Bíblia

Lucas 21

A oferta da viúva pobre

1 E ele, olhando, viu os ricos lançarem suas ofertas na arca do tesouro do templo.

na arca do tesouro do templo. Um lugar no pátio do templo onde treze arcas foram colocadas para receber as ofertas do povo para manutenção dele (2Rs 12:9; Jo 8:20). Por causa do seu formato, essas arcas eram chamadas de trombetas, visto que eram largas de um lado e estreitas do outro. [JFU, 1871]

2 E viu também uma pobre viúva lançar ali duas pequenas moedas.

duas pequenas moedas (ou então, “duas moedas de cobre”, NVI) – eram as moedas judaicas de menor valor que haviam. Nos nossos dias valeriam o suficiente para comprar dois pães franceses.

3 E disse: Em verdade vos digo que esta pobre viúva lançou mais do que todos,

E disse“a seus discípulos”, a quem Ele “chamou a si” (Mc 12:43), para ensinar a partir dele uma grande lição futura.

lançou (como oferta) mais do que todos – em proporção aos seus recursos, que é o padrão de julgamento de Deus (2Co 8:12). [JFU, 1871]

4 porque todos estes deram do que lhes sobrava, ela, porém, da sua pobreza deu tudo o que tinha para o seu sustento.

estes deram do que lhes sobrava. A essência da oferta é a abnegação.

O sermão profético: o princípio das dores

5 E alguns estavam falando do templo, que era adornado com formosas pedras e ofertas. Então Jesus disse:

adornado comofertas. As ofertas não eram restritas a dinheiro, mas poderiam ser qualquer coisa dedicada a Deus. Antigos guerreiros dedicavam a seus deuses o saque da guerra – os escudos, capacetes, armaduras e roupas dos mortos em batalha. Estes eram pendurados nos templos. Parece que algo desse tipo ocorreu no templo de Jerusalém, e que o povo, para expressar sua gratidão a Deus, havia fixado na sua parte externa presentes e ofertas dedicas ao templo. Josefo menciona particularmente uma “videira” dourada com a qual Herodes, o Grande havia adornado as colunas do templo. [Barnes, 1870]

6 Quanto ao que vedes, dias virão, em que não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada.

Cerca de quarenta anos depois, em 70 d.C, as palavras do Senhor se cumpriram, apesar do forte desejo de Tito de poupar o templo. Josefo, escrevendo sobre a completa destruição da cidade e do templo, diz que, com exceção das três grandes torres de Herodes e parte do muro ocidental, toda a cidade foi de tal forma arrasada que ninguém que a visitasse acreditaria que alguma vez tivesse sido habitada. [Pulpit, 1895]

7 E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, quando, pois, serão essas coisas? E que sinal haverá, quando essas coisas estiverem para acontecer?

perguntaram-lhe – Pedro, Tiago, João e André (Mc 13:3).

quando, pois, serão essas coisas? E que sinal haverá. A primeira pegunta ele deixa sem resposta (ver em Lc 17:20), e só aborda a segunda. Este foi o Seu método gentil de desencorajar perguntas irrelevantes ou inadmissíveis (compare com Lc 13:23-24). [Cambridge, 1891]

8 Então ele disse: Cuidado para que não vos enganem, porque muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou eu!' e também 'o tempo já está perto'; portanto não os sigais.

dizendoo tempo já está perto (ou então, “Chegou a hora!”, NVT) – ou seja, afirmando que o Reino já chegou em toda a sua glória.

9 E quando ouvirdes de guerras, e de rebeliões, não vos espanteis. Porque é necessário que estas coisas aconteçam primeiro; mas ainda não é o fim.

