Bíblia

João 11

A ressurreição de Lázaro

1 E estava doente um certo Lázaro, de Betânia, a aldeia de Maria e de sua irmã Marta.

de Betânia – no lado leste do Monte das Oliveiras.

a aldeia de Maria e de sua irmã Marta – distinguindo-a assim da outra Betânia, “do outro lado do Jordão” (Ver Jo 1:28; Jo 10:40). [JFB]

2 (E era Maria a que ungiu ao Senhor com o óleo, e com seus cabelos lhe limpou os pés; a que cujo irmão Lázaro era o que estava doente).

E era Maria a que ungiu ao Senhor com o óleo, e com seus cabelos lhe limpou os pés – Embora este evento só esteja registrado por nosso evangelista em Jo 12:3, provavelmente era bem conhecido no ensino de todas as igrejas, de acordo com a previsão de nosso Senhor (Mt 26:13). [JFB]

3 Enviaram pois suas irmãs uma mensagem a ele, dizendo: Senhor, eis que aquele a quem tu amas está doente.

Um apelo para o conhecido afeto de seu Senhor pelo enfermo. (Veja Jo 11:5, 11). “Aqueles a quem Cristo ama não estão mais isentos do que os outros de sua parcela de problemas terrenos e angústias: em vez disso, eles estão ligados a ele com mais segurança” (R.C. Trench). [JFB]

4 E ouvindo Jesus, disse: Esta doença não é para morte, mas para glória de Deus; para que o Filho de Deus seja por ela glorificado.

mas para glória de Deus; para que o Filho de Deus seja por ela glorificado – Linguagem notável esta, que dos lábios da criatura teria sido intolerável. Significa que a glória de Deus manifestada na ressurreição de Lázaro seria mostrada como sendo a glória, pessoal e imediata, do FILHO. [JFB]

5 E Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.

Que imagem! Uma que em todas as épocas atraiu a admiração de toda a Igreja Cristã. Um exemplo de que a amizade faz parte das virtudes do Evangelho.

6 Quando, pois, ele ouviu que estava doente, ficou ainda dois dias no lugar onde estava.

Jesus estava a pelo menos quarenta quilômetros de distância do seu amigo. Além de toda a dúvida, isso foi apenas para deixar as coisas chegarem ao pior, a fim de mostrar a Sua glória. Mas como tentar, entretanto, a fé de seus amigos, e quão diferente da maneira comum de amor a um amigo morto se mostra, sobre o qual está claro que Maria contava. Mas os caminhos do divino não são como os caminhos do amor humano. Muitas vezes são o contrário. Quando o seu povo está doente, no corpo ou no espírito; quando o caso deles está ficando mais e mais desesperado a cada dia; quando toda a esperança de recuperação está prestes a expirar – nesse momento e, portanto, é que “Ele permanece dois dias no mesmo lugar em que está”. Eles ainda podem esperar contra a esperança? Muitas vezes não o fazem; mas “esta é a enfermidade deles”. Pois é o Seu estilo escolhido de agir. Temos sido bem ensinados e não devemos negligenciar essa lição. Desde os dias de Moisés foi dada subliminarmente como o caráter de Suas maiores intervenções, que “o Senhor julgará Seu povo e se arrependerá por Seus servos” – quando Ele ver que a força de seus servos se foi (Dt 32:36). [JFB]

7 Então depois disto voltou a dizer aos discípulos: Vamos outra vez à Judeia.

Vamos outra vez à Judeia – Ele estava “do outro lado do Jordão”.

8 Disseram-lhe os discípulos: Rabi, ainda agora os Judeus procuravam te apedrejar; e tu voltas novamente para lá?

os Judeus procuravam te apedrejar – (Jo 10:31).

e tu voltas novamente para lá? – para a morte certa, como mostra Jo 11:16, eles pensando.

