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Salmo 22

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1 (Salmo de Davi para o regente, como em 'cerva da manhã':) Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Longe estás de meu livramento e das palavras de meu gemido.

Um resumo da queixa. O abandono de Deus, quando subjugado pela angústia, é o clímax da miséria do sofredor.

2 Deus meu, eu clamo de dia, e tu não me respondes; também clamo de noite, e não tenho sossego.

A longa angústia é evidenciada por – não tenho sossego – literalmente, “não me silencio”, querendo dizer, eu continuamente choro; ou, correspondendo com “tu não me respondes”, ou não responde, pode significar, não há descanso ou silêncio para mim.

3 Porém tu és Santo, que habitas nos louvores de Israel.

Ainda assim, ele não apenas se abstém de acusar a Deus de maneira tola, mas evidencia sua confiança em Deus apelando a Ele.

tu és Santo – ou possuidor de todos os atributos que encorajam a confiança, e o alvo correto dos louvores da Igreja: consequentemente o sofredor não precisa se desesperar.

4 Nossos pais confiaram em ti; eles confiaram, e tu os livraste.

A experiência passada do povo de Deus é uma base de confiança.

5 Eles clamaram a ti, e escaparam do perigo; eles confiaram em ti, e não foram envergonhados.

e não foram envergonhados – ou então, “não se decepcionaram” (NVI).

6 Mas eu sou um verme, e não um homem; sou humilhado pelos homens, e desprezado pelo povo.

Aquele que foi desprezado e rejeitado por seu próprio povo, como uma desgraça para a nação, poderia muito bem usar estas palavras de profunda humilhação, que não expressam seu real, mas estimado, valor.

7 Todos os que me veem zombam de mim; abrem os lábios e sacodem a cabeça, dizendo:

Para os judeus que usaram um dos gestos (Mt 27:39) aqui mencionados, quando o insultaram na cruz.

os lábios – (compare com o Sl 35:21).

8 Ele confiou no 'SENHOR'; agora que ele o salve e o liberte; pois se agrada nele.

Ele confiou no “SENHOR” – isto é, confiou seu fardo (Salmo 37: 5; Pv 16: 3) ao SENHOR. Esta é a linguagem dos inimigos que zombam com sua fé na hora de seu desânimo.

9 Tu és o que me tiraste do ventre; e o que me deu segurança, estando eu junto aos seios de minha mãe.

Embora ironicamente falada, a exortação à confiança estava bem fundamentada em sua experiência com a ajuda divina anterior, cuja ilustração é tirada do período indefeso da infância.

me deu segurança – literalmente, “me fez seguro”.

10 Eu fui lançado sobre ti desde que saí do útero; desde o ventre de minha mãe tu és meu Deus.

Eu fui lançado sobre ti desde que saí do útero. A referência é aos pais que recebem a criança ao nascer (Gn 30:3), como na versão NVT, “fui colocado em teus braços assim que nasci”.

tu és meu Deus – isto é, se mostraste “meu Deus”, por atos de amor, desde a minha concepção e nascimento. Deus era o seu Deus “desde o ventre [da sua] mãe”; Deus foi Seu Pai desde a eternidade. O “meu Deus” ao final da primeira parte retorna ao ponto em que Ele abriu no Sl 22:1. [JFU, 1871]

11 Não fiques longe de mim, porque a minha angústia está perto; pois não há quem me ajude.

A partir desta exposição de razões para o apelo, ele a renova, declarando sua dupla gravidade, a proximidade do problema e a ausência de quem o ajude.

12 Muitos touros me cercaram; fortes touros de Basã me rodearam.

fortes touros de Basã – uma linguagem poética para força e a agressividade dos inimigos do salmista. Basã estava ao norte do lada leste do Jordão, era uma rica terra para pastagem. [Dummelow, 1909]

13 Abriram contra mim suas bocas, como leão que despedaça e ruge.

Seus inimigos, com o vigor dos touros e a rapidez dos leões, o rodeiam, buscando ansiosamente sua ruína. A força de ambas as figuras é claramente evidente compradas ao nosso salmista.

14 Eu me derramei como água, e todos os meus ossos se soltaram uns dos outros; meu coração é como cera, derreteu-se por entre meus órgãos.

