Bíblia

Livros das Crônicas

Introdução aos livros das Crônicas

Os dois livros das Crônicas originalmente eram somente um. Eles tinham o título no hebraico massorético de dibre hayyamim, ou seja, “Atos dos Dias”. Este título foi traduzido por Jerônimo em sua versão latina “Chronicon” e, portanto, “Crônicas”. Na versão Septuaginta, o livro é dividido em dois, e traz o título Paraleipomena, ou seja, “coisas omitidas” ou “suplementos”, porque contém muitas coisas omitidas nos Livros dos Reis.

Na Bíblia Hebraica, os livros de Crônicas estão classificados entre os khethubim (escritos) ou hagiographa. Eles são aludidos, embora não diretamente citados, no Novo Testamento (Hb 5:4; Mt 12:42; 23:35; Lc 1:5; 11:31,51).

Conteúdo dos livros das Crônicas

O conteúdo desses livros é compreendido sob quatro partes. (1) Os primeiros nove capítulos do Livro I contêm pouco mais do que uma lista de genealogias na linhagem de Israel até o tempo de Davi. (2) O restante do primeiro livro contém a história do reinado de Davi. (3) Os primeiros nove capítulos do livro II contém a história do reinado de Salomão. (4) Os capítulos restantes do segundo livro contêm a história do reino dividido de Judá até o tempo do retorno do exílio babilônico.

Data e autor dos livros da Crônicas

O tempo da composição das Crônicas foi, há todas as razões para concluir, depois do exílio babilônico, provavelmente entre 450 e 435 a.C. O conteúdo deste livro duplo, tanto quanto à matéria quanto à forma, corresponde intimamente a essa ideia. O fechamento do livro registra a proclamação de Ciro permitindo que os judeus retornem à sua própria terra, e isso forma a passagem de abertura do Livro de Esdras, que deve ser visto como uma continuação das Crônicas. A forma peculiar da língua, sendo aramaico em seu caráter geral, também se harmoniza com a dos livros que foram escritos após o exílio. O autor foi certamente contemporâneo com Zorobabel, detalhes de cuja história familiar são fornecidos (1Cr 3:19).

A época da composição sendo determinada, a questão da autoria pode ser mais facilmente decidida. De acordo com a tradição judaica, que foi universalmente aceita até meados do século XVII, Esdras foi considerado o autor dos livros das Crônicas. Há muitos pontos de semelhança e de contato entre as Crônicas e o Livro de Esdras que parecem confirmar esta opinião. A conclusão de um e o começo do outro são quase idênticos em expressão. Em seu espírito e características são os mesmos, mostrando assim também uma identidade de autoria.

As fontes de onde o cronista compilou seu trabalho eram registros públicos e tabelas genealógicas pertencentes aos judeus. Estas são referidas no decorrer do livro (1Cr 27:24; 29:29; 2Cr 9:29; 12:15; 13:22; 20:34; 24:27; 26:22; 32:32; 33:18-19; 27:7; 35:25).

Propósito dos livros das Crônicas

Em seu escopo geral e projeto estes livros não são tanto históricos como didáticos. O objetivo principal do escritor parece ser apresentar a verdade moral e religiosa. Ele não dá proeminência a acontecimentos políticos, como se faz em Samuel e Reis, mas a instituições eclesiásticas.

As genealogias, tão desinteressantes para a maioria dos leitores modernos, eram realmente uma parte importante dos registros públicos da nação hebraica. Elas eram a base sobre a qual não apenas a terra era distribuída e mantida, mas os serviços públicos do templo eram organizados e conduzidos, os levitas e seus descendentes somente, como é bem sabido, tendo direito e os primeiros frutos separados para esse propósito”.

Os livros das Crônicas são uma síntese da história sagrada desde os dias de Adão até o retorno do exílio babilônico, um período de cerca de 3.500 anos. O escritor reúne “os fios da velha vida nacional rompidos pelo cativeiro”.

Relação com os livros de Samuel e Reis

Há em Crônicas e nos livros de Samuel e Reis, quarenta paralelos, muitas vezes verbais, provando que o escritor conhecia e usava esses registros (1Cr 17:18; compare com 2Sm 7:18-20; 1Cr 19, compare 2Sm 10, etc.).

Em comparação com Samuel e Reis, os livros das Crônicas omite muitos detalhes ali registrados (2Sm 6:20-23; 9; 11; 14-19, etc.) e inclui muitas coisas peculiares a si mesmo (1Cr 12; 22; 23-26; 27; 28; 29, etc.). Vinte capítulos inteiros, e vinte e quatro partes de capítulos, estão ocupados com assuntos não encontrados em outro lugar. Também registra muitas coisas em detalhes mais completos, como (por exemplo) a lista de heróis de Davi (1Cr 12:1-37), a retirada da arca de Quiriate-Jearim para o Monte Sião (1Cr 13; 15:2-24; 16:4-43; 2Sm 6), a lepra de Uzias e sua causa (2Cr 26:16-21; compare com 2Rs 15:5), etc.

Também foi observado que outra peculiaridade do livro é que ele substitui expressões modernas e mais comuns por aquelas que se tornaram incomuns ou obsoletas. Isso é visto particularmente na substituição de nomes modernos de lugares, tais como estavam em uso no tempo do escritor, pelos nomes antigos; assim Gezer (1Cr 20:4) é usado em vez de Gobe (2Sm 21:18), etc.

Adaptado de: Illustrated Bible Dictionary (Chronicles, Books of).