9 Respondeu Jesus: Não há doze horas no dia? Se alguém anda de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo.

Respondeu Jesus: Não há doze horas no dia? – (Veja em Jo 9:4). O dia de nosso Senhor chegara agora a sua décima primeira hora, e tendo até agora “caminhado durante o dia”, Ele não iria calcular mal a parte restante e mais crítica de Sua obra, que seria tão fatal, diz ele, quanto omiti-la completamente; pois “se um homem (assim Ele fala, colocando-se sob a mesma grande lei do dever como todos os outros homens – se um homem) andar na noite, ele tropeça, porque não há luz nele”. [JFB]

10 Mas se alguém anda de noite, tropeça; porque nele não há luz.
11 Ele falou estas coisas; e depois disto, disse-lhes: Lázaro, nosso amigo, dorme; mas vou para despertá-lo do sono.

Lázaro, nosso amigo, dorme; mas vou para despertá-lo do sono – que título ilustre! “Lázaro, nosso amigo”. Só para Abraão este é concedido no Antigo Testamento, e somente depois da sua morte, (2Cr 20:7; Is 41:8), para o qual nossa atenção é chamada no Novo Testamento (Tg 2:23). Quando Jesus veio em carne, Seu precursor aplicou este nome, em certo sentido, a si mesmo (Jo 3:29); e na mesma comunhão os discípulos escolhidos pelo Senhor são declarados como tendo alcançado (Jo 15:13-15). “A frase aqui empregada,“Lázaro, nosso amigo”, significa mais do que “aquele a quem tua amas”em Jo 11:3, pois implica que a afeição de Cristo foi retribuída por Lázaro” (F.A. Lampe). Foi dito ao Nosso Senhor apenas que Lázaro estava “doente”. Mas a mudança que seus dois dias de atraso haviam produzido é aludida aqui com ternura. Sem dúvida, o Seu espírito esteve todo o tempo com a Sua morte, e agora “amigo” morto. O símbolo do “sono” pela morte é comum a todas as línguas, e familiar para nós no Antigo Testamento. No Novo Testamento, porém, um significado mais elevado é colocado nele, em relação aos crentes em Jesus (ver em 1Ts 4:14), um sentido insinuado, e claramente no Sl 17:15 (C.E. Luthardt); e o “despertar do sono” adquire um sentido correspondente que transcende a ressurreição. [JFB]

12 Disseram pois seus discípulos: Senhor, se ele dorme, será salvo.

se ele dorme, será salvo – “Por que então ir para a Judéia?”

13 Mas Jesus dizia isto de sua morte; porém eles pensavam que falava do repouso do sono.
14 Então pois lhes disse Jesus claramente: Lázaro está morto.

J.A. Bengel lindamente disse: “O sono é a morte dos santos, na linguagem do céu; mas aqui esta linguagem os discípulos não entenderam; incomparável é a generosidade da maneira divina de discursar, mas tal é a lentidão da apreensão dos homens de que a Escritura frequentemente tem que descer para o estilo mais miserável do discurso humano” compare Mt 16:11. [JFB]

15 E me alegro, por causa de vós, que eu não estivesse lá, para que creiais; porém vamos até ele.

E me alegro, por causa de vós, que eu não estivesse lá – Isso certamente implica que, se estivesse presente, Lázaro não teria morrido; não porque não pudesse resistir às importunidades das irmãs, mas porque, na presença da Vida em pessoa, a morte não poderia ter chegado a seu amigo (C.E. Luthardt).

para que creiais – Isto é acrescentado para explicar a sua “alegria” por não ter estado presente. A morte de seu amigo, como tal, não poderia ter sido “alegre” para Ele; a sequencia do relato mostra que foi “grave”; mas para eles era seguro (Fp 3:1). [JFB]

16 Disse pois Tomé, chamado o Dídimo, aos colegas discípulos: Vamos nós também, para que com ele morramos.

Tomé, chamado o Dídimo – ou “o gêmeo”.

Vamos nós também, para que com ele morramos – um espírito amável, embora tingido de alguma tristeza, como reaparece em Jo 14:5, mostrando a tendência desse discípulo de assumir a visão sombria das coisas. Em uma ocasião memorável, essa tendência abriu a porta para a incredulidade, embora momentânea (Jo 20:25). [JFB]

17 Vindo pois Jesus, encontrou que já havia quatro dias que estava na sepultura.

Se Lázaro morreu no dia em que chegou a notícia de sua doença – e fosse, de acordo com o costume judaico, enterrado no mesmo dia (Jo 11:39; At 5:5-6, 10) – e se Jesus, depois de dois dias de permanência na Peréia, partisse no dia seguinte para Betânia, umas dez horas de viagem, resultaria os quatro dias; o primeiro e o último incompletos (H.A.W. Meyer). [JFB]

18 (E Betânia era como quase quinze estádios de Jerusalém).

quinze estádios de Jerusalém – Menos de três quilômetros. A proximidade é mencionada para explicar as visitas de consolo recebidas e mencionadas no versículo seguinte (19).

