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Mateus 13

Jesus ensina através de parábolas

(Mc 4:1-34; Lc 8:4-18; Lc 13:18-20)

1 Naquele dia, Jesus saiu de casa e se sentou junto ao mar.
2 E ajuntaram-se perto dele tantas multidões, de maneira que ele entrou num barco e se sentou; e toda a multidão ficou na praia,

e se sentou; e toda a multidão ficou na praia – Como esta descrição é visual! – sem dúvida da pena de uma testemunha ocular, ele mesmo impressionado com a cena. Foi “o mesmo dia” no qual o discurso anterior foi feito, quando Seus parentes O consideraram “fora de si” por Sua indiferença à comida e repouso – naquele mesmo dia, retirando-se para a praia da Galileia; e sentando-se ali mesmo, talvez para se refrescar e descansar, as multidões se reúnem novamente ao redor Dele, e ele deseja se afastar delas, no barco normalmente mantido em prontidão para Ele; mas apenas para começar, sem esperar pelo repouso, uma nova sequência de ensino por parábolas para as multidões ansiosas que se alinhavam na praia. Às parábolas de nosso Senhor, não há nada em toda a linguagem para comparar, por simplicidade, graça, plenitude e variedade de ensinamentos espirituais. Elas são adaptadas a todas as classes e estágios de progresso, sendo compreendidas por cada um de acordo com a medida de sua capacidade espiritual. [JFB]

3 E ele lhes falou muitas coisas por parábolas. Ele disse: Eis que o semeador saiu a semear.

E ele lhes falou muitas coisas por parábolas. Ele disse… – Estas são SETE parábolas; e não é de se estranhar que, embora este seja o número sagrado, as primeiras QUATRO delas foram faladas à multidão, enquanto as TRÊS restantes foram faladas aos Doze em particular – essas divisões, quatro e três, são elas próprias notáveis na aritmética simbólica das Escrituras. Outra coisa notável na estrutura dessas parábolas é que enquanto a primeira das Sete – a do Semeador – é da natureza de uma Introdução ao todo, as Seis restantes consistem em três pares – a Segunda e a Sétima, a Terceira e Quarta, e a Quinta e Sexta, correspondendo uma a outra; cada par apresentando as mesmas verdades gerais, mas com aspectos diferentes. Tudo isso dificilmente pode ser acidental.

O semeador

(Mt 13:3-9, Mt 13:18-23).

4 E enquanto semeava, caiu parte das sementes junto ao caminho, e vieram as aves e a comeram.

Esta parábola pode ser intitulada “O EFEITO DA PALAVRA DEPENDE DO ESTADO DO CORAÇÃO”. [JFB]

5 E outra parte caiu entre pedras, onde não havia muita terra, e logo nasceu, porque não tinha terra funda.
6 Mas quando o sol surgiu, queimou-se; e por não ter raiz, secou-se.
7 E outra parte caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram.
8 E outra parte caiu em boa terra, e rendeu fruto: um a cem, outro a sessenta, e outro a trinta.
9 Quem tem ouvidos, ouça.
10 Então os discípulos se aproximaram, e lhe perguntaram: Por que falas a eles por parábolas?

Então os discípulos se aproximaram, e lhe perguntaram — “os que estavam com ele, quando estavam a sós” (Mc 4:10).

Por que falas a eles por parábolas? — Embora antes disso Ele tivesse formulado algumas coisas na forma parabólica, para uma ilustração mais vívida, parece que Ele agora, pela primeira vez, empregou formalmente este método de ensino. [JFB]

