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Mateus 23

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1 Então Jesus falou às multidões, e aos seus discípulos:

Compare com Mt 15:10Mc 7:14Lc 12:1; 20:45.

2 Os escribas e os fariseus se sentam sobre a cadeira de Moisés.

Compare com Ne 8:4-8Ml 2:7Mc 12:38Lc 20:46.

se sentam sobre a cadeira de Moisés – ou seja, “ocuparam o lugar de intérpretes oficiais da lei de Moisés” (NVT).

3 Portanto, tudo o que eles vos disserem, fazei e guardai. Mas não façais segundo as suas obras, porque eles dizem e não fazem.

tudo o que eles vos disserem [sentados na cadeira de Moisés e ensinando a partir da sua lei], fazei e guardai (compare com Mt 15:2-9Ex 18:19-20,23Dt 4:5; 5:27; 17:9-122Cr 30:12At 5:29Rm 13:1). Ou seja, tudo o que eles ensinam que é consistente com a Lei de Moisés – todos os mandamentos de Moisés que eles leem para vocês e explicam corretamente. A palavra “tudo” não poderia ser entendida sem tal restrição, pois o próprio Cristo acusa os “escribas e fariseus” de ensinarem muitas coisas contrárias a essa lei, e de anulá-la por suas tradições (Mt 15:1-6).

porque eles dizem e não fazem (compare com Mt 21:30Sl 50:16-20Rm 2:19-242Tm 3:5Tt 1:16). A interpretação que eles dão à lei é em grande parte correta, mas suas vidas não correspondem ao seu ensino. Não é dever das pessoas imitar seus mestres, a menos que suas vidas sejam puras; devem obedecer à lei de Deus e não moldar sua vida pelo exemplo de pessoas más. [Barnes, 1870]

4 Eles amarram cargas pesadas, difíceis de carregar, e as põem sobre os ombros das pessoas; porém eles mesmos nem sequer com o seu dedo as querem mover.

Compare com Mt 23:23; 11:28-30Lc 11:46At 15:10,28Gl 6:13Ap 2:24.

amarram cargas pesadas – uma metáfora para sobrecarregar um animal de carga. As “cargas”, que eles “amarram”, são as complexas e problemáticas observâncias que os escribas acrescentaram à Lei escrita, e declararam ser mais obrigatórias do que a própria Lei: veja em Mt 15:2. O único ponto positivo sobre os saduceus era que eles rejeitavam essas tradições humanas.

porém eles mesmos nem sequer com o seu dedo as querem mover – muito menos as carrega sobre os ombros. Eles exigem que seus discípulos cumpram as difíceis regras, que eles próprios não observam, ou (como os outros interpretam) não estendem um dedo para acomodar esses encargos legais nas costas dos outros, para que possam confortavelmente suportá-los. [Dummelow, 1909]

5 E fazem todas as suas obras a fim de serem vistos pelas pessoas: por isso alargam seus filactérios, e aumentam as franjas das suas vestes.

fazem todas as suas obras a fim de serem vistos pelas pessoas (compare com Mt 6:1-16; Lc 16:15; 20:47; 21:1Jo 5:44; 7:18; 12:43Fp 1:15; 2:32Ts 2:4).

filactérios. São tiras de pergaminho nas quais estão escritos esses quatro textos: (1) Ex 13:1-10; (2) 11-16; (3) Dt 6:4-9; (4) 11:18-21, e que são colocados dentro de uma caixa de couro quadrada. Esta caixa é presa por tiras na testa entre os olhos. [Easton, 1896]

Jovem judeu estudando sua Torá com filactérios na testa e braço (1934-1939). Foto: Matson Collection

aumentam as franjas das suas vestes. Jesus refere-se aos fios soltos que eram presos às bordas da roupa externa como uma franja. Esta franja foi ordenada a fim de os distinguir das outras nações, e para que eles se lembrassem de guardar os mandamentos de Deus (Nm 15:38-40; Dt 22:12). Os fariseus estas franjas maiores do que a das outras pessoas, para mostrar que tinham um respeito especial pela lei. [Barnes, 1871]

6 Eles amam os primeiros assentos nos banquetes, e as primeiras cadeiras nas sinagogas,

Compare com Mt 20:21Pv 25:6-7Mc 12:38-39Lc 11:43; 14:7-11; 20:46-47Rm 12:10Tg 2:1-43Jo 1:9.

os primeiros assentos nos banquetes – ou seja, “os lugares de honra” (NVI).