19 E muitos dos judeus tinham vindo até Marta e Maria, para consolá-las por seu irmão.

Assim foram fornecidas, de uma maneira muito natural, muitas testemunhas do glorioso milagre que se seguiu.

20 Ouvindo pois Marta que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro; mas Maria ficou sentada em casa.

Ouvindo pois Marta que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro – fiel à energia e atividade de seu caráter, como visto em Lc 10:38-42.

mas Maria ficou sentada em casa – igualmente fiel ao seu caráter tranquilo. Esses toques não premeditados não apenas ilustram de maneira encantadora a minuciosa fidelidade histórica de ambas as narrativas, mas também sua harmonia interna. [JFB]

21 Disse pois Marta a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

Maria disse depois a mesma coisa mais a frente (Jo 11:32), é claro que elas fizeram essa observação uma a outra, talvez muitas vezes durante esses quatro dias tristes, e não sem ter sua confiança no amor do Senhor às vezes obscurecida. Tais provações da fé, no entanto, não são exclusivas a elas. [JFB]

22 Porém também sei agora, que tudo quanto pedires a Deus, Deus o dará a ti.

Porém também sei agora… – Pessoas energéticas são geralmente otimistas.

tudo quanto pedires a Deus, Deus o dará a ti – isto é, “até à restauração do meu irmão morto à vida”, isso é claramente o seu significado, como mostra a sequência. [JFB]

23 Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressuscitará.
24 Marta lhe disse: Eu sei que ele ressuscitará, na ressurreição, no último dia.

“Mas nós nunca mais o veremos em vida até lá?”

25 Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição, e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.

Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição, e a vida – “Todo o poder de restaurar, transmitir e manter a vida reside em Mim.” (Veja em Jo 1:4;  Jo 5:21). Que reivindicação mais elevada à suprema divindade que esta grande fala pode ser concebida?

quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá – isto é, a morte do crente será tragada em vida, e sua vida nunca se afundará em morte. Como a morte vem pelo pecado, é dEle anulá-la; e como a vida flui através de Sua justiça, é Sua para comunicá-la e eternamente mantê-la (Rm 5:21). [JFB]

26 E todo aquele que vive, e crê em mim, para sempre não morrerá. Crês nisto?
27 Disse-lhe ela: Sim, Senhor; já cri que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que viria ao mundo.
28 E dito isto, ela se foi, e chamou em segredo a Maria, sua irmã, dizendo: Aqui está o Mestre, e ele te chama.

Aqui está o Mestre, e ele te chama – A narrativa não nos dá este detalhe interessante, mas as palavras de Marta fazem.

29 Ouvindo ela isto, logo se levantou, e foi até ele.

Afeição por seu Senhor, segurança de Sua simpatia e Sua esperança de intervenção, energizando seu espírito angustiado.

30 (Porque Jesus ainda não havia chegado à aldeia; mas estava no lugar onde Marta lhe saíra ao encontro).
31 Vendo pois os judeus que com ela estavam em casa, e a consolavam, que Maria com pressa se levantara, e saíra, seguiram-na, dizendo: Ela vai para a sepultura, para chorar lá.

os judeusseguiram-naa sepultura – Assim, casualmente, foram providas testemunhas do glorioso milagre que se seguiu, certamente sem preconceitos, em favor daquele que a operou.

chorar lá – de acordo com a prática judaica, por alguns dias após o enterro. [JFB]

32 Vindo pois Maria aonde Jesus estava, e vendo-o, caiu a seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

caiu a seus pés – mais intensa que sua irmã, embora suas palavras fossem menores (Veja em Jo 11:21).