11 E ele respondeu: Porque a vós é dado saber os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não é dado.

E ele respondeu: Porque a vós é dado saber os mistérios do Reino dos céus – A palavra “mistérios” nas Escrituras não é usada no seu sentido clássico – de segredos religiosos, nem ainda de coisas incompreensíveis, ou em sua própria natureza difícil de ser entendida – mas no sentido de coisas de revelação puramente divina e, geralmente, coisas obscuramente anunciadas sob a antiga dispensação, e durante todo esse período obscuramente compreendida, mas totalmente anunciada sob o Evangelho (1Co 2:6-10; Ef 3:3-6,8-9). “Os mistérios do reino dos céus”, então, significam aquelas gloriosas verdades do Evangelho que, naquela época, somente os discípulos mais avançados podiam apreciar, e apenas parcialmente.

mas a eles não é dado – (Veja em Mt 11:25). As parábolas servem ao duplo propósito de revelar e ocultar; apresentando “os mistérios do reino” àqueles que os conhecem e apreciam, embora em grau tão pequeno, numa luz nova e atraente; mas para aqueles que são insensíveis às coisas espirituais, produzindo apenas, como tantas histórias, algum entretenimento temporário. [JFB]

12 Pois a quem tem, lhe será dado, e terá em abundância; mas a quem não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.

Pois a quem tem — isto é, guarda; como uma coisa que ele valoriza.

lhe será dado, e terá em abundância — Ele será recompensado por um aumento do que ele tanto valoriza.

mas a quem não tem — quem é indiferente, como algo sobre o qual ele não dá valor.

até aquilo que tem lhe será tirado — ou como é em Lucas (Lc 8:18), “o que parece ter”, ou, pensa que ele tem. Este é um princípio de imensa importância e, como outros ditos importantes, parece ter sido proferido por nosso Senhor em mais de uma ocasião e em diferentes relações (Veja em Mt 25:9). Como um grande princípio ético, vemos isso em operação em toda parte, sob a lei geral do hábito; em virtude do qual os princípios morais se tornam mais fortes pelo exercício, enquanto que, por desuso, ou pelo exercício de seus contrários, eles se tornam mais fracos e, por fim, extinguem-se. O mesmo princípio reina no mundo intelectual, e até mesmo no animal – se não no vegetal também – como os fatos da fisiologia provam suficientemente. Aqui, no entanto, é visto como uma ordenação divina, como uma justiça retributiva em operação contínua sob a administração divina. [JFB]

13 Por isso falo a eles por parábolas; porque vendo, não veem; e ouvindo, não ouvem, nem entendem.

Por isso falo a eles por parábolas – que nosso Senhor, observa-se, não começou a fazer até que Seus milagres fossem malignamente atribuídos a Satanás.

porque vendo, não veem – Eles “viram”, pois a luz brilhou neles como nunca a luz brilhou antes; mas eles “não viram”, pois fecharam os olhos.

e ouvindo, não ouvem, nem entendem – Eles “ouviram”, porque Ele ensinou-lhes como “nunca homem algum falou”; mas eles “não ouviram”, pois não aceitaram nada, não apreendendo as palavras vivificantes e penetrantes que lhes eram dirigidas. Nos Evangelhos de Marcos e Lucas (Mc 4:12; Lc 8:10), o que é aqui expresso como um fato humano é representado como o cumprimento de um propósito divino – “para que, vendo, vejam e não percebam”, etc. A explicação disso está na afirmação do verso precedente (12) – que, por uma lei fixa da administração divina, o dever que os homens voluntariamente se recusam a fazer, e de fato não fazem, eles finalmente se tornam moralmente incapazes de fazer. [JFB]

14 Assim neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: De fato ouvireis, mas não entendereis; De fato vereis, mas não percebereis.

a profecia de Isaías, que diz – (Is 6:9-10 – aqui citada de acordo com a Septuaginta).

e fato ouvireis, mas não entendereis… – Eles foram judicialmente selados sob a escuridão e a obstinação que eles deliberadamente preferiram à luz e cura que Jesus trouxe para eles. [JFB]

15 Porque o coração deste povo está insensível; Com seus ouvidos dificilmente ouvem, e seus olhos fecharam; A fim de não haver que seus olhos vejam, seus ouvidos ouçam, Seus corações entendam, e se arrependam, E eu os cure.
16 Mas benditos são os vossos olhos, porque veem; e os vossos ouvidos, porque ouvem.