O estado de desesperança em que se encontra a vítima destes terríveis inimigos não poderia ser descrito de forma mais eloquente. Trata-se da mais completa fragilidade. [Ellicott, 1905]

15 Minha força se secou como um caco de barro, e minha língua está grudada no céu da boca; e tu me pões no pó da morte;

O esgotamento absoluto e a fraqueza sem esperança, nessas circunstâncias de perigo urgente, são apresentados pelas figuras mais expressivas; a solidez do corpo é destruída e se torna como água; os ossos estão soltos; o coração, sede da vitalidade, se derrete como cera; todos os fluídos do organismo estão secos; a língua não pode mais executar o seu ofício, mas está seca e endurecida (compare Gn 49:4; 2Sm 14:14; Sl 58:8). Nisso, Deus é considerado a fonte suprema e os homens como instrumentos.

no pó da morte – claro, denota a sepultura. Não precisamos tentar encontrar a contrapartida exata de cada item da descrição nos detalhes dos sofrimentos de nosso Salvador. A linguagem figurativa assemelha-se a imagens de cenas históricas, apresentando verdade substancial, sob ilustrações, que, embora não sejam essenciais aos fatos, não são inconsistentes com elas. Se alguma porção dos terríveis sofrimentos de Cristo fossem intencionados, seriam sem dúvida os do jardim do Getsêmani. [JFB]

16 Porque cães ficaram ao meu redor; uma multidão de malfeitores me cercou; perfuraram minhas mãos e meus pés.

Os malfeitores são bem descritos como cães, os quais, no Oriente, juntos, selvagens e vorazes, são objetos de grande repugnância. A última sentença tem sido objeto de muita discussão (envolvendo questões quanto à genuinidade da palavra hebraica traduzida por “perfurar”) que não pode ser inteligível para o leitor brasileiro. Embora não citada no Novo Testamento, a notória adequação da descrição aos fatos da história do Salvador, juntamente com dificuldades em participar de qualquer outro modo de explicar o verso no hebraico, justifica uma adesão aos termos de nossa versão e seu significado óbvio. [JFB]

17 Eu poderia contar todos os meus ossos; eles estão me olhando, e prestando atenção em mim.

Sua magreza, uma expressão de sua miséria, é apresentada mais como objeto de contemplação para seus inimigos. As expressões, “olhando” e “prestando atenção”, muitas vezes ocorrem sugerindo sentimentos de satisfação (compare Sl 27:13; Sl 54:7; Sl 118:7).

18 Eles repartem entre si minhas roupas; e sobre minha vestimenta eles lançam sortes.

Essa previsão literalmente cumprida fecha a triste imagem do sofredor exposto e desamparado.

19 Porém tu, SENHOR, não fiques longe; força minha, apressa-te para me socorrer.

Ele agora se volta com um desejo inabalável e confia em Deus, que, em Sua força e fidelidade, é contrastado com os perigos urgentes descritos.

20 Livra minha alma da espada; e minha vida da violência do cão.

Livra minha alma – ou livra-me (compare Sl 3:2; Sl 16:10).

21 Salva-me da boca do leão; e responde-me dos chifres dos touros selvagens.

A libertação pleitada em vista da ajuda anterior, da perigosa iminência, do inimigo mais poderoso, representado pelo touro selvagem.

da boca do leão – (compare com o Sl 22:13). O leão frequentemente usado como uma figura representando inimigos violentos; a conexão da boca indica sua rapidez.

22 Então eu contarei teu nome a meus irmãos; no meio da congregação eu te louvarei.

Ele declara seu propósito de celebrar as relações graciosas de Deus e tornar públicas Suas perfeições manifestas (“nome”, Sl 5:11), etc., e imediatamente convida os piedosos (aqueles que têm reverencial temor de Deus) a se unirem em especial louvor por uma libertação, ilustrando a bondosa consideração de Deus pelos humildes, a quem os homens negligenciam (Sl 22:24). Esconder o rosto (ou olhos) expressa uma negligência delibera por uma causa, e recusar ajuda ou simpatia (compare Sl 30:7; Is 1:15). [JFB]

23 Vós que temeis ao SENHOR, louvai a ele! E vós, de toda a semente de Jacó, glorificai a ele! Reverenciem a ele, vós todos, semente de Israel.

Reverenciem a ele (“Tremam diante dele”, NVI; ou então, “Temei-o todos vós”, A21).

24 Porque Ele não desprezou nem abominou o sofrimento do aflito, nem escondeu seu rosto dele; mas sim, quando o aflito clamou, ele o ouviu.

Ele não desprezou – em contraste com Sl 22:6: “desprezado pelo povo”. Embora o povo me desprezasse, Deus não desprezou o aflito’.

nem abominou – embora eu fosse como “um verme” (Sl 22:6).

nem escondeu seu rosto dele – para sempre, embora Ele tenha feito isso por um tempo (Sl 22:1-2; 10:1). [JFU, 1871]

25 Meu louvor será para ti na grande congregação; eu pagarei meus juramentos perante os que o temem.

Meu louvor será para ti – ou, talvez melhor, “de ti”, isto é, Deus dá graça para louvá-lo. Com a oferta de louvor, ele ainda manifesta sua gratidão, prometendo o pagamento de seus votos, na celebração do festival usual, conforme previsto na lei (Dt 12:18; Dt 16:11), dos quais os piedosos ou humildes, e os que buscam ao Senhor (Seus verdadeiros adoradores) participem e juntem-se a ele em louvor (Sl 22:26).