7 as saudações nas praças, e serem chamados: “Rabi” pelas pessoas.

saudações nas praças. As praças eram lugares onde multidões de pessoas se reuniam. Os escribas e fariseus tinham prazer com a atenção especial em locais públicos, e desejavam que todos lhes mostrassem um respeito diferenciado.

Rabi (compare com Jo 1:38,49; 3:2,26; 6:25; 20:16). Esta palavra significa literalmente grande. Foi um título dado a eminentes mestres da lei entre os judeus; um título de honra e dignidade, denotando autoridade e habilidade para ensinar. Cada vez que eram assim chamados indicava sua superioridade em comparação às pessoas que assim os chamavam, e eles gostavam, portanto, de ouvi-lo frequentemente aplicado a eles. Havia três títulos em uso entre os judeus – Rab, Rabi e Rabône – significado diferentes graus de aprendizagem e habilidade, como os diplomas (graduação, mestrado, doutorado) fazem entre nós. [Barnes, 1870]

8 Mas vós, não sejais chamados Rabi, porque o vosso Mestre é um: e todos vós sois irmãos.

não sejais chamados Rabi (compare com Mt 23:102Co 1:24; 4:5Tg 3:11Pe 5:3).

vosso Mestre é um (compare com Mt 10:25; 17:5; 26:49Jo 13:13-14Rm 14:9-101Co 1:12-13; 3:3-5). Algumas traduções acrescentam “Cristo” aqui, porém, visto que a palavra não está presente nos melhores manuscritos, optou-se pela sua omissão; aparentemente ela entrou no texto grego a partir de uma nota explicativa marginal, completando o sentido segundo o modelo de Mt 23:10.

todos vós sois irmãos (compare com Lc 22:32Ef 3:15Cl 1:1-2Ap 1:9; 19:10; 22:9).

9 E a ninguém chameis na terra vosso pai; porque o vosso Pai é um: aquele que está nos céus.

a ninguém chameis na terra vosso pai (compare com 2Rs 2:12; 6:21; 13:14Jó 32:21-22At 22:11Co 4:151Tm 5:1-2Hb 12:9). “Pai” (abba no aramaico) e “guia” (Mt 23:10) também são títulos dos escribas, sendo o primeiro usado principalmente como um prefixo para o nome, por exemplo Abba Shaul. Alguns cristãos interpretam essas proibições literalmente e dizem que é anticristão usar títulos de respeito como ‘Reverendo’, ‘Pai em Deus’ e outros semelhantes, que correspondem aos títulos dos escribas. Mas o que Jesus condenou não foram os próprios títulos, mas sim as pretensões presunçosas que os títulos implicavam. Os rabinos, na realidade, se colocaram no lugar de Deus e quase em igualdade com ele. Suas tradições eram mais obrigatórias do que a Lei, e eram consideradas, em certo sentido, obrigatórias para Deus. Um rabino chegou ao ponto de ser enterrado com vestes brancas para mostrar que era digno de aparecer perante seu Criador. Diz-se que outro foi chamado ao céu por Deus para resolver um ponto da lei da purificação cerimonial (compare com Mt 15:2).

porque o vosso Pai é um (compare com Mt 6:8-9,32Ml 1:6Rm 8:14-172Co 6:181Jo 3:1).

10 Nem sejais chamados guias; porque o vosso guia é um: o Cristo.

Nem sejais chamados guias (“mestres”, BKJ; “chefes”, NVI).

11 Porém o maior de vós será vosso servo.

Compare com Mt 20:26-27Mc 10:43-44Lc 22:26-27Jo 13:14-151Co 9:192Co 4:5; 11:23Gl 5:13Fp 2:5-8.