Isto é, “feliz vós, cujos olhos e ouvidos, voluntariamente e alegremente abertos, estão bebendo na luz divina”. [JFB]

17 Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, mas não viram; e desejaram ouvir o que vós ouvis, mas não ouviram.

Os discípulos não foram apenas mais abençoados do os que se fizeram de cegos, mas, também favorecidos acima dos mais honrados e melhores que viviam sob a antiga dispensação, que tinham apenas vislumbres das coisas do novo reino, apenas o suficiente para acender neles desejos de não foram cumpridos em seus dias. Em Lc 10:23,24, onde a mesma palavra é repetida no retorno dos Setenta – as palavras, em vez de “muitos profetas e justos”, são “muitos profetas e reis”; porque vários dos santos do Antigo Testamento eram reis. [JFB]

18 Portanto, ouvi vós a parábola do semeador:
19 Quando alguém ouve a palavra do Reino e não a entende, o maligno vem e arranca o que foi semeado em seu coração; este é o que foi semeado junto ao caminho.
20 E o que foi semeado entre as pedras é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria,
21 mas não tem raiz em si mesmo. Em vez disso, dura um pouco, mas quando vem a aflição ou a perseguição pela palavra, logo tropeça na fé.
22 E o que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, mas a ansiedade com o tempo presente e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica sem dar fruto.
23 Mas o que foi semeado em boa terra, este é o que ouve e entende a palavra, e o que dá e produz fruto, um a cem, outro a sessenta, e outro a trinta.

O joio e o trigo

(Mt 13:24-30, Mt 13:36-43).

24 E ele lhes declarou outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é semelhante a um homem que semeia boa semente em seu campo,

O trigo e o joio e os peixes bons e maus. O assunto de ambas as parábolas – que ensinam a mesma verdade, com uma pequena diversidade de aspectos – é: O caráter misto do reino em seu estado atual e a separação absoluta final das duas classes.

Felizmente para nós, estas excelentes parábolas são, com uma simplicidade e clareza encantadoras, expostas a nós pelo Grande Pregador. [JFB]

25 Mas, enquanto as pessoas dormiam, o inimigo dele veio, semeou joio entre o trigo, e foi embora.
26 E, quando a erva cresceu e produziu fruto, então apareceu também o joio.

O crescimento em ambos os casos é paralelo, como os princípios antagônicos são vistos.[JFB]

27 Então os servos do dono da propriedade chegaram, e lhe perguntaram: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? De onde, pois, veio o joio?'

Então os servos do dono da propriedade chegaram – isto é, os ministros de Cristo.

e lhe perguntaram: “Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? De onde, pois, veio o joio? – Isto bem expressa a surpresa, o desapontamento e a ansiedade dos fiéis crentes em Cristo na descoberta de “falsos irmãos” entre os membros da Igreja. [JFB]

28 E ele lhes respondeu: 'Um inimigo fez isto'. Em seguida, os servos lhe perguntaram: 'Queres, pois, que vamos e o tiremos?'

E ele lhes respondeu: ‘Um inimigo fez isto’ – Palavras gentis de um bom lavrador, honrosamente absorvendo Seus servos fiéis do mal feito ao seu campo.

os servos lhe perguntaram: ‘Queres, pois, que vamos e o tiremos?’ – Compare com isso a questão de Tiago e João (Lc 9:54), “Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e consuma” aqueles samaritanos? Nesse tipo de zelo, geralmente há uma grande mistura de cólera carnal. (Veja Tg 1:20). [JFB]

29 Ele, porém, lhes respondeu: 'Não, para não haver que, enquanto tirais o joio, arranqueis com ele também o trigo.

Ele, porém, lhes respondeu: ‘Não – “Isso será feito no devido tempo, mas não agora, nem é da sua conta.”

para não haver que, enquanto tirais o joio, arranqueis com ele também o trigo – Nada poderia mais clara ou forçosamente ensinar a dificuldade de distinguir as duas classes, e a alta probabilidade de que, na tentativa de fazê-lo, elas sejam confundidas. [JFB]

30 Deixai-os crescer ambos juntos até a colheita; e no tempo da colheita direi aos que colhem: 'Recolhei primeiro o joio, e amarrai-o em molhos, para o queimarem; mas ao trigo ajuntai no meu celeiro'.