Os historiadores do primeiro século, Josefo e Tácito, descrevem o período que se seguiu imediatamente à Crucificação como cheio de guerras, crimes, violências, terremotos. “Era um tempo”, diz Tácito, “rico em desastres, horrível com batalhas, dilacerado por revoltas, selvagem até na própria paz”. [Pulpit, 1895]

10 Então lhe disse: Então se levantará nação contra nação, e reino contra reino.

Mateus e Marcos (Mt 24:8; Mc 13:8) acrescentam: “Todas estas coisas são o princípio das dores”, ou como as dores de parto (Jr 4:31, etc.). [JFU, 1871]

11 E haverá em vários lugares grandes terremotos e fomes, e pragas; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu.

haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu – estas palavras tiveram seu cumprimento primário nos fenômenos assombrosos que foram vistos antes da destruição de Jerusalém, e que são particularmente descritos por Josefo no sexto livro de sua história das guerras judaicas. Uma cumprimento mais terrível é esperado quando o “fim do mundo” se aproximar. [Edwads, 1851]

12 Mas antes de tudo isto vos hão de prender e perseguir, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença de reis e governadores por causa do meu nome;

O livro de Atos confirma tudo isso. Confira At 4:3; 5:17-41; 6:11-13.

13 e isto vos acontecerá para haver testemunho.

Em outras palavras, “Essa, contudo, será sua oportunidade de lhes falar sobre mim” (NVT).

14 Portanto, que vós decidais nos vossos corações não planejar como direis em vossa defesa,

que vós decidais nos vossos corações – ou então, “convençam-se de uma vez” (NVI), que devem sempre depender de Deus para ajudá-los em todas provações. Veja Mc 13:11. [Barnes, 1870]

15 porque eu vos darei boca e sabedoria, para que todos os que forem contra vós não posam vos contradizer ou resistir.

eu vos darei boca e sabedoria – ou então, ” as palavras certas e tanta sabedoria” (NVT).

16 E vós sereis traídos até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos; e alguns de vós serão mortos.

sereis traídos. Como consequência das desuniões profetizadas em Lc 12:53; Mt 10:21.

17 E vós sereis odiados por todos por causa do meu nome.

Todos os registros do cristianismo primitivo testemunham conjuntamente o ódio universal com o qual a nova seita era vista por pagãos e também por judeus. As palavras dos judeus romanos relatadas em At 28:22 bem resumem isso: “quanto a esta seita, conhecemos que em todo lugar há quem fale contra ela” (ver também At 24:5 e 1Pe 2:12). Os escritores romanos Tácito, Plínio e Suetónio, dão o mesmo testemunho. [Pulpit, 1895]

18 Mas nem um cabelo de vossa cabeça parecerá.

Esta fala, por razões óbvias (basta ler os versículos anteriores), não deve ser entendida literalmente. O comentário de Bengel a parafraseia com precisão: “Nenhum fio de sua cabeça perecerá sem a providência especial de Deus, nem sem recompensa, nem antes do tempo devido”. As palavras também tiveram um cumprimento geral; pois a comunidade cristã da Palestina, advertida por esse mesmo discurso do Senhor, fugiu a tempo da cidade condenada e escapou do extermínio que atingiu o povo judeu na grande guerra que terminou na queda de Jerusalém (70 d.C.). [Pulpit, 1895]

19 Por vossa perseverança ganhareis vossas almas.

A necessidade de paciência e perseverança até o fim é frenquentemente enfatizada no Novo Testamento: Rm 5:3; 2Ts 3:4; Hb 10:36; Tg 1:4, etc. A resistência, não a violência, é a proteção do cristão, e salvará a alma, e a verdadeira vida , mesmo que perca tudo o mais. [Cambridge, 1891]

O sermão profético continua: a grande tribulação

20 Mas quando virdes os exércitos cercarem Jerusalém, então sabei que está próxima a sua desolação.

a sua desolação (“destruição”, NVT). Quarenta anos depois destas palavras serem ditas, no ano 70 d.C, Jerusalém é totalmente destruída pelo general romano Tito.

21 Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; e os que estiverem no meio dela, saiam, e os que estiverem nos campos, não entrem nela.

