela não for digna, volte para vós a vossa paz.

venha sobre ela a vossa paz. A saudação deles não deveria ser uma mera formalidade. Seria uma verdadeira oração onde quer que as condições de paz fossem cumpridas do outro lado. Na pior das hipóteses, a oração pela paz abençoaria quem a orasse. [Ellicott, 1905]

14 E quem quer que não vos receber, nem ouvir vossas palavras, quando sairdes daquela casa ou cidade, sacudi o pó de vossos pés.

sacudi o pó de vossos pés“em testemunho contra eles”, como Marcos e Lucas acrescentam (Mc 6:11; Lc 10:11). Através deste ato simbólico eles lançavam de si toda a ligação com tais, e toda responsabilidade pela culpa de rejeitá-los e sua mensagem. Esses atos simbólicos eram comuns nos tempos antigos, mesmo entre os não judeus, como aparece notavelmente em Pilatos (Mt 27:24). E mesmo hoje acontecem no oriente. [JFU, 1871]

15 Em verdade vos digo que no dia do julgamento mais tolerável será para a região de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.

Por que o pecado de Sodoma foi menor? Porque os homens de Sodoma pecaram na ignorância, mas os que rejeitam o evangelho pecam contra a luz.

Direções para o exercício futuro e permanente do ministério cristão

16 Eis que eu vos envio como ovelhas em meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como pombas.

sede prudentes como as serpentes e inofensivos como pombas. As qualidades necessárias para a segurança do viajante desarmado. A prudência e a inofensividade são a defesa dos fracos. “sede prudentes”, precavidos, tendo “sabedoria prática” como a de Paulo quando reivindicou os direitos de cidadão romano em Filipos. A sabedoria de uma serpente é não ser notada. [Cambridge, 1893]

17 Porém tende cuidado com as pessoas; porque vos entregarão em tribunais, e vos açoitarão em suas sinagogas;

Porém tende cuidado com as pessoas; porque vos entregarão em tribunais – as cortes locais, usadas aqui para os magistrados civis em geral.

e vos açoitarão em suas sinagogas – por isso se entende a perseguição nas mãos dos líderes religiosos. [JFB]

18 E até perante governadores e reis sereis levados por causa de mim, para que haja testemunho a eles e aos gentios.

para que haja testemunho a eles (“essa será a oportunidade de falar a meu respeito a eles”, NVT).

e aos gentios. Um indício de que a mensagem deles não ficaria confinada por muito tempo às ovelhas perdidas da casa de Israel. [JFU, 1871]

19 Mas quando vos entregarem, não estejais ansiosos de como ou que falareis; porque naquela mesma hora vos será dado o que deveis falar.

porque naquela mesma hora vos será dado o que deveis falar.  Compare com a coragem de Pedro e João diante do Sinédrio (At 4:13). [Dummelow, 1909]

20 Porque não sois vós os que falais, mas sim o Espírito do vosso Pai que fala em vós.

Como notavelmente isto foi verificado, toda a história da perseguição proclama de forma emocionante – desde os Atos dos Apóstolos até o último martírio. [JFB]

21 E irmão entregará irmão à morte, e pai ao filho; e filhos se levantarão contra os pais, e os matarão.

Exemplos reais de cristãos sendo entregues por seus parentes mais próximos são encontrados nos registros dos mártires, contudo a declaração de Cristo deve ser entendida de maneira mais geral como referência à ruptura de todos os laços de parentesco e afeto por conta do evangelho. [Dummelow, 1909]

22 E sereis odiados por todos por causa de meu nome; mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.

E sereis odiados por todos por causa de meu nome. Compare com esse relato de Tácito (56-117 d.C), um historiador romano: “Nero…realizou as mais cruéis torturas em uma classe odiada por suas abominações: os cristãos (como eles eram popularmente chamados). Cristo, de onde o nome teve origem, sofreu a penalidade máxima durante o reinado de Tibério, pelas mãos de um dos nossos procuradores, Pôncio Pilatos. Pouco após, essa perversa superstição voltou à tona e não somente na Judeia, onde teve origem, como até em Roma, onde as coisas horrendas e vergonhosas de todas as partes do mundo encontram seu centro e se tornam populares. Em seguida, foram presos aqueles que se declararam culpados, então, com as informações deles extraídas, uma imensa multidão foi condenada, não somente pelo incêndio, mas pelo seu ódio contra a humanidade. Ridicularizações de todos os tipos foram adicionadas às suas mortes. Os cristãos eram cobertos com peles de animais, rasgados por cães e deixados a apodrecer; crucificados; condenados às chamas e queimados para que servissem de iluminação noturna quando a luz do dia já tivesse se extinguido.”