33 Quando Jesus a viu chorar, e aos judeus, que vinham chorando com ela, comoveu-se em espírito, e ficou perturbado.

As lágrimas de Maria e suas amigas agiram com simpatia sobre Jesus, e exaltaram Suas emoções. Que vívido e belo resultado de sua “real” humanidade!

e ficou perturbado – referindo-se provavelmente a essa dificuldade visível de reprimir suas emoções.

34 E disse: Onde o pusestes? Disseram-lhe: Senhor, vem, e vê.
35 Jesus chorou.

Isso transmite belamente a sublime brevidade das duas palavras originais; outro “derramar de lágrimas” poderia ter melhor transmitido a diferença entre a palavra aqui usada e que duas vezes empregada em Jo 11:33, e ali propriamente traduzida “choro”, denotando o alto lamento pelos mortos, enquanto a de Jesus consistia em lágrimas silenciosas. É por nada que o evangelista, uns sessenta anos depois, sustenta para todas as idades com tão ligeira brevidade o sublime espetáculo do Filho de Deus em lágrimas? Que selo de Sua perfeita unidade conosco na característica mais redentora de nossa humanidade ferida! Mas não havia nada nessas lágrimas além da tristeza pelo sofrimento e morte humana? Esses efeitos poderiam movê-lo sem sugerir a causa? Quem pode duvidar de que em Seu ouvido cada característica da cena proclamava aquela lei severa do Reino: “O salário do pecado é a morte” (Rm 6:23), e que esse elemento em Sua emoção visível está por trás de todo o resto? [JFB]

36 Disseram pois os Judeus: Vede como ele o amava!

Nós te agradecemos, ó visitantes de Jerusalém, por este testemunho espontâneo da ternura humana do Filho de Deus.

37 E alguns deles disseram: Não podia este, que abriu os olhos ao cego, ter feito também que este não morresse?
38 Comovendo-se pois Jesus outra vez em si mesmo, veio à sepultura; e era esta uma caverna, e estava uma pedra posta sobre ela.

Comovendo-se pois Jesus outra vez em si mesmo – isto é, como em Jo 11:33, examinou ou reprimiu Seus crescentes sentimentos, no exemplo anterior, de tristeza, aqui de justa indignação pela incredulidade; (compare Mc 3:5) (W.C. Wilkinson). Mas aqui também a dolorosa emoção era mais profunda, agora que Seus olhos estavam prestes a fixar no local onde ainda estava, nos horrores da morte, Seu “amigo”.

uma caverna – a cavidade, natural ou artificial, de uma rocha. Isso, com o número de visitantes em pêsames de Jerusalém, e o unguento caro com o qual Maria depois ungiu Jesus em Betânia, mostra que a família estava em boas condições financeiras. [JFB]

39 Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, a irmã do morto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque já é de quatro dias.

Disse Jesus: Tirai a pedra – falou aos assistentes de Marta e Maria; pois foi preciso de um de certo esforço (Hugo Grotius). Segundo os talmudistas, era proibido abrir uma sepultura depois que a pedra foi colocada sobre ela. Além de outros perigos, eles estavam apreensivos por causa da impureza legal pelo contato com os mortos. Por isso evitavam aproximar-se de um túmulo mais de dois metros (Maimônides). Mas Aquele que tocou o leproso e o caixão da viúva do filho de Naim, ergue-se aqui também acima desses memoriais judaicos, cada um dos quais Ele veio para rolar. Observe aqui o que o nosso Senhor fez a si mesmo e o que Ele fez os outros fazerem. Assim como o próprio Elias consertou o altar no Carmelo, arrumou a madeira, cortou a vítima e colocou as peças na lenha, mas fez como que os espectadores enchessem a cova ao redor com água, para que nenhuma suspeita pudesse surgir do fogo ter sido lançado secretamente ao altar (1Rs 18:30-35); assim, para que nosso Senhor deixasse o mais cético ver que, sem colocar a mão na pedra que cobria o amigo, Ele poderia traze-lo à vida. O que poderia ser feito pela mão humana Ele ordena que seja feito, reservando apenas para Si mesmo o que transcende a capacidade de todas as criaturas.