O historiador Eusébio conta que, na invasão romana, os cristãos fugiram para Pela, na extremidade norte da Peréia, “profeticamente dirigidos”; talvez por alguma profecia ainda mais explícita do que esta. [JFU, 1871]

22 Porque estes são dias de vingança, para que todas as coisas que estão escritas se cumpram.

para que todas as coisas que estão escritas se cumpram. Quase todos os profetas ameaçaram julgamento divino contra aquela cidade ímpia. Eles falaram de seus crimes e ameaçaram sua ruína. Uma vez Deus destruiu Jerusalém e levou o povo para Babilônia; mas seus crimes haviam se repetido quando eles retornaram, e Deus novamente ameaçou sua ruína. Esta destruição foi particularmente predita por Daniel, Dn 9:26; “E depois das sessenta e duas semanas o Messias será exterminado, e nada terá para si; e o povo do príncipe que virá destruirá à cidade e o santuário; o fim dela será com inundação, e até o fim da guerra estão determinadas assolações”. [Barnes, 1870]

23 Mas ai das grávidas, e das que amamentarem naqueles dias; porque grande calamidade haverá na terra, e ira contra este povo.

ai das grávidas, e das que amamentarem. O “ai” é uma expressão de piedade por elas, visto que a fuga delas seria difícil ou até mesmo impossível.

grande calamidade haverá na terra, e ira contra este povo. 1Ts 2:16: “a ira veio sobre eles até o fim”. Josefo diz que, quando não havia mais nada para saquear ou matar, após “massacres e misérias inacreditáveis”, Tito ordenou que a cidade fosse arrasada tão completamente que parecesse um lugar que nunca havia sido habitado. [Cambridge, 1891]

24 Muitos cairão ao fio da espada e serão levados cativos para todas as nações, e Jerusalém será pisada pelos gentios, até se completarem os tempos deles.

Muitos cairão ao fio da espada. Diz-se que 1.100.000 judeus morreram na guerra e no cerco romano. “Parece que toda a raça havia marcado um encontro para o extermínio” (Renan).

serão levados cativos para todas as nações. Josefo fala de 97.000 judeus enviados para várias províncias e para as minas egípcias.

Jerusalém será pisada pelos gentios. Todos os tipos de gentios – romanos, sarracenos, persas, francos, noruegueses, turcos – têm “pisado” Jerusalém desde então. O estai patounmene (“será pisada”) do original grego implica um resultado mais permanente do que o futuro simples. Leia também Ap 11:2.

até se completarem os tempos (ou então, “as oportunidades”) deles – ou seja, até se completar o período estabelecido para a plena evangelização dos gentios. Rm 11:25: “o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios tenha entrado”. [Cambridge, 1891]

O sermão profético continua: a volta do Filho do Homem

25 E haverá sinais no sol, na lua, e nas estrelas; e na terra sofrimento entre as nações, como o rugir e agitar do mar.

haverá sinais no sol, na lua, e nas estrelas. Segundo Mt 24:29: “o sol se escurecerá, a lua não dará o seu brilho, as estrelas cairão do céu, e as forças dos céus se estremecerão”.

26 As pessoas desmaiarão de medo e pela expectativa das coisas que vão acontecer ao mundo, porque os poderes dos céus serão abalados.

desmaiarão de medo – ou então, “ficarão aterrorizadas” (NVT).

os poderes dos céus serão abalados. Como se a vinda de Cristo perturbasse por um tempo a estrutura do sistema planetário. O abalo, porém, pode ser apenas a percepção daqueles que observarem o fenômeno. [Whedon, 1874]

27 E então verão o Filho do homem vir em uma nuvem com grande poder e glória.

verão o Filho do homem vir em uma nuvem. Compare com At 1:11; Mt 26:64; Ap 14:14.