As palavras admitem um significado duplo. Ou (1), como em Mc 9:35, elas afirmam uma lei de retribuição – o homem que busca ser o maior será o servo de todos; ou (2) elas apontam a outra lei, da qual a própria vida de nosso Senhor foi a melhor ilustração – que aquele que é realmente o maior mostrará sua grandeza, não em afirmá-la, mas em uma vida de serviço. A última interpretação parece dar, em geral, o melhor significado. [Ellicott, 1905]

12 Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.
13 Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque fechais o Reino dos céus diante das pessoas; pois nem vós entrais, nem permitis entrar os que estão entrando.

Aqui os escribas e fariseus são acusados ​​de fechar o céu diante das pessoas: em Lc 11:52 a acusação é ainda pior, eles tomaram “a chave do conhecimento” – que significa, não a chave para abrir o conhecimento, mas o conhecimento como a única chave para abrir o céu. Um conhecimento correto da palavra revelada de Deus é a vida eterna, como diz nosso Senhor (Jo 17:3; Jo 5:39); mas isto eles tiraram ao povo, substituindo-o pelas suas miseráveis tradições. [JFU, 1871]

ai de vós (compare com Mt 23:14-15,27,29Is 9:14-15; 33:14Zc 11:17Lc 11:43-44).

fechais o Reino dos céus diante das pessoas (compare com Mt 21:31,32Lc 11:52Jo 7:46-52Jo 9:22,24,34At 4:17,18At 5:28,40At 8:1At 13:81Ts 2:15,162Tm 3:82Tm 4:15).

pois nem vós entrais, nem permitis entrar os que estão entrando – ou então, “não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo” (NVI).

14 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque devorais as casas das viúvas, e para justificar, fazem longas orações; por isso recebereis mais grave condenação.

devorais as casas das viúvas (compare com Ex 22:22-24Jó 22:9; 31:16-20Mc 12:40Lc 20:472Tm 3:6Tt 1:10-11). A avareza aqui descrita pode fazer referência (1) ao uso que esses homens faziam das vantagens que possuíam, como juristas e tabeliães da época, para fazer reivindicações injustas contra viúvas ricas ou para se tornarem seus herdeiros, ou (2) à influência de mulheres devotas, sob a aparência de piedade, a conceder-lhes suas propriedades ou casas. Fornecer as coisas necessárias para o sustento de um escriba era, eles ensinavam, o melhor uso da riqueza. A “longa oração” refere-se provavelmente às conhecidas Dezoito Orações, que formavam o padrão de devoção do fariseu. O versículo inteiro está faltando em muitos manuscritos antigos, e pode ter sido inserido aqui a partir de Mc 12:40 ou Lc 20:47. [Ellicott, 1905]

e para justificar, fazem longas orações – ou então, “e para disfarçar, fazem longas orações” (NVI).

por isso recebereis mais grave condenação (compare com Mt 23:33; 11:24Lc 12:48Tg 3:12Pe 2:3).

15 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque percorreis o mar e a terra para fazerdes um prosélito; e quando é feito, vós o tornais filho do inferno duas vezes mais que a vós.

percorreis o mar e a terra para fazerdes (compare com Gl 4:17; 6:12) um  prosélito (compare com Et 8:17At 2:10; 13:43) – ou seja, “vocês atravessam os mares e viajam por todas as terras a fim de procurar converter uma pessoa para a sua religião” (NTLH).

vós o tornais filho do inferno duas vezes mais que a vós (compare com Jo 8:44At 13:10; 14:2,19; 17:5-6,13Ef 2:3) – ou seja, duas vezes mais dignos do fogo do inverno. Devido a tendência dos novos convertidos de exagerar os aspectos externos do credo que adotam, os prosélitos gentios agravaram ao máximo as piores características do farisaísmo. [Cambridge, 1893]

16 Ai de vós, guias cegos, que dizeis: 'Qualquer um que jurar pelo templo, isso nada vale; mas qualquer um que jurar pelo ouro do templo, é obrigado a cumprir o que jurou'.

guias cegos (compare com Mt 23:17,19,24,26; 15:14Is 56:10-11Jo 9:39-41). Eles eram líderes e guias por profissão e, ainda assim, por seu literalismo e preocupação com as práticas externas, perderam o verdadeiro significado das Escrituras que ensinavam. O Senhor repete o epíteto “cego” (Mt 23:17,19,24).