Senhor, já cheira mal, porque já é de quatro dias – (Veja em Jo 11:17). É errado supor como alguns que, como os espectadores, ela não havia pensado em sua restauração à vida. Mas os lampejos de esperança que ela nutria desde o princípio (Jo 11:22), e que haviam sido iluminados pelo que Jesus lhe disse (Jo 11:23-27), sofreram um eclipse momentâneo sobre a proposta de expor o cadáver agora oculto. Toda fé real está sujeita a oscilações em horas sombrias. (Veja, por exemplo, o caso de ). [JFB]

40 Jesus disse-lhe: Não te disse, que se creres, verás a glória de Deus?

Ele não disse com essas palavras, mas esse era o escopo de tudo o que Ele havia dito a ela sobre Seu poder vivificador (Jo 11:23, 25-26); uma repreensão gentil, porém enfática e instrutiva: “Porque a restauração da vida, mesmo a um cadáver em decomposição, parece sem esperança na presença da ressurreição e da vida? Ainda tens que aprender que ‘se podes crer, tudo é possível ao que crê?’”(Mc 9:23). [JFB]

41 Tiraram, pois, a pedra. E Jesus levantou os olhos para cima, e disse: Pai, graças te dou, porque me tens ouvido.

E Jesus levantou os olhos para cima – uma expressão marcando Sua tranquila solenidade. (Veja Jo 17:1).

Pai, graças te dou, porque me tens ouvido – em vez de, “Me ouviste”, referindo-se a uma oração específica oferecida por Ele, provavelmente no entendimento do caso que o tinha alcançado (Jo 11:3-4); pois a Sua unidade viva e amorosa com o Pai foi mantida e manifestada na carne por atos específicos de fé e exercícios de oração sobre cada caso à medida que surgisse. Ele orou (como bem diz C.E. Luthardt) não pelo que Ele queria, mas pela manifestação do que Ele tinha; e tendo a brilhante consciência da resposta na liberdade sentida de perguntar, e a certeza de que esta estava à mão, Ele agradece por isso com uma grande simplicidade antes de executar o ato. [JFB]

42 Porém eu bem sabia que sempre me ouves; mas por causa da multidão, que está ao redor, assim disse; para que creiam que tu me enviaste.

Em vez de orar agora, o Senhor Jesus simplesmente agradece a resposta à oração oferecida antes de partir da Peréia, e acrescenta que, mesmo assim, na audiência do povo, não havia dúvidas sobre a prevalência de Suas orações em qualquer caso, mas para mostrar às pessoas que Ele nada fez sem o Seu Pai, mas tudo por comunicação direta com Ele. [JFB]

43 E havendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai fora.

E havendo dito isto, clamou com grande voz – Em somente outra ocasião Ele fez isto – na cruz. Sua última expressão foi em“alta voz” (Mt 27:50). “Ele não chorará”, disse o profeta, nem no seu ministério. Que contraste sublime é esse “alto clamor” aos “sussurros” e “murmúrios” dos quais lemos em Is 8:19; Is 29:4 (como Hugo Grotius observa)! Ele perde apenas para a grandeza daquela voz que ressuscitará todos os mortos (Jo 5:28-291Ts 4:16). [JFB]

44 E o que estava morto saiu, com as mãos e os pés atados, e seu rosto envolto em um lenço. Disse-lhes Jesus: Desatai-o, e deixai-o ir.

Disse-lhes Jesus: Desatai-o, e deixai-o ir – Rolar a pedra foi a preparação necessária para a ressurreição, a outra a sequência necessária para ela. O ATO DE DAR A VIDA ELE RESERVA PARA SI MESMO. Assim, no despertar dos mortos para a vida espiritual, a instrumentalidade humana é empregada primeiro para preparar o caminho e, em seguida, transformá-la em relato. [JFB]