Deixai-os crescer ambos junto – isto é, na Igreja visível.

até a colheita – até que um tenha amadurecido para a salvação completa, o outro para a destruição. (Veja em Mt 13:39).

e no tempo da colheita direi aos que colhem – (Veja em Mt 13:39).

mas ao trigo ajuntai no meu celeiro – Cristo, como o juiz, separará as duas classes (como em Mt 25:32). Observa-se que o joio é queimado antes do trigo ser guardado; na exposição da parábola (Mt 13:41,43) a mesma ordem é vista: e a mesma em Mt 25:46 – como se, em algum sentido literal, “com os teus olhos olharás e verás a recompensa dos ímpios” (Sl 91:8). [JFB]

O grão de mostarda

(Mt 13:31, Mt 13:32)

31 Ele lhes propôs outra parábola: O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que alguém tomou e semeou no seu campo.
32 De fato, dentre todas as sementes, esta é a menor. Mas quando cresce, é a maior das hortaliças; e se torna tamanha árvore, que as aves do céu vêm e se aninham em seus ramos.

De fato, dentre todas as sementes, esta é a menor – não absolutamente, mas popularmente e proverbialmente, como em Lc 17:6: “Se tivésseis fé como um grão de mostarda”.

Mas quando cresce, é a maior das hortaliças – não absolutamente, mas em relação ao pequeno tamanho da semente, e em proporções proverbialmente grandes.

e se torna tamanha árvore, que as aves do céu vêm e se aninham em seus ramos – Isto é adicionado, sem dúvida, para expressar a amplitude da árvore. Mas como essa semente tem um vigor ardente e ardente, dá suas melhores virtudes quando machucada, e é grata ao gosto das aves, que são atraídas aos seus ramos tanto por abrigo como por comida, está forçando a parábola, pergunta Trench, supor que, além do maravilhoso crescimento de Seu reino, nosso Senhor selecionou esta semente para ilustrar melhor o abrigo, repouso e bem-aventurança que ela está destinada a dar às nações do mundo?

O fermento

33 Ele lhes disse outra parábola: O Reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou em três medidas de farinha, até que tudo ficasse fermentado.

Esta parábola, enquanto ensina a mesma verdade geral que a anterior, sustenta, talvez, o interior crescimento do reino, enquanto “a Semente de Mostarda” parece apontar principalmente para o exterior. Sendo um trabalho de mulher amassar, parece um refinamento dizer que “a mulher” aqui representa a Igreja, como instrumento de depósito do fermento. Tampouco produz muita satisfação compreender as “três medidas de refeição” dessa tríplice divisão de nossa natureza em “espírito, alma e corpo”, aludidas em 1Ts 5:23 ou na tripla divisão do mundo entre os três filhos de Noé (Gn 10:32), como alguns fazem. Ela oferece mais satisfação real ao ver nesta breve parábola apenas a qualidade totalmente penetrante e assimiladora do Evangelho, em virtude da qual ainda moldará todas as instituições e tribos de homens, e exibirá sobre toda a terra um “reino de nosso Senhor”. e do seu Cristo.

34 Tudo isto Jesus falou por parábolas às multidões. Sem parábolas ele não lhes falava,

Isto é, nesta ocasião; abstendo-se não só de todo discurso nu, mas até mesmo de toda interpretação dessas parábolas à multidão mista.

35 para que se cumprisse o que foi falado pelo profeta, que disse: Abrirei a minha boca em parábolas; Pronunciarei coisas escondidas desde a fundação.

Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta, dizendo: (Sl 78:2, quase como na Septuaginta).

Abrirei a minha boca em parábolas… – Embora o Salmo pareça conter apenas um resumo da história israelita, o próprio salmista chama isto de “parábola” e “ditos obscuros da antiguidade” – como contendo, por baixo da história, verdades de todos os tempos, não totalmente trazidas à luz até o dia do Evangelho.

36 Então Jesus despediu as multidões, e foi para casa. Seus discípulos se aproximaram dele, e disseram: Explica-nos a parábola do joio do campo.

Na parábola do Semeador, “a semente é a palavra de Deus ”(Lc 8:11). Mas aqui essa palavra foi recebida no coração, e converteu aquele que a recebeu em uma nova criatura, um “filho do reino”, de acordo com aquela declaração de Tiago (Tg 1:18), “De Sua própria vontade gerou Ele nos com a palavra da verdade, que devemos ser uma espécie de primeiros frutos de Suas criaturas. “É digno de nota que este vasto campo do mundo é aqui dito ser o próprio de Cristo -” Seu campo “, diz a parábola. (Veja Sl 2:8).

37 E ele respondeu: O que semeia a boa semente é o Filho do homem.
38 E o campo é o mundo; e a boa semente, estes são os filhos do Reino; e o joio são os filhos do maligno.

o joio são os filhos do maligno – Como essa semeadura só poderia ser “enquanto os homens dormiam”, nenhuma culpa parece destinada, e certamente nenhuma é imputada aos “servos”; provavelmente é apenas o vestido da parábola.

39 E o inimigo, que o semeou, é o diabo; e a colheita é o fim da era; e os que colhem são os anjos.

E o inimigo, que o semeou, é o diabo – enfaticamente “Seu inimigo” (Mt 13:25). (Veja Gn 3:15; 1Jo 3:8). Por “joio” entende-se, não o que em nossa criação é assim chamado, mas alguma planta nociva, provavelmente perdida. “O joio são os filhos do maligno”; e por serem semeados “no meio do trigo”, significa que foram depositados no território da Igreja visível. Como eles se assemelham aos filhos do reino, assim eles são produzidos, ao que parece, por um processo similar de “semear” – as sementes do mal sendo espalhadas e alojadas no solo daqueles corações sobre os quais cai a semente do mundo. O inimigo, após semear seu “joio”, “seguiu seu caminho” – seu trabalho sombrio logo acabou, mas demorou para desenvolver seu verdadeiro caráter.

a colheita é o fim da era – o período da segunda vinda de Cristo e da separação judicial entre os justos e os ímpios. Até então, nenhuma tentativa deve ser feita para efetuar tal separação. Mas estender isso até o ponto de justificar permitir que pessoas abertamente escandalosas permaneçam na comunhão da Igreja, é arrancar o ensino desta parábola a outro que não o seu próprio desígnio, e ir no meio das injunções apostólicas (1Co 5: 1-13).

e os que colhem são os anjos – Mas de quem são os anjos? “O Filho do homem enviará os seus anjos” (Mt 13:41). Compare 1Pe 3:22: “Quem foi para o céu e está à direita de Deus; anjos e autoridades e poderes estão sujeitos a ele. ”

40 Portanto, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim também será no fim da era.
41 O Filho do homem enviará seus anjos, e eles recolherão do seu Reino todas as causas do pecado, assim como os que praticam injustiça,

O Filho do homem enviará seus anjos, e eles recolherão do seu Reino – ao qual eles realmente nunca pertenceram. Eles usurparam seu lugar e nome e privilégios externos; mas “os ímpios não subsistem no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos” (Sl 1:5).

todas as coisas que ofendem – todos aqueles que provaram ser um obstáculo para os outros

e os que cometem iniquidade – A primeira classe, como a pior, é mencionada primeiro.

42 e os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes.