26 Os humilhados comerão, e ficarão fartos; louvarão ao SENHOR aqueles que o buscam; vosso coração viverá para sempre.

No entusiasmo produzido por seus vívidos sentimentos, ele dirige-se em tais palavras aos piedosos ou humildes, assegurando-lhes o favor perpétuo de Deus (Sl 22:26). A morte do coração denota morte (1Sm 25:37); então a sua vida implica vida.

27 Todos os extremos da terra se lembrarão disso, e se converterão ao SENHOR; e todas as gerações das nações adorarão diante de ti.

Seu caso ilustra o governo justo de Deus. Além do tempo e das pessoas existentes, outros serão levados a reconhecer e adorar a Deus; os ricos (29), assim como os pobres, os indefesos que não podem manter-se vivos, devem unir-se juntos para celebrar o poder libertador de Deus e transmitir aos não nascidos os testemunhos de Sua graça (30).

28 Porque o reino pertence ao SENHOR; e ele governa sobre as nações.

o reino pertence ao SENHOR – embora por um tempo Satanás, por causa do pecado do homem, o usurpe como “príncipe do mundo”. Ele continua pertencendo a Deus, e em breve isso se evidenciará. Essa consumação será quando Cristo se manifestar como “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19:11-16). [JFU, 1871]

29 Todos os ricos da terra comerão e adorarão, e perante o rosto dele se prostrarão todos os que descem ao pó, e que não podem manter viva sua alma.

os ricos (ou “os poderosos”, A21) da terra comerão (celebrarão, NVT; “se banquetearão”, NVI) e adorarão.

os que descem ao pó – ou seja, todos os homens mortais, talvez se referindo especialmente aos reis da terra com sua glória transitória. [Dummelow, 1909]

30 A descendência o servirá; ela será contada ao Senhor, para a geração seguinte.

ela será contada ao Senhor – ou, “será contado do Senhor a uma geração”. As obras maravilhosas de Deus serão contadas de geração em geração.

31 Chegarão, e anunciarão a justiça dele ao povo que nascer, porque ele assim fez.

porque ele assim fez – isto é, o que o Salmo desenvolveu.

<Salmo 21 Salmo 23>

Introdução ao Salmo 22

As obscuras palavras Aijelete-Hás-Saar no título deste Salmo têm várias explicações. A maioria dos intérpretes concorda em traduzi-las como “corsa da manhã”. Mas existe grande diferença quanto ao significado dessas palavras. Alguns supõem (compare Sl 9:1) como o nome da melodia para a qual as palavras do Salmo foram colocadas; por outros, o nome de um instrumento musical. Talvez o melhor ponto de vista seja considerar a frase como enigmaticamente expressiva do assunto – o sofredor é comparado a um fugitivo dos caçadores de manhã cedo (literalmente, “a aurora do dia”) – ou que, enquanto corsa sugere a ideia de um sofredor manso e inocente, a adição da manhã denota o alívio obtido. Os sentimentos de um piedoso sofredor em tristeza e libertação são retratados de maneira vívida. Ele defende fervorosamente a ajuda divina fundamentada em sua relação com Deus, cuja bondade do passado a Seu povo encoraja a esperança, e então por causa do perigo iminente pelo qual ele é ameaçado. A linguagem da queixa é voltada para a alegria da segura perspectiva de alívio do sofrimento e triunfo sobre seus inimigos. O uso das palavras da primeira parte do verso Sl 22:1 por nosso Salvador na cruz, e a citação do Sl 22:18 por João (Jo 19:24), e do Sl 22:22 pelo autor de Hebreus (Hb 2:12), como cumprido em Sua história, claramente aprofunda o significado profético e messiânico do Salmo. A intensidade da tristeza, e a perfeição e a glória da libertação e do triunfo parecem ser representações inadequadas da sorte de qualquer personagem menor. Em um sentido geral e atenuado (ver no Sl 16:1), a experiência aqui detalhada pode ser adaptada ao caso de todos os cristãos que sofrem por inimigos espirituais, e libertos por ajuda divina, visto que Cristo em Sua natureza humana era seu chefe e representante.

Leia também uma introdução ao livro de Salmos.

Todas as Escrituras em português citadas são da Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio, e Marco Teles – abril de 2020.