45 Pelo que, muitos dos Judeus, que tinham vindo a Maria, e haviam visto o que Jesus fizera, creram nele.

As duas classes (dos que creram e dos que não creram) continuamente reaparecem na história do Evangelho; não existe alguma grande obra de Deus que não produza ambas as coisas. “É notável que em cada uma das três ocasiões em que nosso Senhor ressuscitou os mortos, um grande número de pessoas foi reunido. Em dois casos: na ressurreição do filho da viúva de Naim e de Lázaro, estas foram todas testemunhas do milagre; no terceiro (da filha de Jairo) elas estavam necessariamente cientes disso. No entanto, este fato importante é, em cada caso, apenas incidentalmente mencionado pelos historiadores, não apresentado ou apelado como prova de sua veracidade. Em relação a esse milagre, observamos um maior grau de preparação, tanto na disposição providencial dos eventos, quanto nas ações e palavras de nosso Senhor, do que em qualquer outra. O milagre precedente (cura do homem nascido cego) distingue-se de todos os outros pela investigação aberta e formal de seus fatos. E ambos os milagres, os mais públicos e os mais bem comprovados de todos, são relatados por João, que escreveu muito depois dos outros evangelistas” (W.C. Wilknson). [JFB]

46 Mas alguns deles foram aos fariseus, e lhes disseram o que Jesus havia feito.
47 Então os sacerdotes e os fariseus juntaram o supremo conselho, e disseram: Que faremos? Porque este homem faz muitos sinais

Que faremos? Porque este homem faz muitos sinais – “Enquanto nós perdemos tempo, ‘este homem’, como seus ‘muitos milagres’, atrairá todos a Ele; o entusiasmo popular trará uma revolução, que levantará os romanos contra nós, e todos nós vai cairemos em ruína”. Que testemunho da realidade dos milagres de nosso Senhor e do efeito irresistível deles em Seus mais amargos inimigos! [JFB]

48 Se assim o deixamos, todos crerão nele, e virão os romanos, e nos tomarão tanto o lugar quanto a nação.
49 E Caifás, um deles, que era sumo sacerdote daquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis;
50 Nem considerais que nos convém, que um homem morra pelo povo, e toda a nação não pereça.
51 E ele não disse isto de si mesmo; mas que, como era o sumo sacerdote daquele ano, profetizou que Jesus morreria pelo povo.

Caifás não queria dizer nada além do que a maneira de impedir a destruição da nação era fazer um sacrifício do Perturbador de sua paz. Mas, ao expressar essa sugestão de conveniência política, ele foi guiado a ponto de apresentar uma previsão divina de profundo significado; e Deus ordenou que viesse dos lábios do sumo sacerdote para aquele ano memorável, o reconhecido ministro do povo visível de Deus, cujo antigo ofício, simbolizado pelo Urim e Tumim, era a decisão final de todas as questões vitais como o profeta da vontade divina. [JFB]

52 E não somente por aquele povo, mas também para que juntasse em um aos filhos de Deus, que estavam dispersos.

Estas são as palavras do evangelista, não de Caifás.

53 Então desde aquele dia se aconselhavam juntos para o matarem.

se aconselhavam juntos para o matarem – Caifás, mas expressa que o partido desejava secretamente, mas tinha medo de propor.

54 De maneira que Jesus já não andava mais abertamente entre os judeus, mas foi-se dali para a terra junto ao deserto, a uma cidade chamada Efraim; e ali andava com seus discípulos.

Jesus já não andava mais abertamente entre os judeus – como Ele poderia, a menos que desejasse morrer antes de seu tempo?

junto ao deserto – da Judéia.

uma cidade chamada Efraim – entre Jerusalém e Jericó. [JFB]

55 E estava perto a páscoa dos judeus, e muitos daquela terra subiram a Jerusalém antes da páscoa, para se purificarem.

para se purificarem – de qualquer impureza legal que os teria impossibilitado de se manterem na festa.

Isto é mencionado para introduzir a declaração presente no próximo versículo (56).

56 Buscavam pois a Jesus, e diziam uns aos outros estando no Templo: Que vos parece? Que ele não virá à festa?

As pessoas faziam várias suposições e especulações sobre a probabilidade da vinda de Jesus a festa.

57 E os sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem de que, se alguém soubesse onde ele estava, o denunciasse, para que o pudessem prender.

Isso é mencionado para explicar as circunstâncias que Ele viria a ser preso, apesar da determinação dos sacerdotes e fariseus em o fazê-lo.

<João 10 João 12>

Leia também uma introdução ao Evangelho de João

Adaptado de: Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible. Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles – fevereiro de 2018.