E os lançará em uma fornalha de fogo – em vez disso, “a fornalha de fogo”:

Ali haverá choro e ranger de dentes – Que tremenda força da linguagem – o “vazamento” ou “arremesso” expressivo de indignação, aversão, desprezo (compare Sl 9:17; Dn 12:2): “a fornalha de fogo” denotando a ferocidade do tormento: o “choro” significando a angústia que isso causa; enquanto o “ranger de dentes” é uma maneira gráfica de expressar o desespero em que seus problemas de remissão (veja Mt 8:12)!

43 Então os justos brilharão como o sol, no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça.

Então os justos brilharão como o sol, no Reino de seu Pai – como se tivessem estado debaixo de uma nuvem durante a presente associação com os ímpios pretendentes ao seu caráter, e reclamantes de seus privilégios e obstrutores de seu curso.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça – (Veja Mc 4:9).

O tesouro escondido

(Mt 13:44).

44 O Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem, depois de achá-lo, escondeu. Então, em sua alegria, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo.

O assunto deste último par, como dos dois primeiros, é o mesmo, mas também sob uma ligeira diversidade de aspectos: a saber – O valor inestimável das bênçãos do reino. E enquanto a única parábola representa o Reino como “encontrado sem buscar”, o outro proclama o Reino como “procurado e encontrado”.

O Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo – coisa incomum em países instáveis ​​e semi-civilizados, mesmo agora e nos tempos antigos, quando não havia outra maneira de protegê-lo da avidez dos vizinhos ou saqueadores. (Jr 41:8; Jó 3:21; Pv 2:4).

o que quando um homem encontrou – isto é, inesperadamente encontrado.

escondeu. Então, em sua alegria – ao perceber que um tesouro ele tinha acendido, ultrapassando o valor de tudo o que possuía.

vai e vende tudo o que tem e compra aquele campo – caso em que, pela lei judaica, o tesouro se tornaria seu.

A pérola de grande valor

45 O Reino dos céus também é semelhante a um homem negociante, que buscava boas pérolas.

Novamente, o reino dos céus é semelhante a um comerciante, buscando boas pérolas.

46 Quando este achou uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e a comprou.

A única pérola de grande preço, em vez de ser encontrada acidentalmente, como no primeiro caso, é encontrada por alguém cujo negócio é procurar por tal, e quem o encontra apenas no caminho de procurar por tais tesouros. Mas, em ambos os casos, o valor extraordinário do tesouro é igualmente reconhecido, e em ambos é separado por ele.

47 O Reino dos céus também é semelhante a uma rede lançada ao mar, que colhe toda espécie de peixes.

O objeto desta breve parábola é o mesmo que o dos Tara e do Trigo. Mas como seus detalhes são menores, seu ensino é menos rico e variado.

A palavra aqui traduzida “rede” significa uma grande rede de arrastar, que atrai tudo depois dela, não sofrendo nada para escapar, como distinto de uma rede de elenco (Mc 1:16,18). A eficácia de longo alcance do Evangelho é assim denotada. Esta rede do Evangelho “reuniu-se de todo tipo”, significando toda variedade de caráter.

48 E quando está cheia, os pescadores puxam-na à praia, sentam-se, e recolhem os bons em cestos, mas os ruins lançam fora.

Que, quando estava cheio, eles chegaram à margem – pois a separação não será feita até que o número dos eleitos seja realizado.

sentam-se – expressando a intencionalidade com que a separação judicial será feita por longo tempo.

e juntou o bem em vasos, mas lançou o mal – literalmente, “o podre”, mas aqui significando “o peixe sujo” ou “sem valor”: correspondendo ao “joio” da outra parábola.