Qualquer um que jurar pelo templo (compare com Mt 5:33-34Tg 5:12), isso nada vale (compare com Mt 15:5-6Mc 7:10-13). Nosso Senhor parece referir-se mais especialmente aos juramentos ligados a votos, dos quais ele já havia falado (Mt 15:5-6). A distinção intencional entre juramentos era um exemplo de cegueira moral. Um juramento pelo templo não era obrigatório; poderia ser quebrado ou evitado impunemente.

mas qualquer um que jurar pelo ouro do templo – ou seja, pelo tesouro sagrado e seus ornamentos. [Pulpit, 1895]

é obrigado a cumprir o que jurou (compare com Gl 5:3).

17 Tolos e cegos! Pois qual é maior: o ouro, ou o templo que santifica o ouro?

Tolos (compare com Sl 94:8) – ou então, “insensatos” (A21).

o templo que santifica o ouro (compare com Mt 23:19Ex 30:26-29Nm 16:38,39). Santificar é tornar santo. A santidade do ouro estava no fato de fazer parte do templo. Caso contrário, não seria mais sagrado do que qualquer outro ouro. Era tolice, então, supor que aquilo fosse mais sagrado do que o templo, do qual recebia toda a santidade que possuía. [Barnes, 1870]

18 Também dizeis: “Qualquer um que jurar pelo altar, isso nada vale; mas quem jurar pela oferta que está sobre ele, é obrigado a cumprir o que jurou”.

Qualquer um que jurar pelo altar (compare com Mt 5:33-34Tg 5:12), isso nada vale (compare com Mt 15:5-6Mc 7:10-13). Nosso Senhor parece referir-se mais especialmente aos juramentos ligados a votos, dos quais ele já havia falado (Mt 15:5-6). A distinção intencional entre juramentos era um exemplo de cegueira moral. Um juramento pelo altar não era obrigatório; poderia ser quebrado ou evitado impunemente. [Pulpit, 1895]

é obrigado a cumprir o que jurou (compare com Gl 5:3).

19 Tolos e cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar que santifica a oferta?

Tolos (compare com Sl 94:8) – algumas traduções (A21, ARA, NVI) entendem que esta palavra não faz parte do original.

o altar que santifica a oferta (compare com Ex 29:37; 30:29).

20 Portanto, quem jurar pelo altar, jura por ele, e por tudo o que está sobre ele.

Um juramento sempre pressupõe uma pessoa que o testemunha, e que castigará por falso testemunho; portanto, quer eles jurassem pelo templo ou pelo ouro (Mt 23:16), ou pelo altar ou a oferta colocada sobre ele (Mt 23:18), o juramento necessariamente supõe o Deus do templo, do altar, e das ofertas, que testemunhou tudo, e puniria, mesmo em seus casos isentos, o falso testemunho. [Clarke, 1832]

21 E quem jurar pelo templo, jura por ele, e por aquele que nele habita.

e por aquele que nele habita (compare com 1Rs 8:13,272Cr 6:2; 7:2Sl 26:8; 132:13,14Ef 2:22Cl 2:9) – isto é, Deus. O templo era sua casa, a sua habitação. No primeiro, ou templo de Salomão, Ele habitou entre os querubins no lugar santíssimo. Ali se manifestou por um símbolo visível, na forma de uma nuvem que repousava sobre o propiciatório (1Rs 8:10,13; Sl 80:1). [Barnes, 1870]