28 Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima, e levantai vossas cabeças, porque vossa redenção está perto.

olhai para cima, e levantai vossas cabeças – ou então, “levantem-se e ergam a cabeça” (NVI). A destruição que ocorrerá no cumprimento destas palavras, causando terror nas almas daqueles que se limitaram às esperanças materiais, será para o cristão um sinal encorajador, já que este procura um novo céu e uma nova terra. [McGarvey e Pendleton, 1914]

29 E disse-lhes uma parábola: Olhai a figueira, e todas as árvores;

Olhai a figueira, e todas as árvores. Cristo falou isso do monte das Oliveiras na primavera, pouco antes da páscoa; quando as folhas das árvores estavam árvores. [Wesley, 1765]

30 quando começarem a brotar, sabeis por vós mesmos, ao vê-las, que o verão está próximo;

quando começarem a brotar – ou então, “Quando as folhas aparecem [começarem a brotar] (NVT).

31 assim também vós, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Reino de Deus já está perto.

o Reino – ao qual a velha Jerusalém deve dar lugar. Compare com Lc 9:27. Depois que os maus vinhateiros (lavradores a quem a vinha tinha sido arrendada) foram mortos, a vinha foi arrendada a outros (Mt 21:41,43). [Bengel, 1742]

32 Em verdade vos digo, que esta geração não passará, até que tudo aconteça.

Se tomarmos isso como significando que o todo se cumpriria dentro dos limites da geração então atual, ou, de acordo com uma maneira usual de falar, que a geração então existente não passaria sem ver um cumprimento iniciado desta predição, os fatos correspondem inteiramente. Pois ou o todo se cumpriu na destruição realizada por Tito, como muitos pensam; ou se o estendemos, segundo outros, até a completa dispersão dos judeus um pouco mais tarde, sob Adriano, todas as demandas das palavras de nosso Senhor parecem ser cumpridas. [JFU]

33 O céu e a terra passarão, mas minhas palavras de maneira nenhuma passarão.

A expressão mais forte possível da autoridade divina pela qual Ele falou; não como Moisés ou Paulo poderiam ter dito de sua própria inspiração, pois tal linguagem seria inadequada em qualquer boca meramente humana. [JFB]

O sermão profético continua: a vigilância

34 E olhai por vós, para que vossos corações não venham a se encher de glutonaria e embriaguez, e das preocupações desta vida; e vos venha aquele dia de surpresa.

E olhai por vós – ou então, “Tenham cuidado!” (NVT).

não venham a se encher de glutonaria (“libertinagem”, NVT; ou então, “farras”, NVT) e embriaguez (“bebedeiras”, NVT).

35 Porque virá como uma armadilha sobre todos os que habitam sobre a face de toda a terra.

virá como uma armadilha – de repente, ou então, “inesperadamente” (NVT).

sobre todos os que habitam sobre a face de toda a terra – ou então sobre todos os que a habitam a face desta terra. A terra da Judeia, na qual esses pesados ​​julgamentos cairiam. Compare com Lc 2:1. [Clarke, 1832]

36 Então vigiai sempre, orando para que sejais considerados dignos de escaparem de todas as coisas que irão acontecer, e de ficarem de pé diante do Filho do homem.

vigiai sempre – ou então, “estejam sempre atentos” (NVI).

dignosde ficarem de pé diante do Filho do homem. “Os ímpios não subsistirão no juízo”, Sl 1:5. “quem subsistirá, quando ele aparecer?”, Ml 3:2. [Cambridge, 1891]

37 E ensinava durante os dias no Templo, porém, às noites saía e as passava no monte, chamado das Oliveiras.

no montedas Oliveiras – provavelmente em Betânia, que ficava na encosta leste deste monte (Mt 21:17). [Whedon, 1874]

38 E todo o povo ia cedo ao templo ter com ele para o ouvir.

Todos os relatos indicam o intenso interesse das pessoas pelos seus ensinamentos durante esta última semana. O Senhor ensinava no templo durante o dia, mas passava as noites em Betânia ou no Monte das Oliveiras. [Johnson, 1891]

<Lucas 20 Lucas 22>

Leia também uma introdução ao Evangelho de Lucas.

Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles – março de 2020.