49 Assim será ao fim da era; os anjos sairão, e separarão dentre os justos os maus,

Assim será ao fim da era…etc (veja Mt 13:42). Dissemos que cada uma dessas duas parábolas apresenta a mesma verdade sob uma ligeira diversidade de aspectos. O que é essa diversidade? Primeiro, os maus, na primeira parábola, são representados como vil semente semeada entre o trigo pelo inimigo das almas; no último, como peixe sujo retirado do grande mar de seres humanos pela própria rede do Evangelho. Ambas são verdades importantes – que o Evangelho atrai dentro de sua clareza e, na comunhão da Igreja visível, multidões que são cristãs apenas no nome; e que o dano assim feito à Igreja na terra deve ser traçado ao iníquo. Mas, além disso, enquanto a primeira parábola dá destaque à mistura atual de bem e mal, na segunda, a proeminência é dada à separação futura das duas classes.

50 e os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes.
51 Entendestes todas estas coisas? Eles lhe responderam: Sim.

Jesus disse a eles – isto é, aos Doze. Ele havia falado os quatro primeiros ouvindo a multidão mista: os três últimos Ele reservou, até a demissão do público misto, Ele e os Doze estavam sozinhos (Mt 13:36, etc.).

52 E ele lhes disse: Portanto todo escriba que se tornou discípulo no Reino dos céus é semelhante a um chefe de casa, que do seu tesouro tira coisas novas e velhas.

Então lhes disse: Portanto, ou como diríamos: Bem, então.

todo escriba – ou professor cristão: aqui chamado daquela classe conhecida entre os judeus. (Veja Mt 23:34).

que se tornou discípulo no Reino dos céus – ele mesmo ensinou nos mistérios do Evangelho que ele tem que ensinar aos outros.

é semelhante a um homem que é um chefe de família que dá à luz – “se volta” ou “corta”.

do seu tesouro – o seu estoque da verdade divina.

coisas novas e velhas – antigas verdades em formas, aspectos, aplicações e com ilustrações sempre novas.

Como Jesus foi considerado por seus parentes

(Mc 6:1-6; Lc 4:16-30)

53 E aconteceu que, quando Jesus acabou essas parábolas, retirou-se dali.

E aconteceu que, quando Jesus terminou essas parábolas, partiu dali.

54 E vindo à sua terra, ensinava-os na sinagoga deles, de tal maneira que ficavam admirados, e diziam: De onde vêm a este tal sabedoria, e os milagres?

E vindo à sua terra – isto é, Nazaré; como está claro em Mc 6:1. Veja em Jo 4:43, onde também ocorre a mesma frase. Isso, de acordo com a maioria dos Harmonistas, foi a segunda de duas visitas que nosso Senhor pagou a Nazaré durante seu ministério público; mas em nossa opinião, foi sua primeira e única visita a ele. Veja em Mt 4:13; e pelas razões, veja Lc 4:16-30.

De onde vêm a este tal sabedoria, e os milagres? – “estes milagres”. Estas certamente não são como as perguntas de pessoas que haviam feito exatamente as mesmas perguntas antes, que, de espanto, haviam se enfurecido, e em sua fúria o expulsaram da sinagoga, e se afastaram até a testa de a colina sobre a qual sua cidade foi construída, para empurrá-lo de cabeça, e que tinha sido frustrado mesmo naquele objeto por sua passagem pelo meio deles, e seguir seu caminho. Mas veja em Lc 4:16, etc.

55 Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?

Não é este o filho do carpinteiro? – Em Marcos (Mc 6:3) a pergunta é: “Não é este o carpinteiro?” Com toda a probabilidade, nosso Senhor, durante a sua permanência sob o teto de Seus pais terrenos, forjou junto com Seu pai legal.

E não se chama sua mãe Maria – “Não sabemos tudo sobre a paternidade dele? Ele não cresceu no meio de nós? Todos os seus parentes não são nossos próprios habitantes? De onde, então, tal sabedoria e tais milagres? ”Estas particularidades da história humana de nosso Senhor constituem o testemunho mais valioso, primeiro, para Sua verdadeira e verdadeira humanidade – pois provam que durante todos os seus primeiros trinta anos Seus homens da cidade nada descobriram. sobre ele diferente de outros homens; em segundo lugar, ao caráter divino de Sua missão – pois esses nazarenos proclamam tanto o caráter inigualável de Seu ensino como a realidade e a glória de Seus milagres, como transcendendo a capacidade humana; e, em terceiro lugar, a Sua maravilhosa humildade e abnegação – em que, quando Ele era o que agora o viam, Ele nunca deu nenhuma indicação disso por trinta anos, porque “Sua hora ainda não havia chegado”.