22 E quem jurar pelo Céu, jura pelo trono de Deus, e por aquele que sobre ele está sentado.

pelo trono de Deus (compare com Mt 5:34Sl 11:4Is 66:1At 7:49Ap 4:2,3). O céu é o seu trono (Mt 5:34). É assim chamado como o lugar onde ele se senta na glória. Jesus diz, aqui, que todos os que juram, de fato, juram por Deus, ou o juramento é em vão. Jurar por um altar, uma oferta ou um templo não tem valor, a menos que seja para apelar ao próprio Deus. O mais importante em um juramento é chamar Deus para testemunhar nossa sinceridade. Se um juramento verdadeiro é feito, portanto, apela-se a Deus. Caso contrário, é tolice e maldade jurar por qualquer outra coisa. [Barnes, 1870]

23 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro, e do cominho, e desprezais o que é mais importante da Lei: a justiça, a misericórdia, e a fé; estas coisas devem ser feitas, sem omitir aquelas.

Por que alguns assuntos da lei são mais importantes do que outros? (23:23)

dais o dízimo da hortelã, do endro, e do cominho (compare com Lc 11:42). Dt 12:17 parece considerar apenas os grãos, o vinho e o azeite, entre os produtos da terra, como sujeitos à lei dos dízimos. O fariseu, em sua minuciosa cautela (baseado, talvez, na linguagem mais geral de Lv 27:30), fez questão de recolher o décimo ramo de cada erva do jardim e apresentá-lo ao sacerdote. Uma vez que isso foi feito a pedido de uma consciência imperfeitamente iluminada, nosso Senhor não o censura. Não era uma perversão direta da lei como no ensino dos juramentos e do Corbã. O que Ele censurou foi a substituição do inferior pelo superior. Com os três exemplos do “infinitamente pequeno”, Ele contrasta as três obrigações éticas que eram infinitamente grandes, “justiça, misericórdia e fé”. [Ellicott, 1905]

e desprezais o que é mais importante da Lei: a justiça, a misericórdia, e a  (compare com Mt 9:13; 12:7; 22:37-401Sm 15:22Pv 21:3Jr 22:15,16Os 6:6Mq 6:8Gl 5:22,23) – ou então, “fidelidade” (NVI).

sem omitir aquelas (compare com Mt 5:19,20).

24 Guias cego! Coais um mosquito, e engolis um camelo!

Um provérbio que significa que os escribas cuidam para não violar pontos insignificantes da Lei, enquanto continuamente quebram seus grandes mandamentos.

Coais um mosquito [do vinho quando vão bebê-lo]. O “mosquito” aqui é provavelmente um inseto proveniente da fermentação do vinho e considerado impuro pelos rabinos. O camelo também era impuro (Lv 11:4). [Dummelow, 1909]

Compare com Mt 7:4; 15:2-6; 19:24; 27:6-8Lc 6:7-10Jo 18:28,40.

25 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque limpais o exterior do copo ou do prato, mas por dentro estão cheios de extorsão e cobiça.

Limpais o exterior do copo ou do prato, mas por dentro estão cheios de extorsão e cobiça (compare com Mt 15:19,20Mc 7:4Lc 11:39,40; Is 28:7,8) – “mas por dentro estes [o copo e o prato] estão cheios de coisas que vocês conseguiram pela violência e pela ganância” (NTLH).

26 Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o seu exterior fique limpo.

Ou seja, que o seu copo e prato sejam preenchidos com os frutos de um trabalho íntegro, e então o exterior e o interior realmente ficarão “limpos”. Por meio dessa alusão ao copo e ao prato, o Senhor os ensinou que era necessário primeiro limpar o coração, para que a conduta externa fosse realmente pura e santa. [Barnes, 1870]

Limpa primeiro o interior (compare com Mt 12:33Is 55:7Jr 4:14; 13:27Ez 18:31Lc 6:452Co 7:1Hb 10:22Tg 4:8).

do copo e do prato. Algumas traduções omitem “e do prato” (A21, ARA, NAA).