23 Quando, então, vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do homem.

Quando, então, vos perseguirem. Tais palavras indicam que essas “instruções” têm um alcance muito mais amplo do que a missão imediata dos apóstolos. Elas são proféticas, tanto chamam à atenção como trazem consolo à Igreja de todas as eras.

até que venha o Filho do homem. A passagem em Lucas 21, que é em grande parte paralela a esta, trata da destruição de Jerusalém; e ninguém que examine cuidadosamente as palavras de nosso Senhor pode ignorar que, em um sentido real, Ele veio na destruição de Jerusalém. Esse acontecimento foi, de fato, o julgamento de Cristo que caiu sobre a nação não arrependida. Neste sentido, o Evangelho não tinha sido pregado a todas as cidades de Israel antes da vinda de Cristo. Mas todas essas palavras apontam para um futuro mais distante. O trabalho missionário cristão continua, e continuará até que Cristo venha novamente para um julgamento final. [Cambridge, 1893]

Direções para o serviço de Cristo em seu sentido mais amplo

24 O discípulo não é superior ao mestre, nem o servo superior ao seu senhor.

Esse provérbio foi usado por Jesus em vários contextos diferentes. Aqui significa que os apóstolos não devem esperar que sejam tratados melhor do que foi seu mestre. Em Lc 6:40, significa que os discípulos de guias espirituais cegos são tão cegos quanto seus mestres. Em Jo 13:16, significa que, já que Jesus lava os pés de outros homens, os discípulos também devem fazer isso. Em Jo 15:20, significa, como em Mateus, que os apóstolos devem esperar as mesmas perseguições que sucederam sobre seu Mestre. [Dummelow, 1909]

25 Seja suficiente ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo como o seu senhor; se ao chefe da casa chamaram de Belzebu, quanto mais aos membros de sua casa!

se ao chefe da casa chamaram de (Mt 12:24) Belzebu. Um nome dado a Satanás. Provavelmente o mesmo que Baal-Zebube, o deus de Ecrom, que significa “o senhor das moscas”, ou, como outros pensam, “o senhor do esterco”. [Easton, 1896]

26 Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não se revelará, nada oculto que não se saberá.

Portanto, não os temais. Uma orientação geral para todos os seguidores de Cristo que são perseguidos. “Não os temais”, pois não podem fazer com você sofra mais do que fizeram Cristo sofrer; e em todas as provações Ele prometeu o mais amplo suporte.

porque nada há encoberto que não se revelará, nada oculto que não se saberá. Deus vê todas as coisas; isto é consolo para os justos e assombro para os ímpios; e “trará a julgamento toda obra, até mesmo tudo o que está encoberto, seja bom ou mal” (Ec 12:14). [Clarke, 1832]

27 O que eu vos digo em trevas, dizei na luz; e o que ouvis ao ouvido, proclamai sobre os telhados.

Não devemos supor que fosse costume do nosso Salvador instruir os apóstolos no meio da noite, ou os ensinar através de sussurros. Aqui, porém, ele usa uma figura de linguagem para transmitir aos seus apóstolos a insignificância da Judeia, onde ele estava falando, em comparação com o mundo inteiro, o qual eles deveriam instruir; e a discrição dos seus sussurros, em comparação com o som que eles enviariam até os confins da terra.

sobre os telhados. O topo das casas na Palestina eram planos, e muitas pessoas ali se reuniam para conversar. Proclamar, portanto, “sobre os telhados”, é o mesmo que pregar onde há um grande ajuntamento de pessoas (Menochio). [Haydock, 1859]

28 E não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei mais aquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno.

temei mais aquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno. Deus, cujo poder se estende para além desta vida. Clemente de Roma, em uma provável referência a esta passagem, diz: “Não devemos temer o homem, mas a Deus”. [Cambridge, 1893]

29 Não se vendem dois pardais por uma pequena moeda? Mas nem um deles cairá em terra contra a vontade de vosso Pai.

Mas nem um deles cairá em terra (exausto ou morto) contra a vontade de vosso Pai – “Nenhum deles é esquecido diante de Deus”, como está em Lucas.  (Lc 12:6). [JFB]

30 E até os cabelos de vossas cabeças estão todos contados.

Veja Lc 21:18 (e compare com 1Sm 14:45; At 27:34).

31 Assim, não tenhais medo; mais valeis vós que muitos pardais.

Será que alguma linguagem de tamanha simplicidade foi tão carregada quanto essa? Mas aqui reside muito do encanto e poder dos ensinamentos de nosso Senhor. [JFB]

32 Portanto, todo aquele que me der reconhecimento diante das pessoas, também eu o reconhecerei diante de meu Pai, que está nos céus.

aquele que me der reconhecimento diante das pessoas – desprezando a vergonha.

também eu o reconhecerei diante de meu Pai, que está nos céus – Não me envergonharei dele, mas o possuirei perante a mais ilustre de todas as assembleias. [JFB]

33 Porém qualquer um que me negar diante das pessoas, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.

O significado é que, no dia do julgamento, o destino dos homens dependerá da atitude deles em relação a Cristo, e da atitude de Cristo em relação a eles. Isso é outra prova da divindade de Cristo. [Dummelow, 1909]