E seus irmãos Tiago, e José, e Simão e Judas?

56 Não estão todas as suas irmãs conosco? Ora, de onde vem a este tudo isto?

Uma questão extremamente difícil surge aqui – Quais eram esses “irmãos” e “irmãs” para Jesus? Foram eles, primeiro, seus irmãos e irmãs? ou, em segundo lugar, eles eram seus meio-irmãos e meio-irmãs, filhos de José por um casamento anterior? ou, em terceiro lugar, eles eram primos, de acordo com um modo comum de falar entre os judeus, respeitando pessoas de ascendência colateral? Sobre este assunto, um imenso acordo foi escrito, e ainda não há opiniões por qualquer meio acordado. Para a segunda opinião, não há fundamento, mas uma tradição vaga, surgindo provavelmente do desejo de alguma explicação desse tipo. A primeira opinião, sem dúvida, se adapta melhor ao texto em todos os lugares onde as partes são certamente referidas (Mt 12:46; e seus paralelos, Mc 3:31; Lc 8:19; nossa passagem atual e seus paralelos, Mc 6:3 Jo 2:12, Jo 7:3,5,10, At 1:14). Mas, além de outras objeções, muitos dos melhores intérpretes, pensando-o no último grau improvável que nosso Senhor, quando pendurado na cruz, teria comprometido sua mãe a João se ele tivesse seus irmãos completos então vivos, prefira a terceira opinião; embora, por outro lado, não se deva duvidar de que nosso Senhor possa ter boas razões para confiar a tutela de sua mãe duplamente viúva ao discípulo amado, de preferência até mesmo para os irmãos dele mesmo. Assim, duvidosamente, preferimos deixar esta questão complicada, abrangida como é com dificuldades. Quanto aos nomes aqui mencionados, o primeiro deles, “Tiago”, é posteriormente chamado de “o irmão do Senhor” (ver em Gl 1:19), mas talvez não seja confundido com “Tiago, filho de Alfeu, ”Um dos Doze, embora muitos pensem que sua identidade está além da disputa. Esta questão também é de considerável dificuldade, e não sem importância; já que o Tiago, que ocupa um lugar tão proeminente na Igreja de Jerusalém, na última parte dos Atos, era aparentemente o apóstolo, mas é considerado por muitos como “o irmão do Senhor”, enquanto outros acham que sua identidade é mais adequada a todos. as declarações. O segundo daqueles aqui chamado “Joses” (ou Joseph), não deve ser confundido com “Joseph chamado Barsabas, que foi apelidado de Justus” (At 1:23); e o terceiro aqui chamado “Simão” não deve ser confundido com Simão, o Kananita ou Zelote (ver em Mt 10:4). Estes três são em nenhum outro lugar mencionados no Novo Testamento. O quarto e último nome, “Judas”, dificilmente pode ser idêntico ao apóstolo desse nome – embora os irmãos de ambos fossem do nome de “Tiago” – nem (a menos que os dois sejam idênticos, era este Judas) com o autor da epístola católica assim chamado.

57 E ofenderam-se por causa dele. Mas Jesus lhes disse: Não há profeta sem honra, a não ser em sua terra, e em sua casa.
58 E não fez ali muitos milagres por causa da incredulidade deles.

“a não ser que Ele colocou suas mãos em alguns enfermos, e os curou” (Mc 6:5). Veja em Lc 4:16-30.

<Mateus 12 Mateus 14>

Leia também uma introdução ao Evangelho de Mateus.

Adaptado de: Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible. Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles – fevereiro de 2018.