27 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de cadáveres, e de toda imundícia.

sois semelhantes aos sepulcros caiados (compare com Nm 19:16; Is 58:1,2Lc 11:44At 23:3) – ou seja, pintados de branco. Para evitar a contaminação cerimonial de tocar em um túmulo sem saber, os judeus pintavam cuidadosamente os túmulos ou os marcaram com cal em um dia fixo todos os anos – o décimo quinto dia de Adar. O costume ainda existe no Oriente. Um das estratégias dos samaritanos contra os judeus era remover a cal dos sepulcros para que os judeus ficassem  contaminados ao pisar neles. [Cambridge, 1893]

28 Assim também vós, por fora, realmente pareceis justos às pessoas, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de injustiça.

Assim também vós, por fora, realmente pareceis justos às pessoas (compare com Mt 23:51Sm 16:7Sl 51:6Jr 17:9,10Lc 16:15Hb 4:12,13).

mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de injustiça (compare com Mt 12:34,35Mt 15:19,20Mc 7:21-23).

29 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque edificais os sepulcros dos profetas, adornais os monumentos dos justos,

edificais os sepulcros dos profetas (compare com Lc 11:47,48At 2:29), adornais os monumentos dos justos. Uma parte das ofertas do Templo foi dedicada a esse propósito. [Cambridge, 1893]

30 e dizeis: “Se estivéssemos nos dias dos nossos pais, nunca teríamos sido cúmplices deles no derramamento do sangue dos profetas”.

derramamento do sangue dos profetas (compare com Mt 23:34,35; 21:35,36; Jr 2:30).

31 Assim vós mesmos dais testemunho de que sois filhos dos que mataram os profetas.

vós mesmos dais testemunho [contra si mesmos] (compare com Js 24:22Jó 15:5,6Sl 64:8Lc 19:22).

sois filhos [espirituais] dos que mataram os profetas (compare com At 7:51,521Ts 2:15,16).

32 Completai, pois, a medida de vossos pais.

Em outras palavras, “Vão e terminem o que seus antepassados começaram” (NVT).

Completai, pois. Um imperativo, expressivo da ironia Divina, contendo praticamente uma profecia. Conclua sua obra maligna, termine aquilo que seus pais começaram (compare com Jo 13:27).

a medida (compare com Gn 15:16Nm 32:14Zc 5:6-11). Existe um certo limite para a iniquidade; quando este é alcançado, vem o castigo. A metáfora é derivada de uma taça cheia, que uma única gota a mais fará transbordar. Essa gota adicional seria a morte de Cristo e a perseguição de seus seguidores. Compare com Gn 15:16; 1Ts 2:16. [Barnes, 1870]

33 Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?

Serpentes, raça de víboras (compare com Mt 3:7Mt 12:34Mt 21:34,35Gn 3:15Sl 58:3-5Is 57:3,4Lc 3:7Jo 8:44; Ap 12:9).

Como escapareis da condenação do inferno? (compare com Mt 23:14Hb 2:3; 10:29; 12:25).

34 Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios, e escribas; a uns deles matareis e crucificareis, e a outros deles açoitareis em vossas sinagogas, e perseguireis de cidade em cidade;

eu vos envio (compare com Mt 10:16; 28:19,20Lc 11:49; 24:47Jo 20:21At 1:81Co 12:3-11Ef 4:8-12).

profetas (compare com At 11:27At 13:1At 15:32Ap 11:10), sábios (compare com Pv 11:301Co 2:61Co 3:10Cl 1:28) e escribas (compare com Mt 13:52). Os apóstolos, profetas, mestres, evangelistas, e outros ministros da Igreja Apostólica. Observe que aqui, como em Mt 13:52, nosso Senhor fala dos ministros cristãos sob títulos judaicos como “sábios” (isto é, rabinos) e “escribas”. [Dummelow, 1909]

35 para que venha sobre vós todo o sangue justo que foi derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, ao qual matastes entre o templo e o altar.