34 Não penseis que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas sim espada.

Não penseis que vim trazer paz à terra. Por causa da minha mansidão e do meu evangelho, vocês poderiam imaginar que enviarei paz, não apenas no espírito, mas objetivamente entre a humanidade. Mas não é assim; minha missão é separar os justos dos ímpios. Minha bondade é atrair para si todo o bem que tem afinidade com ela. E essa afinidade do bem com o bem, e do mal com o mal, produzirá uma divisão, uma contenda, uma espada. Quando o bem avança para um mundo de mal tende a haver guerra. Cada princípio reunirá seus próprios adeptos e seu próprio exército sob sua própria bandeira, e terrível será a luta até que o certo ou o errado, o céu ou o inferno, alcancem a vitória. [Whedon, 1874]

35 Porque eu vim pôr em discórdia o homem contra seu pai, a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra.

eu vim pôr em discórdia. A palavra grega ocorre apenas aqui no Novo Testamento e é rara em outros lugares. A raiz é a mesma que a da palavra traduzida para “cortar em pedaços”. Aqui a ideia da espada divisora continua (Mt 10:34). [Cambridge, 1893]

36 E os inimigos do homem serão os de sua própria casa.

Ainda hoje, homens e mulheres são expulsos de casa por confessarem sua fé em Jesus. Veja esta notícia de um ex-muçulmano que foi agredido, expulso de casa e ameaçado de morte.

37 Quem ama pai ou mãe mais que a mim não é digno de mim; e quem ama filho ou filha mais que a mim não é digno de mim;

Ou seja, acontecerão divisões nas famílias; meus discípulos não devem hesitar em ficar do meu lado, e não com seu pai ou mãe, filho ou filha. A nova vida muda os antigos relacionamentos: tudo é visto agora em referência a Cristo, com quem Seus seguidores estão ligados como mãe, irmãs e irmãos. [Cambridge, 1893]

38 E quem não toma sua cruz e segue após mim não é digno de mim.

E quem não toma sua cruz – isto é, aquele que não está disposto a me seguir até o martírio não é digno de mim. A “cruz” está aqui, não para problemas em geral (embora isso esteja incluído), mas para a crucificação literal, a forma mais dolorosa e degradante de martírio. O criminoso condenado era forçado a carregar (tomar) sua cruz para o local da execução. Cristo aqui indica que ele não apenas já sabia que morreria, mas também de que forma seria. [Dummelow, 1909]

39 Quem achar sua vida a perderá; e quem, por causa de mim, perder sua vida, a achará.

Compare com Lc 17:33, onde o contexto é diferente.

Quem achar sua vida a perderá – isto é, aquele que me nega para salvar a sua vida em tempos de perseguição, a perderá no mundo porvir. Aquele que perde a vida, isto é, pelo martírio, por minha causa, a encontrará no mundo vindouro, ou seja, desfrutará da vida imortal. A passagem também pode ser aplicada à abnegação em geral, pela qual o homem perde sua vida de mundanismo egocêntrico, para encontrá-la novamente ampliada e purificada. [Dummelow, 1909]

40 Quem vos recebe, recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou.

Compare com Lc 10:16.

Quem vos recebe. Aqueles que recebem os representantes de Cristo, os apóstolos e depois deles Seus ministros (isto é, aqueles que creem na mensagem dita em Seu nome), O recebem, e com Ele Seu Pai. [Dummelow, 1909]

41 Quem recebe um profeta por reconhecê-lo como profeta receberá recompensa de profeta; e quem recebe um justo por reconhecê-lo como justo receberá recompensa de justo.

O significado é que aqueles que recebem os apóstolos, porque os reconhecem como profetas, homens justos e discípulos, receberão a mesma recompensa que eles, a vida eterna. [Dummelow, 1909]

42 E qualquer um que der ainda que somente um copo de água fria a um destes pequenos por reconhecê-lo como discípulo, em verdade vos digo que de maneira nenhuma perderá sua recompensa.

a um destes pequenos – um afetuosa designação para os próprios apóstolos [e por extensão, os ministros do evangelho]. Mesmo aqueles que apenas ajudam em sua missão, oferecendo-lhes um copo de água fria durante a jornada, serão recompensados: compare com Mc 9:41.

Alguns entendem que “pequenos” era um título permanente para os alunos dos rabinos, mas falta uma prova clara que sustente isso. [Dummelow, 1909]

<Mateus 9 Mateus 11>

Visão geral de Mateus

No evangelho de Mateus, Jesus traz o reino celestial de Deus à terra e, por meio da sua morte e ressurreição, convoca os seus discípulos a viverem um novo estilo de vida. Tenha uma visão geral deste Evangelho através deste breve vídeo (em duas partes) produzido pelo BibleProject.

Parte 1 (9 minutos).

🔗 Abrir vídeo no Youtube.

Parte 2 (8 minutos).

🔗 Abrir vídeo no Youtube.

Leia também uma introdução ao Evangelho de Mateus.

Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles – fevereiro de 2018.