Zacarias – Uma vez que não há nenhum registro de qualquer assassinatos correspondente a esta descrição, provavelmente a alusão não é a qualquer homicídio recente, mas a 2Cr 24:20-22, como o último caso registrado e mais adequado para ilustração. E como as últimas palavras de Zacarias foram: “O Senhor requer isso”, então eles estão aqui avisados que daquela geração deve ser requerido. [JFU]

36 Em verdade vos digo que tudo isto virá sobre esta geração.

Compare com Mt 24:34Ez 12:21-28Mc 13:30,31Lc 21:32,33. A destruição de Jerusalém ocorreu cerca de quarenta anos depois que isto foi falado. Veja o próximo capítulo.

Lamentação por Jerusalém e adeus ao Templo

37 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes eu quis ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas; porém não quisestes!

Jerusalém, Jerusalém (compare com Jr 4:14; 6:8Lc 13:34Ap 11:8).

que matas os profetas (compare com Mt 23:30; 5:12; 21:35,36; 22:62Cr 24:21,22Ne 9:26Jr 2:30; 26:23Mc 12:3-6Lc 20:11-14At 7:51,521Ts 2:15Ap 11:7; 17:6).

Quantas vezes eu quis ajuntar os teus filhos (compare com 2Cr 36:15,16Sl 81:8-11Jr 6:16,17; 11:7,8; 25:3-7; 35:15; 42:9-13; 44:4Zc 1:4).

como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas (compare com Dt 32:11,12Rt 2:12Sl 17:8; 36:7; 57:1; 63:7; 91:4).

porém não quisestes (compare com Mt 22:3Pv 1:24-31Is 50:2Os 11:2,7Lc 14:17-20; 15:28; 19:14-44).

38 Eis que vossa casa ficará deserta.

Compare com Mt 24:22Cr 7:20,21; Is 64:10-12Jr 7:9-14Dn 9:26Zc 14:1,2Mc 13:14Lc 13:35; 19:43,44; 21:6,20,24At 6:13,14.

Eis que vossa casa – o Templo, sem dúvida; agora a casa deles, não a do Senhor. Veja em Mt 22:7.

ficará deserta (“ficará completamente abandonada”, NTLH) – isto é, do seu Divino Habitante. Mas quem é esse? Veja o versículo seguinte. [JFU, 1871]

39 Pois eu vos digo que a partir de agora não me vereis, até que digais: 'Bendito aquele que vem em nome do Senhor'.

a partir de agora não me vereis (compare com Os 3:4Lc 2:26-30; 10:22,23; 17:22Jo 8:21,24,56; 14:9,19).

até que digais. Obviamente, há uma referência ao fato de que as palavras do Sl 118:26 foram pronunciadas pela multidão poucos dias antes, em Sua entrada triunfal em Jerusalém. Só quando essas palavras fossem proferidas mais uma vez — não em uma explosão momentânea de excitação, não com Hosanas fingidos, mas em espírito e verdade — é que voltariam a olhar para Ele como olhavam agora. [Ellicott, 1905]

Bendito aquele que vem em nome do Senhor (compare com Mt 21:9Sl 118:26Is 40:9-11Zc 12:10Rm 11:252Co 3:14).

Pois eu vos digo – e estas foram Suas últimas palavras à nação impenitente, veja em Mc 13:1, abrindo observações.

(Mc 12:38-40; Lc 20:45-47)

<Mateus 22 Mateus 24>

Introdução à Mateus 23

O cenário é o Templo. No primeiro plano estão Jesus e Seus discípulos; um pouco mais longe as multidões; ao fundo estão os fariseus desconcertados, que, em vez de atacar, agora são atacados. Cristo se dirige primeiro às multidões (Mt 23:1-7), depois aos discípulos (Mt 23:8-12), por fim aos escribas e fariseus (Mt 23:13-36). [Dummelow, 1909]

Visão geral de Mateus

No evangelho de Mateus, Jesus traz o reino celestial de Deus à terra e, por meio da sua morte e ressurreição, convoca os seus discípulos a viverem um novo estilo de vida. Tenha uma visão geral deste Evangelho através deste breve vídeo (em duas partes) produzido pelo BibleProject.

Parte 1 (9 minutos).

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Parte 2 (8 minutos).

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Leia também uma introdução ao Evangelho de Mateus.

Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles – agosto de 2020.